A Ciclofaixa de Moema

Ando acompanhando o que está acontecendo com a ciclofaixa de Moema, mesmo sendo lá em São Paulo, porque que eu saiba é a primeira iniciativa no Brasil de uma ciclofaixa em uma metrópole (não confundam com ciclovia). Esse caso está apresentando lições para quando implantarmos a primeira aqui em Porto Alegre. Achei esse texto escrito por um engenheiro civil em que ele adverte os poréns da implantação da ciclofaixa que podem prejudicá-la. Quando a for a vez dos porto-alegrenses de ter uma, não deixemos que ocorram os mesmo erros:

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A ciclofaixa de Moema é uma ótima iniciativa que pode ser prejudicada pela forma de implantação.

A ciclofaixa funciona em um binário constituído pelas ruas Rouxinol e Pavão, entre a alameda dos Anapurus e a rua Araguari.

As duas avenidas têm mão única de direção. A Rouxinol corre no sentido Santo Amaro –Anapurus e a Pavão no sentido inverso. A ciclofaixa delimitada tem formato de um grampo.

É a primeira ciclofaixa permanente em ruas da cidade. Não a confundir com as ciclovias já existentes: a do Rio Pinheiros e a Caminhos Verdes, junto à linha do metrô, na Radial Leste. A ciclofaixa é uma área pintada no leito carroçável sem segregação física. A ciclovia possui segregação que não permite a ocupação por parte dos carros.

Sendo uma ideia pioneira, enfrenta a dificuldade da mudança de hábito. As pessoas não estão acostumadas e os incomodados se manifestam de imediato, enquanto os beneficiados se apropriam do sistema gradualmente.

No início, os problemas repercutem mais do que as vantagens. Exatamente por isso, não se deve adicionar outras novidades que dificultem ainda mais a absorção do novo equipamento.

A CET foi corajosa ao implantar a ciclofaixa. A bicicleta é uma alternativa que a maior parte das grandes cidades está adotando. Aqui há uma resistência grande devido ao desconhecimento dos benefícios de um novo modal que humaniza a cidade.

A Zona Azul ao lado da ciclovia causou confusão. Primeiro, o carro confunde o motorista que tinha feito conversão...

A CET equivocou-se ao implementar simultaneamente um modelo de zona azul em que as vagas ficam soltas no meio da rua, entre a ciclovia que está à esquerda do leito carroçável e a guia do lado oposto, direito. Os carros estacionados ficam literalmente no meio da rua.

Pior, há quarteirões onde não existem vagas demarcadas e, na sequência, outros que possuem as tais vagas. Os carros circulam paralelamente à ciclofaixa e logo depois têm que desviar da zona azul no quarteirão seguinte, logo depois da faixa de pedestre.

....e depois, outro motorista que vinha pela rua.

Vi carros quase se colidirem e outros aguardando, como se houvesse uma fila. E, em plena segunda-feira, primeiro dia útil de implantação, ninguém da CET dando apoio e orientação. A CET deveria ter feito e se aprofundado mais na explicação sobre a ciclovia para os moradores e comerciantes.

Estive também com pessoas que são totalmente a favor da ciclovia, desde que haja racionalidade e presença da CET no período de adaptação. Porém, sobretudo, a CET deveria ter feito a implantação sem essa novidade de “Zona Azul no meio da rua”, que existe em outros países, mas que estão acostumados com ciclovias há anos.

Não se começa algo com tantas novidades juntas.

A ciclovia não tem sequência. Está solta no meio do bairro. É o preço do pioneirismo. O certo seria que as ciclovias saíssem de terminais de metrô e ônibus e levassem a outros pontos relevantes, criando a lógica do deslocamento.

Isso virá com o tempo. Pagamos o preço de começar tarde, como com o metrô, que só rodou na cidade em 1974, enquanto outras metrópoles já o tinham no início do século.

