EPTC é responsável pelo alto número de atropelamentos em Porto Alegre

Até setembro deste ano foram registrados 998 atropelamentos na capital gaúcha, e a média de idade das vítimas é 76,6 anos. Os dados são de uma revoltante matéria superficial e parcial que saiu na grande imprensa gaúcha onde dá-se a entender que as vítimas são os principais responsáveis pelo elevado número de atropelamentos em Porto Alegre. A reportagem simplesmente ignora a falta de prioridade e planejamento que a Prefeitura Municipal dá à circulação e segurança de quem se desloca a pé.

Por que é tão alto o número de idosos atropelados? Faltam medidas de engenharia de trânsito que protejam e dêem prioridade ao pedestre:

  • O tempo de travessia nos semáforos para pedestres é ínfimo e não leva em conta o tempo que pessoas com dificuldade de locomoção levam para cruzar uma rua;
  • O tempo de espera nos semáforos para pedestres é longo demais, priorizando o fluxo de veículos, o que leva muitos pedestres a perderem a paciência e se arriscarem no meio dos carros;

Onde há semáforo, a faixa de segurança é desnecessária.

  • Por falta de fiscalização e punição as faixas de segurança (quando existem) não são respeitadas pela absoluta maioria dos veículos;
  • A EPTC instala faixas de segurança indiscrimadamente, mesmo onde há semáforo, o que só serve para confundir os motoristas, que não sabem quando devem ou não parar na faixa de segurança;
  • As travessias para pedestres muitas vezes são muito distantes umas das outras, penalizando principalmente quem tem dificuldade de locomoção (como idosos), forçando as pessoas a fazerem trajetos muito mais longos que o original ou se

    Perimetral: travessias para pedestres são escassas.

    arriscarem atravessando em local impróprio;

  • Onde há travessia de pedestres falta infra-estrutura que force os veículos a reduzirem a velocidade, como estreitamento de pista, sonorizadores e lombadas;
  • Em algumas ruas as calçadas são estreitas demais para o alto fluxo de pedestres, o que força muitas pessoas a caminharem pelo meio da rua;
  • Outras calçadas são tão estreitas que não permitem nem a passagem de um

    Calçada na Avenida Cristóvão Colombo.

    cadeirante e quando duas pessoas querem passar por ela, uma deve ir para o meio da rua.

  • Algumas travessias para pedestres dão voltas e mais voltas, forçando o pedestre a andar até 5x mais do que caminhariam se fossem atravessar em linha reta, fazendo com que muita gente prefira ignorá-las.
  • A instalação de gradis, ao contrário de evitar atropelamentos, faz com que os motoristas sintam-se seguros para andar em velocidades ainda mais altas e impede que pedestres que por algum motivo estejam na rua, retornem a calçada com facilidade.

O alto número de atropelamentos é resultado de um planejamento urbano que dá prioridade à circulação de automóveis e é, pelo menos, negligente com o pedestre. Se não violam o código de trânsito brasileiro, os engenheiros de trânsito de Porto Alegre no mínimo o ignoram, quando ele afirma que a prioridade têm que ser sempre do pedestre, seguido do ciclista e daí por diante, sempre do menor para o maior. Na prática, para a EPTC o mais importante é o fluxo de veículos automotores, a vida, fica em segundo plano.

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45 respostas para EPTC é responsável pelo alto número de atropelamentos em Porto Alegre

  1. Fabian disse:

    É muito complicado atravessar a Protásio Alves. Existem trechos de quilômetros sem uma travessia com sinalização. Com o corredor de ônibus no meio e todas as paradas muito movimentadas os riscos são gritantes, todos os dias. Além disso as pessoas desviam (ou pulam) as grades e se arriscam mais ainda. Mesmo com agentes presentes, que não orientam. É lamentável.

    • Aldo M. disse:

      Não há uma única faixa-de-segurança na esquina da Protásio com a Silva Só, sob o viaduto exclusivo para carros. As mais próximas ficam a cerca de 100 metros. Então absolutamente ninguém vai até elas para atravessar a Protásio Alves.

  2. Felipe Koch disse:

    Falta educação para o trânsito também, mas aí não sei se é via EPTC.
    Mas a verba está disponível, inclusive através da lei do Plano Diretor Cicloviário, falta vontade política.
    Educação não dá tanta grana e publicidade quanto inaugurar grandes obras.

    • Klaus disse:

      “Educação não dá tanta grana e publicidade quanto inaugurar grandes obras.”

