Estréia da ciclofaixa de Moema (SP)

Nesse sábado, o bairro Moema, de São Paulo/SP, ganhou uma ciclofaixa permanente de 3,3 km. Ela tem cerca de um metro de largura e é feita de tinta e sonorizadores na lateral.

Apesar de ser bem sinalizada, carros estacionam sobre ela e motos a utilizam. Alguns motoristas sabiam da novidade e estacionaram no local correto. Uma motorista que estacionou o carro na ciclofaixa disse que achava que funcionaria só aos domingos, assim como outras ciclofaixas de São Paulo. Em duas semanas, o CET fiscalizará quem desrespeitar as novas regras. Também anunciou que a ciclofaixa está em fase de testes, e que fará uma análise geral para decidir se será mantida ou removida.

Alguns moradores e comerciantes não gostaram da novidade e alegam que o comércio da região está sendo afetado pela ciclofaixa. A prefeitura diz que está se baseando em experiências bem-sucedidas de outros países.

Vergonha alheia: uma comerciante que se identificou como Carol Maluf cobriu as placas de sua camionete com sacos plásticos e estacionou o carro sobre a ciclofaixa propositalmente. Ela fez um abaixo-assinado para a remoção da ciclofaixa e discutiu com um fiscal da CET.

Opinião: Essa confusão inicial é previsível e aconteceu em todos os países que experimentaram vias para ciclistas e hoje se beneficiam com um trânsito exemplar. No início pode ser difícil, mas os resultados surpreendem os céticos com a superação do trânsito carrocentrista. Um bom exemplo latino-americano:

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22 respostas para Estréia da ciclofaixa de Moema (SP)

  1. Melissa disse:

    “AONDE EU VOU BOTAR MINHAS CLIENTES QUE SÃO MILIONÁRIAS QUE ANDAM DE CARRO IMPORTADO?! VOCÊ ACHA QUE MINHAS CLIENTES VÃO ANDAR DE SALTO ALTO, DE BICICLETA?!”

    Hahahahaaha, vejam essa criatura falando por favor:
    http://g1.globo.com/videos/jornal-nacional/t/edicoes/v/pesquisa-analisa-a-mobilidade-em-nove-capitais-do-brasil/1686633/

  2. heltonbiker disse:

    Muy Bien…
    Será que nossas otoridades, ou ao menos as que frequentam assiduamente este blog (sic) têm algo a dizer sobre os conselhos de Peñalosa?
    Enquanto isso, acho que vou desenvolver um modelo de pedal-de-encaixe para quem quer pedalar de salto alto (eu não resisto à ironia…).

    Mas pensando bem, de salto alto é capaz de ficar mais fácil de parar no semáforo…

  3. Felipe Koch disse:

    Incrível como dá para colocar uma ciclofaixa de tamanho razoàvel sem churumelas. Esse é o tamanho mínimo para ciclofaixas, e veja que a avenida tem duas faixas de rodagem e uma de estacionamento.
    Na Loureiro da Silva – POA, que é uma Autobahn que tem até 5 faixas de rodagem a 60 km/h queriam nos dar a sarjeta para pedalar, para não prejudicar o diário desfile fascista.

    • Felipe Koch disse:

      60km/h na teoria, pois por ser uma autopista de velocidade e sem nenhuma fiscalização, radar, barreira física, pardal ou lombada eletrônica é prática diária trafegar a 80km/h ou até 100km/h. Tem sinaleira para pedestre a cada 1km e meio. É uma total vergonha!
      Pista de corrida para bicicletas não e a intenção da prefeitura, mas, e para carros, Wanderlei Cappelari?

    • artur elias disse:

      Ué, essa não entendi, Felipe.

      Segundo a Melissa, a ciclofaixa paulista tem 1 metro apenas. A da Loureiro teria 1,5 metros “brutos” e algo como 1,15 “líquidos” (descontando a tacha e e a faixa branca externa).

      Não vejo no que a versão paulista seria superior a esta da Loureiro que foi obstaculizada por uma parcela dos cicloativistas (que não participou das reuniões específicas). Vejo que a faixa vermelha deles começa a uns 2 palmos do meio-fio; com isso ela provavelmente se equivale à nossa ex-futura ciclofaixa em área útil total.

