Um outro tipo de bicicletada

Não sei se sou a única, mas nos últimos tempos tenho notado mais ciclistas pela região central de Porto Alegre. Isso me enche de alegria, pois há meses atrás andar de bicicleta por essas ruas era uma atitude quase solitária. E foi um desses dias, observando essa melhora, que tive uma idéia de uma bicicletada diferente do estilo Massa Crítica. Não sei se isso já existe em alguma parte do mundo, mas é o seguinte:
.
A estrutura da Massa Crítica é formada por pessoas que pedalam juntas para criar uma grande massa, como diz o nome. O que ocorre é um “engarrafamento de bicicletas” que faz contraponto com a cultura do automóvel. Sim, é um evento lindo, com uma linda motivação, mas muita gente que apóia a bicicleta como meio de transporte acha errado fazer isso. Existem ciclistas, inclusive, que acham que a Massa Crítica cria uma imagem negativa do ciclista por irritar muitos motoristas, e todos aqueles outros motivos. Eu sou fã da Massa Crítica e não concordo com esse ponto de vista, mas compreendo e vou sugerir um outro evento que pode agradar a gregos e troianos.
.
A idéia é que ao invés de pedalarmos em massa pelas ruas em clima de manifestação, façamos uma simulação de uma cidade onde muitas pessoas utilizam a bicicleta como meio de transporte.
.
Funciona assim: em locais combinados e espalhados pela cidade, pequenos grupos de ciclistas se encontram em cada um. No mesmo horário, todos saem para circular pela cidade. Pode parecer simplório, mas o que vai acontecer é essa simulação, as pessoas vão ver ciclistas nas ruas se locomovendo com naturalidade, não vai ter cara de algo combinado. Vão começar a sentir que existem muitos ciclistas pela cidade, mas não um grande “grupo” que combinou de se encontrar e fazer um passeio ocasional, e sim pessoas voltando do trabalho, fazendo compras, etc. E essa experiência geralmente resulta numa simpatia, em um desejo que a cidade pudesse ser assim todos os dias, um grande estímulo à bicicleta.
.
Não sei se consegui me expressar bem, mas seria uma experiência interessante, talvez mais para os não-ciclistas passando pelas ruas do que para quem está pedalando. Eu imagino a Cidade Baixa e os bairros arredores como as primeiras experiências. Pode-se pedir coisas aos participantes como parar no sinal vermelho, não andar na contramão, etc, aquelas coisas básicas que vão causar um certo impacto pra quem estiver olhando. Tem que ter uma pequena organização prévia, mas é só escolher os locais de saída, o horário, por que bairros vamos pedalar e distribuir bem.
.
Eu só não tenho a mínima idéia do nome pra batizar 🙂
Anúncios
Esse post foi publicado em pedalada, Porto Alegre. Bookmark o link permanente.

37 respostas para Um outro tipo de bicicletada

  1. Melissa disse:

    Por favor, não fiquem achando que eu quero criar uma substituição da Massa Crítica. Esse pode acontecer na primeira sexta do mês, na segunda ou o que a maioria preferir. Aceito todo o tipo de sugestão e ajuda, assim como um “não gostei”. Vou elaborar um mapa pra ilustrar melhor como funciona, e um nome legal também cairia bem!

  2. Melissa, acho que, na prática, isso que vc tá falando é um “bike-bus”: http://en.wikipedia.org/wiki/Bike_bus

    Acho a ideia genial: o bike bus não é “ativista”. Ele tem um viés realmente utilitário no conceito apresentado na Wikipedia, mas para nós ele pode ser um grande estímulo ao uso da bicicleta, pela visibilidade que provoca.

    Os “bondes” que existem a caminho da Bicicletada de São Paulo são exemplos de bike-buses e foram inclusive muito bem divulgados para a bicicletada do Dia Mundial Sem Carro.

    • Marcelo disse:

      Acho que não é bem isso que a Melissa propôs, mas sim diversas pessoas em grupo ou não, pedalando ao mesmo tempo pela cidade em diferentes trajetos.

      • Claro. Só apontei que há semelhanças entre a proposta da Melissa e os bike-buses. Para a visibilidade, o que importa é o “pedalar ao mesmo tempo” e sem a dinâmica de uma massa crítica. Achei interessantíssimo.

  3. Legal Melissa podes contar com o meu apoio e me proponho a participar da organização. Saúde. José Antonio Reimunde Martinez

  4. Diego Alves disse:

    Interessante a ideia. Melissa, pelo que entendi, o objetivo é dar visibilidade certo? Se sim, é preciso pensar bem nas rotas. Estou dentro. 🙂

  5. Rodrigo de Leão Antunes disse:

    Apoiado 100%
    Poderiamos usar a ideia do bikebus para realizar esta ação, assim sairiamos de variados pontos da cidade para depois circular pela cidade baixa como sugerido no texto. Dessa forma teriamos mias abrangencia…

  6. Fernando disse:

    Podia haver uma concentração igual ao do Massa Crítica, no entanto, com distribuição aleatória de roterios com lista check-points também aleatórios para serem passados. Podendo dar o mesmo roteiro para 3 ou 4 ciclistas. E por fim todos se encontravam denovo no ponto de saída. E a propósito festa no Velódromo nunca mais?!!!