      Para a gente ver o quão miseráveis são as pessoas que estão nos mais altos cargos de ‘liderança’.

  3. Klaus disse:

    O Capellari despencou no meu conceito quando disse que a culpa de quem é atrolepado é de quem é atropelado e não dele e de quem atropelou.

    A culpa é da vítima então, idosos na maioria, hein, é isso mesmo Capellari?

    A EPTC não cumpre a lei, desrespeita a Constituição e a culpa de quem morre atropelado é da vítima. Se é assim somos todos vítimas destes ‘líderes’ comandados pela grande indústria onde o comércio é mais importante que a vida e o bem viver, bem mais importante.

    Santa infantilidade.

    Disse que os pedestres são imprudentes e por isso morrem atropelados em uma cidade absolutamente desprovida de estrutura para pedestres e ciclistas e que obras para pedestres e ciclistas são postas de maneira criminosa em segundo, terceiro plano quando são postas em plano.

  4. Jeferson disse:

    Marcelo, assino embaixo. É por aí. Uma cidade planejada pra moer idosos. Quem planeja? EPTC. Ponto. Numa situação democrática e republicana, a instituição deve ser cobrada e responsabilizada. Deve acolher as demanda e críticas e melhorar a vida da cidade. Numa situação autoritária e tirânica, a culpa é de cada um, o tempo inteiro. O massacre vai se abrangendo.

  5. Fabrício disse:

    Que matéria vergonhosa. Ontem quase fui atropelado QUATRO VEZES por SUV´s em cima de faixa pedestre e na calçada também. Eu to indo embora dessa merda e se voltar pretendo meter minhas quatro patas nesse sistema sujo e covarde. Um cara joga o carro em cima de mim na faixa de pedestre e ainda diz “quem é tu pra tocar no meu carro?” e eu “quem é tu pra me atropelar numa faixa de pedestre?” Enfim, ele e mais mil fazendo isso todo dia e saindo na boa no ar condicionado, cidadezinha ridícula

  6. heltonbiker disse:

    Neste trecho a pontuação da pseudo-reportagem caiu para abaixo de zero:

    “Minutos depois, dois cadeirantes também cruzaram as pistas.
    Todos preferem arriscar-se a usar a passagem alternativa pela Estação Rodoviária da Trensurb.”

    É pra rir?

    Aliás, a evidente fragmentação e falta de foco da reportagem mostra bem a qualidade do pseudo-jornalismo de quem escreveu isso (pseudo-jornalismo esse que já vem sendo sistematicamente criticado por nós e por outros colegas anti-carrocêntricos), e também qual é o compromisso da reportagem, ou seja, de quem é o “problema” que a reportagenzinha se propõe a resolver.

    Por falar em velhinhas, estão achando que todo mundo que vê uma reportagem que “Saiu na Zero” é a Velhinha de Taubaté*!!

    * http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Velhinha_de_Taubat%C3%A9

    • Aldo M. disse:

      Esse tabloide dos Sirotsky é focado principalmente na venda de automóveis. Todas as “reportagens” sobre esta questão acabam sendo uma extensão dos anúncios. Na lógica do lucro máximo que rege as empresas, não há espaço para considerações filosóficas e humanistas, pelo menos não antes de se atingirem suas metas financeiras. Felizmente, há também tabloides de outros grupos, cujo foco não é o automóvel, onde as matérias envolvendo o assunto são bem mais “normais”.

  7. Tulio disse:

    Amigos, há uma guerra… e guerras se travam com armas…o problema é que as nossas armas têm muito pouco ou nenhum efeito sobre os nosso inimigo.

    O nosso inimigo não é o próximo, não é o sujeito dentro de um automóvel de 200 mil…

    O nosso inimigo é um só, é o governo!! Seja a escala que for – federal, estadual, municipal.

    Os governos são culpados, na medida que permitem o estabelecimento de uma relação de NÃO cidadania entre as pessoas.

    E, hoje, as cidades são dominadas por este tipo perverso de relação…As pessoas não são CIDADÃS!!! É simples assim!!

    Ser cidadão, na minha modesta opinião, é saber USAR A CIDADE, no sentido de que nós não podemos abusar dos seus recursos, sejam os naturais, sejam os construídos, sejam os humanos; não podemos prostituir a cidade – como fazem os políticos e a construção civil. Não podemos abusar das ruas e avenidas, tomando o espaço com (somente!!!) os nossos veículos; não devemos vandalizar e destruir o que é de todos!!! Não devemos ofender os nossos concidadãos…

    E, como disse acima, os governos tem se superado em estabelecer as condições ideais para que ocorram as situações inversas à cidadania, em favor de alguns e outros, mas raramente em favor de TODOS!!

