Farofada dos Desqualificados

Pessoas indignadas com as declarações do Secretário Municipal da Produção, Indústria e Comércio de Porto Alegre, Valter Nagelstein, criaram no Facebook uma chamada para a Farofada dos Desqualificados, que vai acontecer a partir das 18h na próxima segunda-feira, dia 26 de setembro, no Largo Glênio Peres, em frente ao Mercado Público. Os manifestantes pretendem comprar gêneros no Mercado Público e fazer uma grande confraternização no Largo para mostrar que, não importa o seu modo de locomoção, ninguém é mais ou menos qualificado do que ninguém.

Em seu twitter na última segunda-feira, o secretário disse que o estacionamento de carros sobre o Largo Glênio Peres é o que garante um público mais qualificado ao Mercado Público. Em sua defesa, Nagelstein disse que suas palavras foram distorcidas. Porém se existe um “público mais qualificado” e esse público é quem vai de carro ao Mercado Público, existe necessariamente um público menos “qualificado” que não vai de carro.

 

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21 respostas para Farofada dos Desqualificados

  1. Heverton disse:

    O que ele entende de qualificação?

  2. Heverton Lacerda disse:

    O que ele entende por qualificação?

    • Aline disse:

      Heverton
      Para o teu conhecimento, no ano de 2010 a Smic qualificou 3.640 trabalhadores em diversas áreas. Estes mesmos trabalhadores foram inseridos no mercado de trabalho através do Sine Porto Alegre, o qual tem realizado um excelente trabalho na captação e encaminhamento às muitas vagas disponíveis em Porto Alegre e que muitas vezes não são preenchidas por falta de qualificação.
      A Smic também tem se esforçado para qualificar os micro e pequenos empreendedores, através de parcerias com o Sebrae, como a Linha da Pequena Empresa, que leva as informações aos bairros de Porto Alegre.
      Muito qualificado deve ser você, procura te informar primeiro Heverton!

      • Naldinho disse:

        Aline, acho que você não entendeu a pergunta do Heverton.

      • Larry disse:

        Aline,

        Assim como, o Secretário disse o que quis mas, depois disse que não quis dizer o que todos entenderam que ele disse (pela lógica simples).
        Você certamente disse o que quis sem levar em conta o que o Secretário disse, porque se soubesse, veria que você não entendeu NADA do que o Heverton quis dizer.
        E o que você disse, não desdiz o que o secretário disse que foi exatamente:
        “… estacionamento é o que garante público + qualificado…”

    • Melissa disse:

      Mas ele não fez nenhuma crítica à SMIC, só perguntou o que o Nagelstein acha que é qualificação…

  3. lobodopampa disse:

    Na minha humilde opinião, a declaração infeliz do secretário não é o principal. Mas ela é um ato falho que possivelmente resume os valores do atual governo municipal (e de muitos cidadãos).

    A farofada é um jeito legal de aproveitar o mote. Se eu for, vou para protestar alegremente contra a política retrógrada desta Prefeitura; especificamente contra a inacreditável insistência em favorecer e ampliar o acesso (inclusive ilegal) de carros a áreas centrais, históricas e de lazer: Largo Glênio Peres, parques (Redenção, Harmonia, Orla, etc), projeto de garagem subterrânea no Centro, etc.

    Eu gostaria de encontrar um meio de deixar claro que ESSAS são as coisas importantes, e que a frase infeliz é apenas um mote.

    A imprensa possivelmente vai focalizar no conflito com o secretário como se isso é que fosse importante.

    Usar palavras ofensivas não vai nos ajudar. Aqui não aconteceu muito isso, mas no FB tem gente já baixando o nível.

  4. Marcelo Sgarbossa disse:

    A fala do secretário revela a cultura (e as políticas) carrocêntrica da atual gestão.

    Mas concordo com o autor do post anterior: vamos manter o nível elevado das críticas sem ofensas pessoais.

    E viva o bom debate Político, com P maísculo mesmo.

    Nesta quinta-feira, Dia Mundial Sem Carro, vamos protocolar na
    prefeitura o abaixo-assinado que exige do Prefeito o cumprimento da
    Lei do Plano Diretor Cicloviário.