  7. Fernando disse:

    Ótima iniciativa. Acredito que passe para os motoristas a idéia de que também somos o trânsito. Tô dentro. Talvez como pequena experiência, poderia ser combinado para essa MC de sexta, locais e horários estratégicos de encontro dos que se deslocam das mesmas regiões em direção ao Largo. Moro no Floresta e me encontraria com quem viesse pela Oswaldo, Vasco etc.

    • Melissa disse:

      Tu diz fazer bike buses pra chegar até a MC? É uma boa idéia!

      • Rodrigo de Leão Antunes disse:

        Acho que o Fernando se expressou melhor do que eu. hahaha
        Foi isso que tentei dizer, acho uma boa idéia.
        Moro no Bela Vista e posso puxar um bikebus dessas redondezas.

      • Fernando Filho disse:

        Seria algo semelhante, partindo da mesma idéia, de pedalar em conjunto para maior integração e visibilidade no trânsito, só que todos “descem no fim da linha”!! 🙂 Sugiro que sejam estabelecidos pontos de encontro e de curto período de espera dos que vem das distâncias mais longas em relação ao Largo, inclusive com rotas já preestabelecidas, assim como chamando os ciclistas que não estejam nestes pontos para integrarem a “Massa Quase Crítica” e no fim formar a Crítica. Como alternativa a esta última, algum tipo de adesivo para identificação do grupo, como aqueles vermelhos do Vá de Bici e outros.

  8. lobodopampa disse:

    Tô no “pelotão” do Martinez e da Marga. Saindo da Tristeza/Assunção. Quando mesmo? 😉

  9. Melissa disse:

    Que bom que consegui explicar direito a idéia, hehe, e que tem gente que gostou! Vou elaborar algo mais ilustrado e fazer um novo post depois, pra ficar mais atrativo. E pensar em um nome, aceito sugestões.

    O bike bus que a Lívia mostrou é similar, a diferença é que o que eu imaginei é algo que fique o mais natural possível. Quanto menos cara de evento combinado, melhor. Quem quiser pode até não interagir com os outros ciclistas no trajeto, como se estivesse sozinho. Mas pra não ficar sem graça, sinto que tem alguma coisa faltando nessa simulação pra dar mais sabor…

  10. Sergio Silveira disse:

    Concordo totalmente com a Melissa. Estou entre os ciclistas que acha que a Massa Crítica cria uma imagem negativa do ciclista perante todos, por trancar totalmente o transito por onde ela passa. Vá em frente, Melissa, pode contar comigo para levar adiante a sua bela ideia. Brava mulher.

    • Naza disse:

      Adorei a ideia. Não tenho ido à Massa por razões já muito apontadas aqui, mas nesse formato, certamente gostaria muito de participar e ajudar no que for possível.

  11. Marcelo Sgarbossa disse:

    Melissa, é uma baita idéia mesmo!

    Uma idéia que poderia complementar a tua, Melissa, seria o seguinte também: “invadir” um bairro durante 1 hora . Ou seja: a gente combinar um local de encontro e “atacar” ao mesmo tempo (mas separados, talvez em duplas no máximo) um bairro durante uma hora por exemplo.

    Acho que aí conseguimos fazer um impacto visual que será notado e dará uma cara de casual.

    abraços

    marcelo

    • Rodrigo de Leão Antunes disse:

      Oh… Estratégias de guerrilha aparecendo.
      Boa idéia, ocuparíamos varias ruas de um bairro. O motorista passa uns ciclistas vira a esquina e “opa! mais ciclistas”.
      Como na idéia inicial da Melissa temos que ter cuidado para não parecermos um grupo organizado.

  12. Aldo disse:

    Eu tenho visto muito mais bicicletas nas ruas também. Em parte, porque estou mais atento a elas. Eu quero dizer com isto que a maioria dos motoristas deve perceber menos bicicletas que eu, o que é uma pena. Muitos ciclistas são excessivamente discretos: usam roupas escuras e sem nenhum colete reflexivo; pedalam devagar bem junto ao meio-fio; não tem sinaleiras, faróis ou mesmo refletores.

    Então me ocorreu, inspirado por esta idéia ótima da Melissa, apostarmos mais na visibilidade de cada bicicleta. Para começar, acho que o colete reflexivo deveria ser mais disseminado, por ser uma medida barata e simples. Outra idéia é utilizar, mesmo durante o dia, faróis e sinaleiras piscando. Isto faz com que mais motoristas vejam as bicicletas, mesmo as que não estão próximas. Além de serem excelentes medidas de segurança, estas práticas potencializam a visibilidade como forma de propaganda. Andar um pouco mais rápido e ocupando a pista, sempre que possível, também ajudam a mostrar a bicicleta como veículo, algo que a Massa Crítica deixa um pouco a desejar por causa da baixa velocidade do grupo.