    Nesatas próximas eleições,demonstre a sua indignação, não apenas deixandode votar nos maus políticos, mas afirtmando abertamente QUEM são eles. Temos em mãos a arma mais potente dos últimos tempo – a internete. Vamos usá-la!!!!

    Abraços

  8. Felipe Koch disse:

    Só complementando: o que se prioriza não é o fluxo de automóveis e, sim, a “ilusão da velocidade” pois o gargalo natural dos veículos são as sinaleiras. Explico:

    Qualquer um que ande de bicicleta neste trânsito sabe que a situação de vc ser ultrapassado pelo mesmo veículo várias vezes no meio das quadras e depois ultrapassá-lo também várias vezes no congestionamento das sinaleiras prova empiricamente que a velocidade média de ambos os veículos é muito próxima.
    Qualquer motorista prudente que já dirija em velocidade inferior às máximas permitidas ou simplesmente dentro das máximas também vê que está sempre alcançando estes ganhadores do “Grand Prix da Espera na Próxima Sinaleira”.

    O que ocorre é simplesmente um jogo bizarro e demagógico do poder público de garantir que os automotores cheguem a velocidades elevadas (e as vezes elevadíssimas) sem absolutamente nenhum propósito prático a não ser ter a falsa sensação de poder e velocidade já alimentada pela publicidade infantilizadora e facista ( no fundo a mesma coisa ) da indústria automobilística.
    Ou para não chatear os motoristas com diminuições de velocidade e maior numero de paradas no seu trajeto.
    Ou seja, para que as pessoas possam dirigir sem prestar atenção ao trânsito e as outras pessoas.

    A conivência ou descaso criminoso das “autoridades” municipais com a dizimação da população através das mortes ( chamadas de “fatalidades”) no trânsito por motivo totalmente fútil é extremamente explícita.
    E deve motivar um movimento contrário da população à esta situação.

    • Felipe Koch disse:

      Quando digo elevada velocidade quero dizer elevada velocidade final, pois a velocidade média dos carros em certos trajetos e horários é inferior ao das bicicletas e mesmo ao dos pedestres.

    • Klaus disse:

      Muito legal Felipe! 😀

    • Aldo M. disse:

      Nem fatalidades, nem mortes: assassinatos. Sempre são assassinatos. O assassino pode ser o motorista, a autoridade de trânsito, o político, o fabricante de automóveis, etc. Na verdade, são todos eles que, como em outros casos de crime organizado, se protegem uns aos outros.

  9. Fernando disse:

    E se as sinaleiras de pedestres ficassem sempre abertas para os pedestres e tivessem que ser acionadas pelos motoristas para ficar verde para eles?…..eheheheh

  10. Fernando disse:

    Funcionar os botões funcionam, porém com vantagem para os automóveis. Está sempre aberta para eles e quando um coitado de um pedestre quer atravessar deve este ter um bom punhado de paciência para esperar a sua chance. O pensamento é o seguinte: quando se está dentro de um carro o seu tempo ganha mais valor que quando se está a pé ou de bicicleta, assim, todos devem dar preferência para o automóvel já que os demais estariam gastando um tempo que não é tão valioso quanto o ocupante do veículo. Eu julgo que o valor do meu tempo é igual qualquer que seja o modal de transporte que eu esteja usando, no entanto não é o que parece ser!

  11. Melissa disse:

    Marcelo, parabéns pelo post. Temos que divulgar cada vez mais esses conteúdos. Vamos passar isso pra EPTC (não que adiante alguma coisa, mas não custa nem um minuto), e reclamar dessa reportagem infeliz publicada na Zero Hora.

    Esse é o e-mail da jornalista: roberta.schuler@diariogaucho.com.br

  12. airesbecker disse:

    Morto atropelado não vota!!

    É absurdo mas parece que é isto pensam os nossos politicos.
    Na verdade além da questão do voto tem a questão do interesse próprio, como os politicos e dirigentes públicos andam de carro eles organizam o trânsito como para eles próprios aproveitarem.

    Mas existe também um viés de dominação cultural e social, pois os usuários de veículos individuais são minoria e mesmo assim há um completo domínio do imaginário coletivo.

    Os pedestres e os usuários do transporte público são conformados e inconscientes.
    Parece que a bicicleta é que dá o mínimo de consciencia social para o usuário.