    O artigo 32 da Lei referida obriga a prefeitura a destinar, anualmente, 20% do
    valor arrecadado com as multas de trânsito na construção de ciclovias
    e educação para o trânsito (em bici). A Lei é de 2009 e sempre foi
    descumprida…

    Na última reunião com a EPTC, tivemos a promessa que será a lei será cumprida a partir de 2012. E os anos anteriores em que a Lei foi descumprida… Cumprir a lei em 2012 significa aplicar os recursos só em 2013…

    Como o protocolo fecha às 16h, a entrega será feita às 12h.

    Junto com o abaixo-assinado, entregaremos um pedido formal de
    explicações sobre os anos anteriores.

    Local do encontro: na frente do Paço Municipal (depois vamos juntos
    para o protocolo, que fica no prédio da 7 de Sentembro)
    Horário: 12h (meio dia)

    Abraços e até quinta!

    Marcelo Sgarbossa

    • Fernando disse:

      Ótima iniciativa essa de fazer um pedido formal para o Prefeito solicitando o cumprimento da Lei. Além do pedido de explicações, interessante solicitar também cópia da documentação referente ao destino dos recursos provenientes das multas para se ter noção do quanto foi arrecadado e onde foi aplicado.

  5. Amadeu e Kátia disse:

    Não entendi esta manifestação contra o Secretário. Ele só disse que carros podendo estacionar no Mercado Público representa mais faturamento para os permissionários, qualifica mais o espaço. Concordo! Eu sou um que não vou ao mercado público por falta de estacionamento. Isso não quer dizer que se a pessoa não tem carro está sendo desqualificada. Isso é distorcer as palavras do competente Secretário, coisa de gente invejosa, só pode ser!

    • Felipe Koch disse:

      Desculpa Amadeu e Kátia, mas não foi isso que ele falou. Ele falou que quem vai de carro é um público mais qualificado.
      Pela lógica vigente desde Aristóteles (Estagira, 384 a.C. – Atenas, 322 a.C) se existe um “mais” tem de haver um “menos”.
      Ou seja, o público que vai em outros modais de transporte seria um público “menos qualificado”.
      Agora, ir de carro qulificada em que uma pessoa? É um claro preconceito contra pedestres, usuários de transporte público e pedestres.
      O cometário foi feito no twitter, onde ele foi indagado e confrontado por internautas.
      Seria apenas uma expressão muito infeliz, embora esclarecedora, se ele tivesse pedido desculpas e se retratado.
      Mas após isso ele iniciou uma discussão de cunho pessoal/partidário/ideológico onde inclusive retwittou (recitou) incitação à violência contra manifestantes, de outro autor.
      Também fez alusões arrogantes e prepotentes sobre a implantação de bicicletários no Mercado e em outros pontos da cidade, como se fosse um favor à população e iniciativa muito particular dele e, não, simplesmente o cumprimento da lei do Plano Diretor Cicloviário e de suas obrigações enquanto funcionário público.
      O manifestação repúdio é contra esta atitude, que vem se tornando uma constante na política municipal e também a proposta de uma retomada do espaço público para a população, para o pedestre, para as pessoas.
      É um movimento contrário à política pública vigente de enclausurar as pessoas, tirando-lhes o espaço público para que ele vire mero meio de circulação e depósito de bens particulares (estacionamento de carros) para uma minoria que circula em carros particulares.
      Queremos um trânsito mais tranquilo e fluido e uma cidade menos agressiva a vivência da população. E o consenso mundial é que isso passa por uma retomada do espaço público para pessoas e do maior uso de transportes coletivos e bicicletas.
      Alguém me corrija se eu estiver errado.

      Abraço.

      • Felipe Koch disse:

        Enquanto você não vai por falta de estacionamento, milhares vão sem problema algum.
        O mercado não está as minguas ou falindo. Obviamente a sede por lucros de um comerciante é insaciável e tudo bem que seja assim, afinal este é o motor do comércio. Agora, O papel do poder público é justamente equilibrar este apetite voraz com o interesse público.
        Poluir o espaço urbano, degradar o Centro Histórico e, principalmente, ROUBAR UMA PRAÇA PÚBLICA que é utilizada por milhares de pessoas para depositar os bens de 50 ou 60 pessoas e para atender a interesses particulares de alguns empresários é um absurdo.
        E o que não falta no centro é estacionamento público e privado para fazer parcerias, existem outras saídas.
        E isso não tem NADA a ver com comunismo x capitalismo como o secretário (parecendo ter vindo em uma máquina do tempo diretamente dos anos 70 e da Guerra Fria) quer fazer parecer.