      Tbém não estou dizendo que o projeto é bom ou ruim. Apenas me surpreende este aplauso para uma obra alhures, igual (ou talvez um pouco pior) do que a que foi visceralmente rejeitada aqui.

      E continuo com a mesma posição: não temos conhecimento nem tradição nessa área. Quando começou o debate sobre a Loureiro, ninguém dentre os cicloativistas sabia exatamente qual é a diferença entre ciclovia e ciclofaixa). É irracional imaginar que Porto Alegre (ou São Paulo, dá no mesmo) vai construir ciclovias/faixas “perfeitas” na primeira tentativa. Nova York não conseguiu, ainda não está conseguindo, estão constantemente revendo projetos e tentando melhorar.

      Mas isso só acontece porque o cicloativismo de lá adotou uma postura pragmática e participativa. Fizeram isso de maneira eficiente; souberam cobrar e propor, souberam aceitar o razoável para exigir o ótimo depois; hoje estão DENTRO dos governos, decidindo como os projetos devem ser, e para onde vão as verbas.

      • Felipe Koch disse:

        Oi Artur, essa faixa não pode ter 1 m. Talvez esteja pintado 1m. Na foto que está no post posterior vemos uma pickup L200 totalmente dentro da ciclofaixa e ainda sobrando a faixa branca externa. Ora, a l200 tem 1,80m de largura. Essa faixa deve ter o total de 2,00m.
        Transponha qualquer veículo estacionado nas outras fotos e você vai ver que eles cabem dentro da ciclofaixa, com folga. A largura média de um veículo é 1,5m.
        Como em um dos cadernos do Plano Nacional de Biciletas (n sei se é o nome correto, são 1:30 da manhã) diz-se que existe uma margem a ser deixada para a sarjeta, se não me engano 0,50m deve ser por isso que não está pintado.
        Ainda assim, esta avenida tem a metade das pistas de rodagem da Loureiro, uma faixa de estacionamento para proteger dos veículos circulantes e a velocidade, provavelmente, deve ser 40km/h.
        Em comparação a ciclo-sarjeta oferecida na Loureiro, com 1,5m totais exposta diretamente à veículos a 60km/h (teoria) essa aí é um luxo em segurança.
        Abraço.

      • Melissa disse:

        Eu escrevi isso porque é o que diziam as notícias, mas note que o que diz é CERCA de um metro. Olhando pelas fotos e vídeos, acho que só a faixa vermelha tem um metro, mas o bom é que a faixa branco de um lado e uma “válvula de escape” do outro.

  4. adilsontsilva disse:

    Os paulistanos estão de parabéns. A estreita ciclofaixa de Moema é barata e cabe em qualquer rua de qualquer cidade. Em alguns locais, será necessário redimensionar a largura das “carrofaixas”, sem comprometer a segurança no trânsito.

    Hoje de manhã, quando estava indo ao trabalho, consegui “visualizar” uma porrada delas, na ruas de minha cidade. Esse projeto tem tudo para dar certo.

  5. airesbecker disse:

    Não achei nada de tão contrário dos ciclistas contra a ciclofaixa da Loureiro da Silva.
    Nunca causamos qualquer contrangimento público para o prefeito ou para ninguem da prefeitura.
    Podemos com toda a dignidade voltar a EPTC ou a qualquer orgão da prefeitura tratar deste assunto.
    O fato de termos opinião não inviabiliza o diálogo, muito pelo contrário o qualifica.
    O fato que é que a prefeitura está trabalhando pela ciclovia da Ipíranga e decidiu deixar o resto para depois.
    Eles sempre deixaram claro que os recursos eram muito limitados.

    Se a ciclofaixa da Loureiro não saiu foi por decisão da prefeitura, que aproveitou algumas críticas para justificar.
    E não quer dizer que não vá sair se nos unirmos e concentrarmos neste sentido.

    Outra coisa já ficou bem clara com episódio do Beto Albuquerque, os meios de comunicação e a opinião pública em participações de discussões foram bem favoráveis a que a ciclovia da Ipiranga fosse construída de qualquer jeito.

    Na verdade onde mais ví críticas a esta ciclovia da Ipiranga foi justamente aqui.

