Audiência Pública na AL – Relato do Martinez

 

Ontem, dia 4 de outubro, ocorreu uma Audiência Pública promovida pela Comissão de Desporto, Ciência, Educação e Tecnologia da Assembléia Legislativa do RS. O tema era “Ciclismo: as dificuldades e os desafios do ponto de vista esportivo e logístico”. O gabinete do Deputado Catarina se esforçou bastante na divulgação. José A.R. Martinez, assíduo comentarista deste blog, aceitou a sugestão de relatar suas impressões desta audiência.

A quem interessar possa, ontem fui na Audiência Pública da Comissão de Educação Desporto Ciência e Tecnologia da Assembléia Legislativa junto com um grupo de pessoas, e realmente não tinha nada a ver com esporte, tinha sim a ver com a utilização da bicicleta em geral, e acredito que mais como modal de transporte.

Acredito que o Deputado Catarina, que foi realmente quem convocou a audiência, tinha a vontade de fazer como modal de transpores mas na comissão que ele atua, de cultura desporto, etc.  não ia prosperar a convocação.

Estavam lá o Pablo Weiss,  o Marcelo Sgarbossa, o “Lagartixa” [Paulo Alves], e várias pessoas vinculadas ao esporte ciclístico no Estado inclusive ex-presidentes da Federação. Ainda estavam lá o Presidente do Detran, o Técnico da EPTC Régulo, um representante da Secretaria da Infra-estrutura do Governo do Estado que hoje está nas mãos do Beto Albuquerque, o Deputado Catarina  José Antonio Júnior Frozza Paladini, um representante do CREA, eu (José Antonio Reimunde Martinez), e o Daniel, um jovem que veio do interior para falar e procurar referências para desenvolver o ciclismo como modal de transporte na sua cidade; e tinha um representante dos ciclistas de Pelotas.

Foi solicitada a cada um de nós a opinião sobre a utilização da bicicleta e os entraves que encontramos nas nossas cidades; cada um se manifestou  explicando os entraves encontrados, e a EPTC, que parece sempre dona do ciclismo na cidade, na pessoa do Régulo, que se justificou como autor do Plano Cicloviário e autor dos planos e das Ciclovias existentes na nossa cidade.

Notei nas manifestações do Presidente do Detran a possibilidade de parceria para através de alguma estrutura legal executarmos alguma ação educadora e o Deputado Catarina manifestou apoio e viabilidade de recursos da Assembléia Legislativa, ao pedido concreto do Marcelo de algum tipo de decalco para ser distribuído aos motoristas, que identifiquem o motorista como amigo do ciclista.

O Pablo manifestou a sua opinião de que seria necessária uma estrutura educacional que realmente divulgasse, que lugar de bicicleta é sim na rua e todos os pontos que o Código Brasileiro de Trânsito garantem ao ciclista  que atualmente são desconhecidos dos motoristas.

Acredito que seja publicada pela Assembléia Legislativa a versão taquigráfica da reunião e deve ter a versão filmada já que a reunião, pelo seu aspecto legal, de audiência pública, precisa estar gravada.

Minha avaliação da reunião foi positiva, e acredito que alguma coisa será realmente aproveitada que venha a nos beneficiar como ciclistas.

Mando também em anexo a “versão oficial” da reunião que foi um resumo feito por um jornalista da Assembléia que em nada reflete o que foi falado mas que em todo caso tenta resumir o assunto. Até a presença de Deputados está errada porque fora o Deputado Catarina não tinha nenhum outro na reunião, mas vamos lá, vamos ser tolerantes link para a versão oficial ].

A respeito da sinalização nas ruas com bicicletas [ver Proposta de Ação ], acredito que independente da resposta do Capellari, que não veio, e acho que não virá, porque no ofício que enviei, falo da constituição de uma sociedade civil para tocar isto. O que menos quer a EPTC e outra fundação ou instituto ou laboratório nos moldes da Fundação Thiago “atucanando” eles, controlando as atividades e exigindo atitudes.

Ontem na Assembléia encontrei uma saída interessante que acredito possa funcionar meio urgente e se trata do Detran, achei o Presidente muito interessado e disposto a ajudar, e a parceria do Detran é mais importante que a parceria da EPTC.

O Detran é um órgão regulador e controlador com poder de propor medidas legislativas ao Denatran, poder este que a EPTC não tem.

Eu sinceramente acredito que estamos reconhecendo poder demais nesta EMPRESA PÚBLICA.