    • Larry disse:

      Amigo,

      Tu que está distorcendo. O que ele disse foi claro: “estacionamento é o que garante público + qualificado”.

      Existe um oceano de diferenças entre falar “Público mais qualificado” e estar tentando dizer que um estacionamento qualifica mais o espaço público.

      A lógica é muito simples: se pessoas de carro são MAIS qualificadas – logo, pessoas sem carro, são MENOS qualificadas.

      Tá difícil ou quer ajuda dos universitários?

  6. Melissa disse:

    Eu vou certo! O Valter Nagelstein foi infeliz em suas palavras, mas a minha revolta nem é pessoal contra ele, e sim o pensamento retrógrado que reina nessa prefeitura.

  7. sergiok disse:

    E no twitter e no facebook ele tá fazendo parecer que é um ataque pessoal, distorcendo o que foi dito aqui e chamando de mentiras. Ataca as pessoas (sem nem conhecer) ao invés de atacar os argumentos. Me incomoda que alguns caiam nessa e passem a fazer o mesmo.

    • lobodopampa disse:

      O problema é que tem muita gente esquentadinha “ajudando” o sr. secretário nessa distorção. Basta alguns poucos abandonarem o assunto propriamente dito, os argumentos válidos, e partir para a adjetivação da pessoa do secretário, e depois para ofensas e até palavrões, para o debate se desqualificar. Os retrógrados podem posar de vítimas.

      Não se pode mudar as coisas agindo do mesmo modo que produz aquilo que se quer mudar.

  8. lobodopampa disse:

    @ Amadeu e Kátia:

    Complementando a resposta do Felipe Koch, o que está em jogo definitivamente não é uma mera escolha infeliz de palavras por parte de um gestor público.

    O que realmente importa é a política pública para a gestão de espaços.

    Utilizar um espaço peatonal central, histórico, turístico, como estacionamento, é o que consideramos inadequado, retrógrado, aviltante até. O mesmo vale para vários outros espaços públicos que vêm sendo ILEGALMENTE ocupados por carros, com a anuência ou mesmo com a colaboração da Prefeitura: Redenção, Parque da Harmonia, Orla, entre muitos outros.

    Todas as cidades civilizadas do mundo estão fazendo o caminho INVERSO a esse. Não apenas na Europa.

    Não tenho como provar com argumentos totalmente lógicos porque isso que escrevi faz sentido.

    Há que se ter algum tipo de sensibilidade para perceber que essas escolhas da atual admnistração não são benéficas.

  9. Pingback: O Largo é das pessoas, não dos carros! | Vá de Bici

  10. ezelino disse:

    Seguindo o entendimento do Secretário, o público que frequenta atualmente o Mercado Público não é “qualificado” o suficiente. Acho que todos concordam que “qualificado”, no entendimento dele quer dizer renda e condições de consumir e movimentar ainda mais a economia do Mercado. Até aí, temos consenso.
    O problema que o público “menos qualificado”, ou seja de renda mais baixa, que usa o mercado a pé também tem seu direito de usufruir o espaço público (ou não seria público). Aliás, uma das funções do Estado é garantir o acesso à qualidade de vida a todos, independente do nível social. Quem usa um estacionamento pago, necessáriamente tem que ter uma renda maior. Quando o Estado tenta restringir ou privilegiar o acesso a um espaço público para públicos mais “qualificados, ele está tirando esse acesso de outros. Acho que todos tem o direito a desfrutar daquele espaço de forma o mais democrática e popular possivel. A prefeitura poderia aproveitar o afluxo de público e investir na qualificação das pessoas que frequentam o espaço, e não espulsá-las, transformando o Largo num estacionamento pago (Área Azul, certamente).

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