Massa Crítica na grande imprensa

Mais uma vez a Massa Crítica faz manchete na imprensa local. Desta vez o Correio do
Povo fez uma matéria sobre a suposta preocupação da EPTC com as atividades do “Movimento Massa Crítica”.

Vou colar a notícia aqui e comentar o que acho que merece ser comentado, em itálico.

De olho nas bicicletas

Atividades do Movimento Massa Crítica despertam preocupação na EPTC

Prefeitura não é comunicada das pedaladas das sextas-feiras e com isso não pode acompanhar manifestações<br /><b>Crédito: </b> VINÍCIUS RORATTO
Prefeitura não é comunicada das pedaladas das sextas-feiras e com isso não pode acompanhar manifestações
Crédito: VINÍCIUS RORATTO

Bom, na legenda já começam os problemas. O jornal afirma que a prefeitura não é comunicada das pedaladas das sextas-feiras. Isto não é verdade, embora a Massa Crítica não possua representantes por ser completamente horizontal, sei de participantes dela que foram à EPTC no primeiro semestre desse ano e protocolaram um documento avisando que a Massa Crítica acontece toda última sexta-feira do mês. Se ela não pode acompanhar as manifestações é por questões meramente técnico/burocráticas e não porque não foram avisados ou não têm conhecimento do evento.

O Movimento Massa Crítica, organizador do passeio ciclístico que se realiza sempre na última sexta-feira do mês, na Capital, vem preocupando os órgãos de trânsito da cidade. O motivo é que o passeio reúne uma média de 300 a 500 ciclistas que saem pelas ruas da Capital causando lentidão no trânsito e colocando em risco a segurança dos próprios ciclistas.

Mais uma desinformação por parte do Correio do Povo: o Movimento Massa Crítica não é o organizador do passeio ciclístico, Massa Crítica é o nome do evento, que é organizado por indivíduos comuns sem ligação com qualquer tipo de organização.

No início do ano, um acidente envolvendo o grupo e um motorista resultou no atropelamento de, pelo menos, dez pessoas, no bairro Cidade Baixa.

Acidente? ACIDENTE? Alguém que viu os vídeos registrados no ato ainda acredita que aquilo foi ACIDENTE?

“Estamos preocupados com a atitude de alguns integrantes do movimento, pela agressividade no trato com os motoristas”, salientou o diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari.

É difícil analisar o que o Cappellari disse pela matéria, pois sabe-se lá o que ele disse que foi cortado e não foi publicado. Mas eu espero que eles estejam ainda mais preocupados com a agressividade de grande parte dos motoristas, pois também existem motoristas agressivos, só que estes por sua vez estão armados com um veículo capaz de matar. Mas o que é agressividade? O máximo de agressividade que eu vi durante as Massa Críticas foram bate-bocas, tanto por parte de motoristas quanto de alguns ciclistas. Tenho que ressaltar que a absoluta maioria das pessoas que participam da Massa Crítica são de índole pacífica e que se existem pessoas “agressivas” (falando só em termos de agressividade do bate-boca) são uma minoria, tanto que um dos lemas cantados durante as pedaladas é “Mais amor, menos motor“. Além do mais o próprio grupo tende a se policiar, pessoas mais calmas geralmente vão apaziguar os ânimos quando duas pessoas estão discutindo, tanto que até hoje nunca houve um confronto físico entre algum participante da Massa Crítica mais esquentado e um motorista estressado.

Segundo ele, imagens gravadas pelas câmeras da empresa com registros dessa movimentação dos ciclistas foram encaminhadas ao Ministério Público. Além dos registros de problemas, a EPTC também está insatisfeita com a falta de comunicação do grupo sobre os eventos à empresa. Cappellari disse que essa postura prejudica o acompanhamento dos agentes da EPTC.

Já comentei um pouco sobre isso lá em cima. A EPTC já foi avisada e sabe quando e onde o evento acontece, se não manda acompanhamento é por questões meramente burocráticas.

“Não somos contra o movimento, somos a favor da bicicleta como modal de transporte, mas por se tratar de uma manifestação, o acompanhamento deve ser feito”, destacou. A legislação, segundo Cappellari, proíbe o bloqueio do trânsito e isso vem acontecendo com o passeio ciclístico.