    • Aldo M. disse:

      Lembrando que, para os idosos (mais de 70 anos), o voto é facultativo. Ou seja, a maioria acaba não votando. Resultado: nenhum atropelado morto vota e poucos atropelados vivos votam. Então, é natural que muitos políticos irão preferir apostar em outras faixas etárias. Deve ser por isso que todos esses atropelados não sensibilizam alguns políticos preocupados com a reeleição tanto quanto tirar 30cm das pistas para automóveis,

  13. PinhaFixa disse:

    Olha povo… eu ando no transito diariamente e vejo um monte de pedestre que nem mosca tonta fazendo idiotices no transito… Não que a EPTC não seja responsável, claro que sim, se pedestre faz cacaca a culpa é de falta de informação e educação. A responsabilidade é de quem? Mas eu acho que o que mais provoca acidentes ainda é a falta de paciência e o imediatismo de querer tudo pra já… As pessoas andam apressadas não só de carro, mas a pé também, a volta do mercado publico é o pesadelo de qualquer motorista, assim como os carros, os pedestres são insuportavelmente impacientes. Ninguém espera na calçada a sinaleira fechar, eles ficam aos bolos na beira da rua. Quando venho de carro eu tenho de cuidar para não esbarrar em um apressadinho tentando atravessar a rua inconsequentemente, mesmo a pé eu já fiquei ali observando as pessoas, eu jamais ficaria naquela posição esperando que um ônibus passasse por cima do meu pé. Muitos pedestres eu flagro atravessando a rua sem olhar para os lados, e de cabeça baixa, nem aí para o que está em volta… quando eu atravesso uma rua eu presto muita atenção ao que está à minha volta e ensino isso às minhas filhotas. Enfim, matéria infame e comentário esperado de um sujeito como o Capellari, mas que a educação e a cortesia tá faltando de todos os lados… ah, isso tá.

    • artur elias disse:

      Concordo totalmente e é por isso que evito distinguir pessoas conforme o veículo (ou ausência de) que elas estão utilizando a cada momento.

      Pessoas são pessoas, e os melhores e piores instintos se manifestam de uma maneira ou de outra.

      A matéria no clicrbs é nojenta porque tenta responsabilizar direta e exclusivamente as vítimas de atropelamentos – que são os pedestres.

      Por outro lado, a EPTC não é de maneira nenhuma a única responsável, talvez seja apenas o último (porém mais visível e identificável) elo de uma longa cadeia de instituições públicas que não estão fazendo sua parte.

      Finalmente, o indivíduo é responsável. Neste sentido, atravessar uma rua de costas para o trânsito, na diagonal, é algo quase tão absurdo (ou pelo menos tão imbecil) quanto trafegar em alta velocidade. Assim como pedalar na contramão e/ou sem sinalização à noite.

      Somos todos apenas pessoas.

      Quando nos damos conta disso, diminuímos a distância e passamos a ter e causar menos problemas.

      • Aldo M. disse:

        Há muito tempo atrás, numa tremenda bobeira, eu atravessei a Alberto Bins, sob o viaduto da Conceição, e esqueci de olhar para o outro lado, de onde vinha um ônibus a mil no corredor no contra-fluxo dos carros. Foi uma roleta-russa e só não fui atropelado e certamente morto por uma fração de segundo.
        Aquele corredor de ônibus fez inúmeras vítimas. Praticamente todos os dias alguém era atropelado ali, tanto que acabou sendo abolido.
        Eu quero dizer que o trânsito não pode ser impiedoso com o pedestre, que tem o direito sim de fazer suas bobeiras sem ser condenado à morte e executado de forma sumária, como acontece hoje. ISTO sim tem que acabar, parafraseando aquele jornaleco das reportagens nojentas

    • Felipe Koch disse:

      Na volta do Mercado Público não deveria nem ser possível andar de carro, como em boa parte do Centro. É um enorme fluxo de pessoas e, nesse caso, deve ser priorizado o pedestre.
      Na verdade o pedestre deve ser priorizado em qualquer situação e os veículos automotores individuais devem ser os últimos em qualquer prioridade de circulação nas cidades.
      Para mim não importa muito se o pedestre está fazendo algo errado, eu enquanto motorista que tem uma concessão do estado para utilizar uma máquina com grande potencial de dano às pessoas desprotegidas devo simplesmente me conformar com a prioridade às pessoas enquanto concorrentes do muito concorrido espaço urbano.
      Simples assim.