Acredito e falei isto com Marcelo, que dá para fazer uma parceria Detran Lappus, muito facilmente, porque a personalidade jurídica de ambos assim o permite e poderíamos avançar muito mais que com a EPTC.

Saúde

José Antonio Reimunde Martinez

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Sobre lobodopampa

Falar de si mesmo é contraproducente. Ah: lobodopampa e artur elias são a mesma pessoa (eu acho).
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13 respostas para Audiência Pública na AL – Relato do Martinez

  1. airesbecker disse:

    Acho que cada instância tem a sua competência.
    A EPTC tem recebido de forma razoável, embora com suas limitações estruturais, as demandas dos ciclistas, e só ela pode tratar do trânsito no âmbito municipal em relação à implantação das ciclovias. Ou seja a EPTC não pode ser substituída pelo DETRAM em suas atribuições pois são de esferas diferentes.
    Entendo que a carência no âmbito municipal se dá por falta de apoio expresso do prefeito no caso em integração com as obras viárias que são a cargo da SMOV.
    Esta é uma correção importante.

  2. Concordo plenamente Aires realmente cada instancia tem sua área de atuação e no caso da EPTC o que eu acho que ela está deslocada porque quem tinha que falar de obras é a SMOV e não a EPTC como tu bem falou.
    Mas Aires não podemos deixar de lado o DETRAN que tem uma importante missão de educação e de formação de condutores.
    Acredito que esqueci de uma serie de temas que foram abordados e que não posso deixar passar:
    O Pablo falou concretamente que as ciclovias não é nosso principal problema e sim a formação dos motoristas.
    Surgiu a idéia de trabalhar os sindicatos ou categorias de classe (motoristas profissionais), de ônibus e táxis como uma forma de motivar um grupo importante de anjos da bici nas ruas, atitude esta usada com sucesso em Barcelona.
    O pessoal do esporte manifestou seu total descontentamento com a falta de opções de treinamento que praticamente tiram o Rio Grande do Sul de qualquer competição importante com o relato de um caso específico de uma atleta que estava treinando para a classificatória da Olimpíada de Londres e teve que desistir porque era praticamente todos os dias jogada para fora do acostamento da estrada onde treinava.
    Acho que o Pablo e o Daniel nos ajudarão para relembrar mais o que foi falado a reunião foi de 3 horas. Saúde José Antonio Martinez

  3. airesbecker disse:

    Esta questão da importância das ciclovias ou da educação dos motoristas é um dilema importante que tem por aí.
    A minha posição é diferente.
    Eu acho que em geral os motoristas são razoavelmente bem intencionados, em geral as pessoas não querem atropelar ninguem quando saem de carro. Acontece que temos um trânsito difícil por falta de infraestrutura, os próprios motoristas dos carros precisam normalmente se organizar para passar em ruas estreitas e cruzamentos complicados. Imagina as bicicletas neste contexto não tem como!!
    É claro que ciclistas esportivos, com audácia, capacetes e bicicletas novas enfrentam o trânsito com habilidade e destreza, mas isto é uma minoria, que se dispõe a correr risco.
    O grosso das pessoas não aceita andar de bicicleta no trânsito no meio dos carros.
    E acho que não adianta educar 99,99% dos motoristas que já tem boa vontade e educação, quando uma ínfima minoria, com todas as condições de informação que já existem, segue e sempre seguirá dirigindo de maneira perigosa, por má índole ou problemas sociais e psicológicos.
    A formação dos motoristas de qualquer forma vai ser sempre muito melhor aproveitada quando houver espaços delimitados e garantidos para as bicicletas no trânsito.
    Por isto eu acho que as ciclovias e ciclofaixas são essenciais, principalmente nas vias de maior trânsito, depois nas ruas de bairro os ciclistas conseguem trafegar naturalmente com mais segurança pois o tráfego é mais calmo.
    Quanto aos ônibus, sim é um absurdo que motoristas profissionais sejam responsáveis pela morte de ciclistas, eles sim não têm a menor consciência de educação para o trânsito.
    Vejam aqui o que já postei: https://vadebici.wordpress.com/2011/06/01/e-os-onibus-hein-passou-o-susto-vai-ter-de-novo/
    Abraço.
    Aires

    • Felipe Koch disse:

      Não existe “colisão” entre veículos automotores e bicicletas, quando o ciclista é abalrroado por trás ou desrespeitado em sua preferência.
      A desproporcionalidade de forças deixa óbvio o atropelamento.