    Talvez, como parte desse novo movimente proposto pela Melissa, outros ciclistas sejam incentivados a tomar medidas para se tornarem mais visíveis no trãnsito, jã que o argumento da segurança infelizmente tem pouco apelo.

    O nome do movimento poderia estar relacionado com a questão da visibilidade dos ciclistas, penso eu.

  13. Olavo Ludwig disse:

    Belezura, eu sugiro que seja na segunda sexta do mês, assim normalmente fica bem no meio de duas massas criticas, e minha sugestão para o nome Massa Difusa ! 🙂

  14. Ótima ideia ! Estou dentro de um grupo que sair aqui da Av. Sertório ou Farrapos. Podemos usar as principais vias de acesso como pontos de encontro para os ciclistas da mesma região. Uma sugestão de nome seria “Pontos Críticos”, já que serão pequenos grupos que ao fim se unirão para formar uma massa, ou não.

  15. Fernando disse:

    Sugestões de nome: Pedalatório (pedal + aleatório), RandonBike ou RandonBici, Ciclo Browniano. Mas também apoio a sugestão do Olavo.

  16. Fernando Pavão disse:

    Acho que isso que vocês querem fazer é um passeio, já feito às segundas, quartas e sextas de noite. Claro que as que fazem são com um caráter muito mais esportivo do que cicloativista.

    Dito isso, seria uma boa se tivesse um desses toda semana, e seria uma boa um ritmo leve, pra poder levar os que não são habituados a andar de bike pra aprenderem como se comportar na cidade.

  17. Miague disse:

    Melissa, acho que sua idéia é uma semente de algo muito, muito bom! Parabéns!

    Mas, problematizando, temos que pensar formas de defender essa idéia de tornar-se enfadonha, pouco simbólica, confusa ou ineficiente.
    1º preocupação: frequencia do evento. Acho que isso tinha que ser semanal, pelo menos.
    2º unidade: uma vez que seremos grupos separados, seria legal algo pra identificar a todos como parte de uma coisa só. Senão seremos apenas cidadãos comuns.
    3º Moral da tropa: ficar pedalando por aí a esmo sem ter um destino pode parecer pra alguns algo bastante enfadonho.
    Eu teria uma lista de sugestões pra se fazer mas ta na hora do meu almoço e esse comentário já tá maior do que eu queria. Vou rangar e volto ao blog a tarde.

    abraço a todos!

  18. Gostei muito da idéia. Quero dizer que após terminar os MC, sempre todo mundo tem comentado: …. como tinha ciclistas na rua esta sexta feira!! Acontece que as pessoas que voltam para casa após o evento, transmitem esta idéia às pessoas que circulam de carro.
    Este tipo de propaganda subliminar é muito, mas muito boa, porque planta uma semente na cabeça das pessoas de forma imperceptível, para o bem; não para tomar refrigerante tal ou qual ou comer tal ou qual sopa.
    Acho sim que devemos refletir no comentário do Aldo tentando transmitir mais visibilidade nas nossas vestimentas e bicicletas de forma a sermos mais vistos. Tenho visto inúmeros ciclistas em passeios noturnos sem nenhuma iluminação, fato este que sô fala contra os ciclistas. Se carro a noite sem sinalização é uma infração grave o mesmo temos que considerar da bicicleta. Estou ao dispor e apoio totalmente os nomes sugeridos agora é sô escolher qual deles. Saúde. José Antonio Reimunde Martinez

  19. Beto Flach disse:

    Que super! Quando começamos?

  20. Miague disse:

    Primeira sugestão para viabilizar o sucesso total dessa idéia.
    Nome: dia comum
    Local: toda a cidade.
    Frequência: diariamente. Começando o mais rápido possível.
    No dia comum as pessoas vão sair de casa já sabendo como sinalizar e andar na rua de bicicleta. Também algumas regras de etiqueta e como evitar conflitos com pedestres e motorista e homens da lei.
    As pessoas então poderão andar onde quer que seja passeando com amigos também de bicicleta, ou indo buscar alguma coisa em algum lugar ou indo trabalhar/estudar/namorar ou ainda indo se exercitar um pouco.

    Eu já comecei faz tempo. Eis, minha primeira e talvez última sugestão.

    abraços

  21. ezelino disse:

    Gostei da ideia dessa “Massa aleatória”. Como moro no centro, não participaria de nenhum trajeto específico. Daí me veio outra ideia interessante a agregar. Essa Massa alternativa poderia se reunir em pontos mais distantes da cidade, tipo Menino Deus, Praça da Encol, Parcão, Redenção, e muitos outros. Tem gente que não vem até o Largo da Epatur, por causa da distância, ou aquele medo inicial de encarar o trânsito. E também nós apareceríamos para públicos de pedestres e motoristas diferentes. Claro que isso complica um pouco a organização. Mas todo o desafio me agrada.
    Eu gosto de pedalar pela cidade, conhecendo novos bairros, novas praças. Infelizmente, costuma fazer isso sozinho.
    Acho que poderíamos promover uma integração maior, ainda mais agora que o tempo permite que as pessoas fiquem até mais tarde na rua e nas praças.

    Tudo vale a pena, se a alma não é pequena. Um abraço a todos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s