Vá de Bike, volte a pé, heheh

Então, sobre distâncias maiores, de forma nenhuma grandes, distâncias um pouco maiores.

Belo dia da semana passada eu chego em casa depois do ensaio, preparo um daqueles almoços muito lindos de todos os dias e me liga um grande amigo me lembrando de levar a minha bicicleta reclinada para a “Expoacabamento” lá na Fiergs.

Esta foto é só para ilustrar o absoluto contraste entre um carro que não é dos piores mas que comparado a uma bicicleta de bamboo feita em casa acaba deixando a impressão de ser um trambolhão grosseiro e ambos veículos transportam só uma pessoa, um polue um monte e o outro nada, zero, nilch, nothing e ainda espalha sorrisos e risadas por onde passa.

Para explicar onde fica o SESI Fiergs podemos pegar o bairro Rubem Berta como referência. Fica depois, na fronteira com Cachoeirinha.

Mas… Se eu vou até lá de bicicleta e a bicicleta vai ficar exposta até domingo como eu faço para voltar? Ah, ué, caminhando, oras! Obviamente descalço mesmo que como hoje um amigo questionou minha sanidade mental por ter ido na feira orgânica caminhando a pé e descalço junto com o Lolo Lupus Lobo Helmuth que não só foi comigo a pé e descalço mas inclusive pelado e a probabilidade do Lupus pisar em um caco de vidro é duas vezes maior que a minha.

Eu me pergunto: então quem usa um sapato de marca que muito possivelmente foi feito por mão de obra escrava, por vezes infantil e no melhor dos casos por mão de obra mal remunerada ou um sapato feito com a pele de outra pessoa, essa pessoa é legal, essa pessoa é sã? Ter um “carrão” e usar roupas da Nike ou compradas na Zara dão status para as pessoas hoje. Acho que poderíamos rever essa questão de status, para quê mesmo? ou pelo menos rever o que da status para as pessoas.

Bueno, cheguei lá 15kms depois em 35 minutos. Vamô!

Ta, essa foto não tem quase nada a ver com bicicleta a não ser o volante da minha bike mas ali no fundo, vai dizer… pô, muito massa aquele sofá-cama de bamboo, han? heheh

 

Tava tudo uma bagunça ainda…

Fiquei um pouco, encontrei amigos, caminhei pelos outros estandes e voltei:

Foi bom demais! A cidade esta agora repleta de amoras, pitangas, cerejas e ameixinhas e como estava caminhando pude perceber as árvores e colher e comer um pouco destes manjares da natureza.

Depois desta árvore cheia de iguarias percebo um fiscal da EPTC fiscalizando os carros ao lado da moto dele:

Por que raios os fiscais da EPTC os quais eu imagino que deveriam dar o exemplo, por que eles andam de carro e de moto? Eles não tem obrigação de perseguir ninguém e se forem requisitados em outro canto da cidade podem chegar rapidinho de bicicleta e este rápido de bicicleta sem por a vida de nenhuma pessoa em risco mesmo que acidentes aconteçam até entre carrinhos de super-mercado. Falando em dar o exemplo, e quanto a nossos líderes, nosso prefeito vai caminhando ou de bicicleta para o trabalho? O Diretor-Presidente da EPTC vai caminhando ou de bicicleta para o trabalho?

Segui mas adiante surgiram mais coisas deliciosas me impedindo de seguir viajem:

Se podemos cortar muitos atalhos de bicicleta, quando estamos a pé cortamos mais atalhos ainda. Passei por uma praça muito bonita e depois resolvi que ali era o lugar onde eu iria fazer um lanche.

Dica muito boa para outro hipotético louco que venha perder de vez a sanidade e pense em caminhar a pé descalço:

Segui em frente e estaria de volta em minha casa em duas horas no total se eu não tivesse resolvido visitar a minha Oma (vó em alemão). Conversamos sobre várias coisas inclusive sobre os órgãos de tubos dos quais ela tinha fotos lá das Orópa e aí ela me contou que tem um órgão de tubos de bamboo aqui em Porto Alegre no Colégio Anchieta, tem mesmo?

Jogamos Números, ela ganhou a primeira vez (treina todos os dias com o meu Opa) e me deixou ganhar a segunda, não fui esperto o suficiente para ganhar e isso que investi toda minha malandragem mas consegui perceber que ela tinha me deixado ganhar. Aos 26 anos e minha Oma me deixou ganhar no Números.

Incontáves momentos de amor e alegria e segui para casa. Cheguei lá com uma muda de Ibiscos que minha Oma sempre me dá de aniversário mas que este ano demoraram mais para brotar e além disso 4 folhas de babosa que colhi no caminho e dois jornais que a Oma separou para me dar quando me encontrasse.