Contudo, sempre é melhor começar. Não se podem tirar conclusões nos primeiros dias. É o cúmulo da precipitação. Nunca se fez. Não haverá adaptação em apenas três dias.

A ciclofaixa é o início de algo maior, que é ter uma infraestrutura cicloviária em toda a cidade. Um sistema com ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas. Só que a iniciativa não pode correr o risco de ser queimada por conta de uma má implantação.

A CET admite corrigir. O período de experiência é para isso. Vamos torcer para dar certo. A bicicleta é uma solução.

Texto: José Luiz Portella (Folha)

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5 respostas para A Ciclofaixa de Moema

  1. Um outra possibilidade é que foi feito desse jeito de propósito! Justamente para que não funciona. Daqui a pouco começa a se argumentar que não deu certo e abandonam isso. Depois vem as criticas de volta, não tem ciclovia. E aí a resposta é tentamos mas não deu certo.

    Moral da história é muito fácil fazer mal… Tomará que a intenção não é essa!

    Emmanuel M. Favre-Nicolin
    Blog Vitória Sustentável
    http://vitoria-sustentavel.blogspot.com

  2. Naldinho disse:

    Oi Melissa,
    tem uma ciclofaixa muito boa aqui no Rio e é bem sinalizada. Cheguei a pedalar por ela, é muito bom. Nos cruzamentos rola aquele sinal de ‘pare’, tanto para os ciclistas quanto para os motoristas.

    http://www.nossobairro.net/index.php/noticias/ler/271

  3. Aldo M. disse:

    Achei muito importante essa ciclofaixa porque ela aponta na direção certa: Foi feita onde havia necessidade; a velocidade dos carros foi limitada em 40km/h; está bem sinalizada; o pavimento foi regularizado; a largura é aceitável; aumentou a fluidez para o trânsito das bicicletas; reduziu a fluidez do trânsito de veículos motorizados; reduziu algumas vagas de estacionamento (pelo que entendi); não reduziu o espaço dos pedestres; reduziu a distância de travessia para os pedestres em muitos locais; aumentou a segurança dos ciclistas e deverá incentivar mais pessoas a trocarem o carro pela bicicleta.

    Existem diversos problemas que podem ser corrigidos e outros que servirão de esperiência para que sejam evitados nas próximas ciclofaixas. Há tammbém problemas inevitáveis que decorrem simplesmente da mudança, uma grande mudança por sinal, e que irão desaparecer quando as pessoas se habituarem a ela.

    O mais crítico agora é a continuidade do processo para que esta ciclofaixa faça parte de uma rede clcloviária, senão sua utilidade será praticamente nula, podendo por causa disto virar alvo dos opositores.

    Fico feliz porque esta ciclofaixa quebrou muitos tabus. Espero que sirva de exemplo para muitas outras cidades, inclusive a nossa Porto Alegre. Cidade que ficou tristemente famosa, no mundo todo, pelo grotesco atentado aos ciclistas da Massa Crítica e que mesmo assim continua apostando no automóvel e sabotando a implantação de seu Plano Cicloviário.

  4. roberto baban disse:

    Boa tarde, sou aqui de Curtiiba eu parei de pedalar a uns 5 anos…por motivo de falta de respeito de motoristas imprudentes. Nunca sofri acidente mas já passei maus bocados…ter muito reflexos pra sair delas. Na minha opinão não teria tanta nescidades de faixa pra ciclista ou para bicicletas em geral, mas que os motorista que respeitem eu que logo quero voltar a pedalar e tantos outros…que possa nos ajudar ter um equilibrio no transito. Se isso um dia acontecer tudo vai ficar mais facil e as pessoas ficar mais felizes. E outra coisa não criar associação de ciclista porque ai já vira politica mas formar comunidade de ciclista de bairros…eu acho asim seria melhor…obrigado de quem leu essa mensagem…

  5. Pingback: Midiaeducação – Sobre bicicletas e salto alto

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