    • Bruno disse:

      Lamentáveis os links…
      Mas tenho outro ponto de vista quanto a esse suposto confronto, atravesso a Ipiranga todos os dias na hora do rush e não é tão ruim assim.
      Pedestres também são atropelados diariamente e não há motivo nenhum para deixar de caminhar…
      Na minha opinião, ciclovia e ciclofaixa não são essenciais. Com capacete, roupa clara e LEDs piscando tenho tudo que preciso.
      Sds,
      Bruno

      • airesbecker disse:

        Bruno, repara que você disse bem, no seu caso, você tem tudo que precisa para pedalar, outras pessoas não, esperam por uma estrutura melhor.

      • Aldo disse:

        Ciclovias e ciclofaixas SÃO essenciais PARA aumentar significativamente o uso da bicicleta como meio de transporte urbano.
        Por falar nisso, e as ciclofaixas de Porto Alegre que ninguém mais fala? Conheço várias avenidas em que elas poderiam ser implementadas com um mínimo de boa vontade política e um pouco de tinta. Facilitaria bastante o trânsito para os ciclistas e, em muitos casos, sequer reduziria o sagrado espaço dos automóveis. Exemplos: eixo Siva Só até a Pernambuco; José de Alencar e Venâncio Aires. O que está se esperando para começar a pintura?

      • Marcelo disse:

        E as reuniões com eptc e prefeitura? Não vai mais ter, temos que cobrar!

  4. Aldo disse:

    Na tarde de segunda-feira, eu e minha filha recebemos telefonemas do gabinete do Deputado Catarina avisando da audiência na manhã de terça, mas não pudemos ir. Fico agradecido aos que participaram e aos que ainda se dispuseram a relatá-la para os demais.

    A educação de trânsito com relação à bicicleta está engatinhando, mas é mesmo impossível fazer os motoristas entenderem a questão do ponto de vista do ciclista sem terem passado pela experiência de pedalar na rua.

    Digo isso porque, ontem, utilizei pela primeira vez minha bicicleta para uma série de deslocamentos em meio a um trânsito pesado, entre os Bairros Santana, Moinhos de Vento e Praia de Belas, num total de uns 25 km. Fiquei surpreso com a sensação de que a cidade encolhera. E sõ não andei mais rápido por causa dos automóveis que ficavam obstruindo meu caminho. Mas a média de 15 km/h já foi maior que a dos automóveis. Se houvesse “corredores” para bicicletas (ciclovias ou ciclofaixas), como há para os ônibus, seria possivel se deslocar com muito mais fluidez, percebi. E foi muito fácil, mesmo para um completo sedentário com 50 anos de idade. Em resumo, o que falta são os governos cuidarem para que os automóveis simplesmente não atrapalhem o trânsito das bicicletas.

    Neste sentido, é essencial que os os projetos viários tratem sempre de todos os modais de forma integrada. Não se pode mais admitir que um governo chame de projeto ou obra viária uma “coisa” que não levou em conta os pedestres, ciclistas e pessoas com dificuldades de locomoção. Isso tem que acabar! Assim como tem que acabar inclusive os projetos e obras específicos para ciclovias. Tudo precisa ser integrado. E, como já foi dito por diversos participantes deste grupo, todas as intervenções viárias futuras devem prever ciclovias ou ciclofaixas. Nunca poderá ser invocada a desculpa de que não há espaço para as bicicletas. Se não houver espaço, será para os estacionamentos ou mesmo para o trânsito de veículos motorizados.

    O poder público precisa admitir que a bicicleta, normalmente, é a forma mais eficiente de transporte dentro da cidade, desde que não se sabote a sua circulação como ocorre hoje.

  5. Tulio disse:

    é tarde, mas não fiquei sabendo desta iniciativa. Deixo uma opinião curta (mas não grossa!!!):

    – O ciclismo é feito pelas pessoas que o praticam, seja como esporte, seja como meio de deslocamento;

    todavia, o ciclismo não é VIABILIZADO pelas mesmas pessoas, ou seja: quem “planeja e executa” as políticas públicas, sejam obras, sejam leis, dificilmente SÃO ciclistas. Daí as incoerências que sempre identificamos. Não podemos culpar os técnicos, nem os políticos, pois não podemos exigir que as pessoas se tronem ciclistas… mas podemos, sim, exigir o cumprimento da legislação e apontar os problemas para obter melhorias.

    abr

  6. Pingback: Cachoeira em GT sobre Ciclismo na Assembléia Legislativa | cicloativado.org

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