Fim.

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8 respostas para Vá de Bike, volte a pé, heheh

  1. airesbecker disse:

    Tudo bem Klaus!
    Tenho acompanhado estas tuas postagens e acho bem legais.
    As vezes acho alguns comportamentos meio estranhos te confesso, coisas que eu até faria mas a tempos não tenho feito.
    Mas entendo a tua exposição com autenticidade mostrando que as coisas podem ser feitas de maneiras diferentes.
    São quebras de paradigmas.

    Eu restaurei uma caloi antiga que foi da minha esposa e coloquei peças ótimas nela.
    Mas agora por último encomendei de um artista uns adesivos personalizados com ramos, flores e o nome da minha filha e fiz uma surpresa para ela, que tem 15 anos, aí ela ganhou a bike nesta semana passada e combinou que iria sair comgo neste final de semana.
    Hoje me pediu para levar ela na casa da amiga e disse, pai vamos de bici, tu me leva e depois eu te chamo e tu me busca, de bici.
    Assim foi, na casa da amiga o pai dela perguntou para minha filha se ela tinha vindo de bicicleta, ela disse sim e ele perguntou: sozinha? A minha filha respondeu: Não o meu pai me trouxe e vem me buscar de bicicleta. Ele disse: “Que legal!”
    Na volta também comemos pitangas no caminho e fizemos um lanchinho bem legal!
    São coisas especiais, momentos únicos!
    Abraço.
    Aires

  2. Klaus disse:

    Que máximo!!

    Alegria alegria, 🙂

    Quanta sorte tem a tua filha, 😉

    Abração!!!

  3. heltonbiker disse:

    Sexta à noite, a convite de amigos, fomos eu e meu guri à pizzaria Punta del Diablo, na Protásio Alves. Obviamente fomos de tandem (bicicleta dupla).
    Lá chegando, havia fila de carros aguardando o manobrista (e tumultuando a calçada e a avenida, diga-se de passagem). Perguntei ao rapaz que atendia se havia lugar para a bicicleta.
    “Claro”, disse ele, “pode encostar ali”. Para minha surpresa, a bicicleta ficou em um corredorzinho externo, sob vigilância direta do rapaz, e tudo isso sem precisar esperar em filas veiculares.
    Isso para não falar na quantidade de “olha que bicicleta legal!” que ouvimos sempre que saímos de tandem, coisa que costuma acontecer quando levo meu guri aos lugares, como festinhas de aniversário e coisas do tipo.
    O bom é que ele vai e volta pedalando (ao invés de ficar na cadeirinha, como no passado), e eu também consigo pedalar sozinho na bici. Isso já permitiu que eu fosse encontrar minha esposa no boteco-com-as-amigas, e que pudéssemos voltar pedalando para casa.
    O mais difícil é fazer da primeira e da segunda vez. Depois, acaba viciando, e o pessoal até pede para ir de bicicleta.

  4. Melissa disse:

    Klaus, só posta as imagens em tamanho menor, porque o corpo do blog tá ficando comprido demais 😉

  5. Legal que experiências fantásticas. Klaus cuida muito da Omã e do Opa, que eles fazem muita falta quando eles vão embora, tu me fizeste lembrar com carinho e saudade dos meus e me fizestes viajar profundamente nas minhas recordações familiares. Obrigado. Das frutas das ruas de Porto Alegre dou fé, acho que seja a cidade com maior quantidade de frutinhas na primavera, todas deliciosas e em quantidade.
    Sim meu caro Aires o Klaus tem delírio desafiador que nos instiga a pensar diferente e quebrar os paradigmas, tem algumas coisas que eu faria e outras que já fiz, por exemplo andar de bicicleta com chuva ou carregar o mundo na bicicleta. Mas descalço, na Porto Alegre da falta de higiene, não caminharei, nem que venham degolando. Aires, tenho ido com minha filha, buscar meu neto de dez anos, no colégio, retornando no final de tarde para casa, num percurso de quase dois kilometros o que tem deixado os colegas dele de olho e já vi vários pedindo para os pais irem buscar eles de bicicleta.
    Que desafio este, de quebrar os paradigmas é muito legal.
    E meu caro Helton, com a tua tandem, me fizeste lembrar a época em que saía com os meus filhos de bicicleta, hoje já nem sei mais onde foi parar aquela bicicleta.
    Mas dou fé que esta atitude se prolonga por gerações, uma, pelo menos, das minhas filhas usa a bicicleta com muita intensidade e coloca sempre na vida de meus netos, a bicicleta como meio de transporte em todas as oportunidades possíveis. Saúde. José A.R. Martinez

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