      • Felipe Koch disse:

        Não há espaço nas calçadas?
        Que os pedestres tomem as ruas e os motoristas que se acostumem, se adaptem e sejam rigorosamente punidos em caso contrário.
        Todos nascem pedestres, alguns tem licença especial para dirigir e isso deve ser rigorosamente regulado, educado, fiscalizado e punido.
        Ser motorista não é um direito constitucional, é um privilégio.
        Ir e vir é um direito constitucional, e a maneira fisiológica humanamente básica e acessível e quase todos é caminhar ( ainda que muitos tenham esquecido como fazer ).
        Direitos valem mais do que privilégios.
        Simples assim.

      • Marcelo disse:

        O que o Felipe disse é respaldado pelo Código de Trânsito Brasileiro que obriga os carros a pararem se houver pedestre na via e esperarem até que ele termine a travessia com segurança havendo ou não faixa de segurança.

      • Felipe Koch disse:

        Desculpa PinhaFixa mas como uma pessoa que utiliza de 8 a quase 20 vezes mais espaço público = coletivo = de todos para deslocar-se no espaço urbano pode achar-se no direito de reclamar de quem utiliza apenas o espaço do seu corpo?
        Sendo que o pedestre tem potencial de dano ao próximo quase nulo em seu deslocamento enquanto que os veículos automotores são uma das principais (e totalmente fora do controle) causas de mortes no país.
        Estamos com uma inversão de valores aí que se aproxima da insanidade.

  14. Jeferson disse:

    Gente, mas o que o Marcelo escreveu a respeito da média de idade dos atropelados mostra que há uma estrutura que está moendo idosos. É uma cidade inimiga de ser velho. Eu repito: numa situação totalitária, todos são culpados o tempo inteiro, sem nem saber direito porque se é culpado e do que (no nosso caso, os pedestres são culpados de andar devagar, de andar com pressa, de atravessar a rua etc). Numa situação democrática, as instituições são responsáveis pelo que fazem ou não fazem. Elas devem ser cobradas, responsabilizadas, exigidas, modificadas. Ficar cobrando dos “pedestres” é a coisa mais estúpida a se fazer nessa questão. É regressivo.O trânsito pode ser modificado em poucos meses, desde que a EPTC aja corretamente. O trânsito nunca será modificado caso as instituições não comecem a modificar suas práticas e posições.

  15. Na verdade, nem exatamente da EPTC é a culpa… a culpa é principalmente da Prefeitura… é a Prefeitura que não fiscaliza o que a EPTC faz. No caso da travessia em frente à rodoviária, foi a Prefeitura que interditou a passarela e forçou as pessoas a terem que usar a passagem subterrânea do trensurb. A propósito, não lembro de ver como um cadeirante poderia descer para essa passagem… será que tem daqueles “elevadores de escada”? Um pequeno exemplo, concreto e ilustrativo sobre como há falta de planejamento, ou planejamento propositadamente equivocado, é a esquina da Protásio com a Vicente da Fontoura… antes havia uma faixa de segurança, muito mal cuidada, para fazer a travessia que chegaria na parada de ônibus sentido bairro-centro. A faixa foi ocultada e instaladas aquelas grades para impedir as pessoas de fazerem essa travessia. Agora, a pessoa é obrigada a atravessar 4 vias (cruzar a Vicente de um lado, cruzar a Protásio, cruzar de novo a Vicente e de novo a Protásio para chegar ao corredor de ônibus) e aguardar, portanto, quatro sinaleiras de intervalo extremamente longo para realizar esse feito. Mas não termina aqui… com essa fantástica “obra” viária, simplesmente não há como se atravessar de um lado ao outro da Protásio, de maneira direta, no trecho entre a Vicente e a Lucas! Para fazer isso, em qualquer um dos lados, é preciso dar a volta inteira pelos lados opostos, acarretando aí uns bons 4 ou 5 minutos a mais para um deslocamento real de 20 ou 30 metros. Se tivessem simplesmente reforçado a faixa de segurança, tudo estaria resolvido de maneira mais satisfatória, pois os pedestres não chegam a significar um grande estorvo à circulação de carros ali. E, do jeito que está hoje, os pedestres simplesmente contornam as grades e fazem a travessia exatamente da mesma maneira que sempre fizeram.