Sim, é normal na Massa Crítica o bloqueio temporário do trânsito enquanto passa nos cruzamentos para garantir a segurança e coesão do grupo. Vale a pena ressaltar que nas vezes em que a EPTC acompanhou a Massa Crítica, os cruzamentos ficaram trancados por mais tempo que o de costume, pois eram trancados muito antes do grupo chegar lá.

“Nossa intenção é evitar desentendimentos e ações mais graves envolvendo todas as partes.”

Muito justo e apoiado.

A Massa Crítica é uma celebração da bicicleta como meio de transporte, dizem os participantes das pedaladas. Olavo Ludwig e João Carneiro são adeptos do movimento e sempre que podem se unem ao grupo, que se concentra no Largo da Epatur. Para Ludwig, pedalar é uma celebração para quebrar a monotonia e a agressividade do trânsito.

O movimento é organizado de forma horizontal, não tem representantes nem líderes, garante quem participa. Cada um é livre para levar a manifestação ou a reivindicação que quiser.

Leiam a matéria na versão original clicando aqui.

Anúncios
Esse post foi publicado em Sem categoria e marcado , , . Guardar link permanente.

22 respostas para Massa Crítica na grande imprensa

  1. heltonbiker disse:

    Se a EPTC está preocupada com a segurança de ciclistas, deveria se preocupar durante as 717 horas do mês em que não ocorre Massa Crítica.

    Nessas sim, pedalar pode ser muito perigoso.

    Por sua vez, dirigir é perigoso sempre.

  2. Fernando Filho disse:

    Com o Ministério Público e o Judiciário no meio, não duvido que a próxima MC seja impedida de se realizar, com argumento de que estão sendo obstruídas as ruas e que não foi avisado o trajeto.

    • Naldinho disse:

      Vão impedir como? Terão que chegar com caminhões e ônibus para apreender bicicletas e prender ciclistas. Como não tem organizador, terão que prender todos para que a MC não aconteça.

      • Fernando Filho disse:

        O próprio Valter Nagelstein já deu a dica: com cassetete e gás lacrimogêneo. É assim que eles fazem com os “desqualificados”.

  3. gusmoojen disse:

    Penso que os “eptcbikers” e os “brigadabikers” deveriam participar, numa demonstração de apoio ao veículo e inclusão de uma sociedade mais homogênia. Vale lembrar que se é aberto, até mesmo os skinhead podem participar, o que não me pareceria nada bom. Bom despertar a todos!

  4. airesbecker disse:

    Esta discussão já passou por aqui, se seria conveniente ou não avisar a EPTC e pedir o acompanhamento.
    Eu sempre fui a favor.
    Mas tem muita gente contra.
    Na MC de outubro teve um veícula da Brigada Militar que acompanhou atrás sem perturbar e dava grande segurança ao grupo no meu entendimento, pois ninguem está livre de um ato transloucado, e acho que a policia sim inibe.
    A vez em que a EPTC acompanhou foi feita de boba com uma volta do tipo gambeta que driblou os azuizinhos e deixou eles sozinhos.
    Tem gente que faz questão de que se mantenha a aura de ilegalidade e transgressão no movimento.
    Isto que no meu entendimento acho que vivemos em um regime democrático, não entendo necessário.

    Outra questão é esta concepção de movimento desorganizado e horizontal:
    “Mais uma desinformação por parte do Correio do Povo: o Movimento Massa Crítica não é o organizador do passeio ciclístico, Massa Crítica é o nome do evento, que é organizado por indivíduos comuns sem ligação com qualquer tipo de organização.”
    O fato de ser informal não quer dizer que não exista, o movimento massa crítica sim existe de fato e se organiza ainda que empiricamente com continuidade e frequência.
    Esta questão de negar a existencia é uma questão meramente semântica.

    Por isto não adianta a repetição permanente se não é o que é percebido pela sociedade.
    Não adianta reclamar que os reporteres são desinformados ou tendenciosos, eles usam a linguagem e o entendimento do senso comum.