    Na verdade tem todo o tipo de ciclista, tem os que gostam de pular nas calçadas, saltando obstáculos, tem os que gostam de barbarizar no trânsito, talvez nem todos gostem de ciclovias, acho que muitos não vão mesmo se adaptar.

  6. favoviscardi disse:

    Hum… o importante é não perder o objetivo nos detalhes.

    Quanto à ciclovia paulista, deu pra ver que o asfalto ta com bastante irregularidades, talvez seja um bueiro ou deformação ali na foto. Pra minha speed já era uma capotada. Eu mandei uma proposta pra lista de discussão sobre conversarmos de cicloativismo fora das zonas mais centrais e, as vezes, mais burguesas das cidades. Moema é bairro chique em são paulo?

    • Felipe Koch disse:

      Oi Favo, com todo o respeito, speed não é a realidade do trabalhador nem da maioria das ruas do país, assim como não o é Ferraris e demais carros rebaixados.

      • artur elias disse:

        Concordo com o Felipe.

        E há uma boa alternativa para quem realmente prefere a geometria dos quadros de estrada (speed), inclusive para transporte urbano: utilizar pneus mais largos. Aumenta muito o conforto e a praticidade da bicicleta, e até mesmo o número de lugares onde ela pode chegar. Um pneu 28-700 já faz uma baita diferença; se o quadro tiver espaço, vai de 35-700 (ou até 38). Eu não me surpreenderia se a velocidade média aumentasse!, se o ciclista está acostumado a passar em pavimentos defeituosos (quase todos!). Pneu mais largo significa mais contato com o pavimento (irregular) = melhor tração = melhor desempenho.

  7. Claudio disse:

    “asfalto ta com bastante irregularidades” Isso é elogio. Olha esse video: http://www.youtube.com/watch?v=WD1oB_f776I
    É brincadeira, e a parte que tem estacionamento a porta abre em cima da ciclofaixa praticamente sem espaço de fuga. http://www.youtube.com/watch?v=2VfNf2oHcBg&feature=related

  8. artur elias disse:

    Oi Felipe

    Estou me baseando no texto e no único dado disponível.

    Uma foto sempre apresenta algum tipo de distorção ótica que invalida esse tipo de estimativa (especialmente de largura) que você propõe.

    Não sabemos se os automóveis trafegam em velocidades iguais, inferiores ou muito superiores a 60 km/h lá.

    Com todo o respeito que tu mereces, e tuas idéias idem, continuo achando esquisito o aplauso a uma ciclofaixa que é muito semelhante a um projeto local idêntico que foi apedrejado.

    • Felipe Koch disse:

      Se houvesse uma faixa de estacionamento na parte externa da ciclofaixa Loureiro da Silva creio que ninguém se importaria com a largura dada. Tal estacionamento daria segurança de uma faixa em relação a circulação de veículos quando vazia e uma barreira física quando ocupada. Naquele caso era exposição direta à veículos em alta velocidade sem chance de escape.

      Seria um incômodo o estacionamento, assim como deve ser nesta ciclofaixa, pois a abertura da porta faz com que o trafego de bicicletas seja interrompido, mas aumenta a segurança. Exceto pela possibilidade de uma “portada”, que creio ser menos danoso que um atropelamento em alta velocidade.

      Só lembrando, também, que o projeto foi arquivado por 30cm. Esse era o tamanho da briga. Esse foi o ponto mais criticado e não a ciclovia em si.
      Mas era o ponto de segurança, sem ele era que nem andar de carro sem freio: ele parece completo, mas vai te matar no momento crítico.

      Abraço.

  9. Aldo M. disse:

    Tenho convicção que o projeto da ciclofaixa da Loureiro era completamente equivocado, principalmente por causa dos perigosos conflitos entre ciclistas e automóveis em diversos cruzamentos ou acessos.
    A Prefeitura simplesmente pulou fora porque entendeu que perderia a próxima eleição se cedesse mais 30cm dos 14m da avenida para as bicicletas.
    Eu realmente ainda não sei como tratar com um governo municipal com conceitos tão limitados a ponto de ver a bicicleta como um elemento de distúrbio no “trânsito” (que é como chamam os congestionamentos). Só isto explica essa resistência às ciclofaixas, pelo menos como solução transitória à implantação do Plano Cicloviário, e a predileção por ciclovias que suprimem espaço de pedestres.

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