  16. Vicente Rubino disse:

    A eptc está instalando mais uma lombada eletrônica, agora na Av. Oscar Pereira, proximo ao hospital Divina Providencia. Se o interesse fosse proteger o cidadão, a prefeitura investiria em arrumar as calcadas dessa Av. que logo adiante simplesmente inexistem! Os pedestres tem que subir a lomba andando no asfalto. E a grana vai para instalar lombadas que só servem para arrecadar multas dos motoristas. Ridículo e vergonhoso

  17. Fernando disse:

    O passeio (calçada) é obrigação do proprietário do lote, porém é mais barata a multa por má conservação que consertar o pavimento do passeio. Então temos aqui este festival de armadilhas para pedestres. Acho que em São Paulo modificaram a lei que regulamenta esta multa e o cenário lá parece estar mudando.

  18. M. Soares disse:

    A avenida Beira Rio que foi recapeada já foi pintada naqueles tracinhos que separam as duas pistas há muito tempo. Mas as faixas de segurança, nenhuma ainda. E isso faz muitas semanas. O pedestre em último lugar.

  19. Klaus disse:

    Vicente, concordo em número e grau pois se a idéia fosse proteger os caminhantes nós teríamos gaúchos deitados, lombadas de verdade daquelas que tem que frear para passar mas não, isso prejudicaria o prazer de dirigir e isso é mais importante que a vida dos cidadãos.

  20. E aí? Vamos fazer alguma coisa???

  21. Magus disse:

    Realmente algo que me incomoda são as faixas de segurança junto de sinaleiras. Quando o sinal está verde, ninguém vai respeitar as faixas de segurança, pois a sinaleira justamente está lá para gerenciar quando carros passam e quando pedestram passam. Então se um pedestre acha que pode confiar numa faixa de segurança logo abaixo de um sinal verde, ao meu ver é um suicida. Não acho que algum motorista deva dar preferência à faixa que fica junto ao sinal verde, tanto moral quanto legalmente.

    Faixas de segurança não-próximas a sinaleiras ok, concordo que são importantes e devem estar bem distribuídas – deve ter uma regra de uma faixa a cada X metros, sem exageros – por todas as ruas, o que pelo que me consta não é o caso.

  22. Henrique disse:

    Porto alegre é uma bosta para quem não anda de carro. Se vai andar de onibus sofre com os atrasos e lotação do “exemplar” transporte coletivo portoalegrense, para não falar que trata o povo como boi tendo que se espremer em catracas. Para quem anda a pé pior, os semáforos não tem tempo para os pedestres, tem que contar com a “compreensão” dos motoristas, por exemplo na perimetral do centro e no cruzamento da praia de belas com a Ipiranga. Nos dois casos você atravessa uma faixa com tranquilidade a outra é um salve-se quem puder, chupa eptc filha da p***.

  23. Ana Miclas disse:

    Sou basicamente motorista, atualmente. Muito pouco ando a pé, infelizmente, e bicicleta não é um veículo que eu me arrisque a utilizar no trânsito. Esses dias estacionei na Assis Brasil para ir do outro lado da avenida, e me apavorei com a distância que tive de percorrer para usar as faixas de segurança, além do labirinto de concreto dos corredores de ônibus e da péssima sinalização. Minha madrinha foi atropelada naquela rua, por um ônibus, e faleceu, então eu sei o risco que é não obedecer a sinalização para pedestres, mas entendo que alguém com muita pressa pode querer se arriscar a fazer alguma aventura por ali…
    Como motorista sofro horrores com os desaforos e buzinadas que escuto cada vez que diminuo a velocidade para que um pedestre atravesse, mesmo na faixa de segurança. Fico tão irritada que tenho vontade de parar o carro, descer e perguntar para o motorista de trás se ele imagina que eu deva passar por cima do cidadão…e estranho essa pressa que as pessoas tem quando estão de carro. Sempre imagino que o conforto de estar sentado e sobre rodas me obrigue a ser gentil com quem está poupando o meu oxigênio e indo a pé, cansado às vezes e também atrasado, às vezes, e podendo chegar a uma velocidade muito menor do que a minha. Vi os gestos desaforados de uma moça no carro atrás do meu, pq eu parei em uma faixa para pedestres em um local com semáforo, o que normalmente não faço se o sinal está verde para os carros, mas nesse caso esperava para atravessar um pai com um filho especial no cangote, um menino de cerca de uns 8, 9 anos e que certamente não pesava pouco.
    O que falta para as pessoas é tentar ser mais gentil, e já que a maioria tem essa dificuldade, falta fiscalização para que ao menos o exigido por lei seja cumprido.

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