    Aqui mesmo, outra vez no tópico da tartaruga que eu postei, o Klaus bem se referiu que uma comunicação só se completa com a interpretação do receptor.

    Se não queremos ser cegos, surdos e mudos, como os três macaquinhos, temos que acolher e interpretar estes retornos que estamos recebendo, não podemos simplesmente negar a existência dos outros e de suas convicções e ficarmos repetindo para nós mesmos monologos exclusivos.

    Cada ação cria uma reação e se queremos ter resultados diferentes não podemos repetir sempre os mesmos atos.

    Eu sou a favor do reconhecimento das instituições públicas sou a favor do reconhecimento da importância da imprensa sou a favor da comunicação e da existência do massa critica como movimento, com organização objetivos coletivos comuns definidos e ação conjunta em continuidade e frequência.
    Acho que foi uma perda a ruptura com os contatos que já tivemos no setor público.

    • sergiok disse:

      Oi Aires.
      Eu acho que adianta sim expor quando os jornalistas são desinformados ou tendenciosos, eles deveriam ser mais responsáveis e cuidadosos. Cobrar deles isso é justamente reconhecer a importância da imprensa e a influência que ela tem sobre as pessoas.

      Ninguém está negando que a Massa Crítica é um movimento. É um movimento mundial, mas não é um movimento que organiza um passeio. O movimento é o evento.
      Eu acho boa a idéia de criar uma organização, com objetivos definidos e tudo mais. Mas isso não é a Massa Crítica.

    • Felipe Koch disse:

      Aires, os agentes da EPTC que foram “volteados” estavam tentando guiar um movimento que é espontâneo, a Massa simplesmente resolveu tomar outro caminho. Eles poderiam ter seguido atrás se quisessem, fazendo o bloqueio “rolha” como sempre é feito.
      Entender o movimento ao invés de tentar dominá-lo é a solução para que a EPTC possa dar a efetiva proteção para o deslocamento dos ciclistas.
      Eles devem ir de bicicleta, em número que julgarem suficiente para poder proteger as ruas laterais e a traseira da Massa, uma vez que ela nunca cruza um sinal vermelho em sua dianteira.
      Simples assim.

      Quanto ao “dialogo” com o setor público, estava mais para monólogo do tipo “é o que temos para oferecer, se quiserem”. E o que ofereceram foram migalhas e soluções inseguras. Claro que com toda a astúcia de papo-mole usada por políticos profissionais.

    • Aldo M. disse:

      A Prefeitura foi quem deu as costas para nós que estávamos participando ativamente junto a ela para ajudar na implantação do plano cicloviário. A preocupação dessa administração agora parecer ser apenas com o financiamento da sua campanha eleitoral no ano que vem, e não temos o melhor osso para ficarem abanando o rabo para nós.

  5. Felipe Koch disse:

    A Prefeitura e a EPTC simplesmente não sabe o que fazer com um movimento que cresce a cada edição e que critica, sim, a maneira como elas tratam a questão cicloviária na cidade.

    Eu vou lembrar aqui, SEMPRE que essa prefeitura não tem nanhuma moral para se pronunciar sobre o assunto uma vez que DESRESPEITA OSTENSIVAMENTE a máxima lei municipal na questão cicloviária, a saber O PLANO DIRETOR CICLOVIÁRIO de 2009, assinado por esta mesma gestão.
    Eu digo ostensivamente porque em reunião com os cidadãos a Prefeitura e EPTC ousaram dizer que desconhecem a lei e Cézar Bussatto desdenhou afirmando: “lei tem várias”.

    Usar de repressão, mesmo ideológica, é o caminho errado para a questão do aumento da circulação de bicicletas, que é irreversível.
    Se a EPTC e a Prefeitura estão preocudados com a Massa elas deveria cuidar das causas: segurança do ciclista em meio ao trânsito, multando os motoristas infratores, usar o dinheiro que a lei garante para a construção de ciclovias, ciclofaixas, campanhas educativas e educação para o trânsito.

    A EPTC deveria se preocupar, também, com o bloqueio diário de todos os cruzamentos da cidade por motoristas infratores, que muitas vezes excedem o tempo do bloqueio temporário da Massa.
    E se preocupar com a lentidão causada o dia inteiro por veículos automotores, restringindo o acesso destes aos bairros centrais e promovendo o uso de transportes públicos e alternativos.

    Mas, quando o assunto é protestos e bicicletas (ou simplesmente o novo) sempre dá um nó na percepção de quem ainda está inerte.

    Vergonha dessa Prefeitura e dessa matéria tendenciosa, ou no mínimo, tacanha.

    Abraços.

    • Felipe Koch disse:

      Acionar o MP mostra o despreparo, ignorância e má-fé da EPTC para lidar com o jogo democrático.

      • Aldo M. disse:

        Os ciclistas e pedestres é que devem acionar o Ministério Público contra a Prefeitura, que não possui Plano de Mobilidade Integrado para os diversos modais de transporte e cujo Conselho Municipal dos Transporte reconhece e pauta apenas modais motorizados.

      • Marcelo disse:

        Além disso a prefeitura não fiscaliza e nem põe em prática as leis que protegem o pedestre e o ciclista.

  6. Jeferson disse:

    Mas que materiazinha, hein. Bem esquemática.Chega a ser ridícula. Mas dá pra perceber várias coisas nela: o jornalista cumpriu pauta. Isto é, procurou a EPTC sabendo o que queria que eles dissessem. Logo, o “Correio do Povo” vai provavelmente começar uma espécie de campanha contra a Massa. Esperem pra ver.

  7. O Correio do Povo não é o único jornal impresso de Porto Alegre. Mesmo reproduzindo a visão do senso comum, Zero Hora publicou no site uma matéria pequena sobre a ghost bike e mostrando a massa crítica de uma maneira natural e despreocupada. O jornal Metro fez o mesmo (e oficialmente já me disseram que sua linha editorial é a favor dos transportes sustentáveis e isso é realmente verdade: em SP o Metro se mostra bem isento e ético ao tratar da bicicleta e do cicloativismo). Ou seja, são dois veículos contra um. Que tal sensibilizarmos os demais veículos de POA não ligados à Universal?

  8. Larry disse:

    Se eles estão tão preocupados com o descumprimento da lei, porque descumprem até hoje o Plano Diretor Cicloviário, LEI COMPLEMENTAR N.º 626, DE 15 DE JULHO DE 2009, assinada pelo José Fogaça!!!

    Na boa, as “autoridades” q parecem “preocupadas”, não estão com moral nenhuma para vir falar em lei. A MC só é vista como um protesto porque há décadas que as “autoridades do trânsito” desprezam os outros modais. Se POA fosse mais ciclável e mais humana, não haveria tanta confusão, só pq tem 500 ciclistas levando 5 min para atravessar uma avenida. A MC é inusitada e completamente atípica para muitos, causa estranheza, mas qualquer um que pare para pensar, vai ver que não é esse caos todo que alardeiam.

    O importante é trazermos a luz, cada mais, o verdadeiro espírito do evento.

    • Felipe Koch disse:

      Deve ser pq o movimento cresce a cada edição e a prefeitura, inerte e desrespeitadora da lei do Plano Diretor Cicloviário, tá com medo do ano de eleição que desponta.

  9. Aldo M. disse:

    Nenhuma das ruas por onde passou a Massa Crítica tem ciclovia ou ciclofaixa (aliás, quase nenhuma nenhuma rua de Porto Alegre tem, e todos sabem por que). A EPTC está morrendo pela boca ao criticar que há centenas de ciclistas ocupando a rua e “bloqueando o trânsito”

  10. Miague disse:

    Não me apavora nem um pouco a postura da mídia a respeito. Também pouco me apavora a postura da prefeitura. É tudo um jogo de votos e vendas. Vender jornal. Não perder votos. Não perder audiência.
    O que me deixa bem indignado é a postura da EPTC, que tem demonstrado grande incompetência no sentido de propor qualquer mudança a esse sistema. Logo, me faz acreditar que toda conversa que dispensamos com esse órgão foi em vão.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s