“Ciclovia da Restinga está mais para calçadovia”, critica vereador

Cadê a ciclovia? Não tô enxergando!

Orçada em R$ 1,5 milhão, a ciclovia da Restinga está 90% pronta, segundo a prefeitura. No final de agosto, Mauro Pinheiro percorreu toda a extensão da obra e verificou problemas. “Aquilo lá nunca deveria se chamar de ciclovia, está mais para uma ‘calçadovia’”, afirma o vereador. Segundo ele, mais de três quilômetros da pista estão em cima de estreitas e defeituosas calçadas da avenida João Antônio da Silveira, obrigando os pedestres a dividirem o espaço com os ciclistas ou, na pior das hipóteses, caminharem pela via. “A ciclovia passa no meio de uma parada de ônibus e por vários postes de luz, aumentando a lista dos problemas”, aponta Mauro Pinheiro.

Embasado na legislação, Pinheiro argumenta que o artigo 8º da lei complementar nº 626, do Plano Diretor Cicloviário de Porto Alegre, prevê a ciclovia como uma faixa exclusiva às bicicletas separada da área destinada a pedestres e tráfego motorizado. Além disso, ele destaca que de acordo com o decreto municipal nº 14.970, assinado pelo ex-prefeito José Fogaça, está vedado qualquer tipo de obstáculo nas calçadas destinadas a pedestres.

Para Mauro Pinheiro, o problema da ciclovia da Restinga não tem a ver apenas com as falhas no trajeto, mas com o alto custo para uma obra que ficou sem qualidade. “O problema não está apenas nas irregularidades. O valor orçado para a sua construção não faz jus à sua existência. É um absurdo”, diz o vereador, que na semana passada pediu ao Ministério Público do Estado que abrisse um inquérito para investigar as irregularidades.

O diretor-presidente da Empresa Pública de Transportes e Circulação (EPTC), Vanderlei Capellari, explica que o fato de a ciclovia passar por trechos em cima das calçadas ocorre pela falta de condições de construir o percurso na avenida. “A pista já é estreita e a colocação de uma ciclovia a estreitaria ainda mais”, justifica. “Em alguns pontos da ciclovia deverá existir um bom relacionamento entre ciclistas e pedestres para que todos possam utilizar do mesmo espaço tranquilamente”, afirma.

Sobre os postes, Capellari admite não ter o que fazer a respeito, apesar de que, segundo ele, isso já estava previsto no projeto inicial. “Estamos construindo uma ciclovia e não uma pista de corrida. Não creio que os postes sejam um complicador para os usuários de bicicletas”, defende. Em relação à parada de ônibus, o diretor-presidente da EPTC garante que ela será transferida para um ponto em que a calçada seja mais larga e não atrapalhe o trafego dos ciclistas.

Fontes: Blog PortoImagem e Sul21

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23 respostas para “Ciclovia da Restinga está mais para calçadovia”, critica vereador

  1. Melissa disse:

    Ai Cappellari, assim você me faz chorar!!!

  2. Melissa disse:

    Vou lembrar outra lei que talvez nem o vereador tenha se dado conta: não é obrigatório que todas as ciclovias/ciclofaixas sejam pintadas de vermelho?

  3. ruasvivas disse:

    Se isso é a ciclovia, cadê a calçada?

  4. Melissa disse:

    Desabafo: que coisa mais absurda, falta de vergonha na cara! Ao menos alguém abriu um inquérito no Ministério Público, coisa que nós já devíamos ter feito há muito tempo (vamos?)!

    Vejam bem: foi feito todo um estudo, foi aprovado o Plano Cicloviário. Essa avenida foi considerada um local viável de fazer ciclovia (vejam no relatório final do plano). Aí, contrariando a seguinte lei, eles fazem no lugar do pedestre:

    “O artigo 8º da lei complementar nº 626, do Plano Diretor Cicloviário de Porto Alegre, prevê a ciclovia como uma faixa exclusiva às bicicletas separada da área destinada a pedestres e tráfego motorizado”.

    E mesmo assim, o presidente da EPTC tem a CORAGEM de dizer “Em alguns pontos da ciclovia deverá existir um bom relacionamento entre ciclistas e pedestres para que todos possam utilizar do mesmo espaço tranquilamente”. Ou seja, uma postura ilegal?!

    Eu já ouvi pessoalmente ele argumentar que na Europa fazem ciclovia sobre a calçada. O detalhe é que as calçadas são mais largas e sinalizam com cores onde é o lugar do ciclista e onde é o lugar do pedestre. O que vemos na foto é uma calçada meia-boca.

    E vejam de novo aquela velha desculpa: “A pista já é estreita e a colocação de uma ciclovia a estreitaria ainda mais” Então por que diabos ela foi incluída no Plano Cicloviário e foi uma das primeiras a serem feitas?! Eu vou pegar essa foto e mostrar como existe espaço para carros, ciclistas e pedestres.

    Concluindo: PQP!

  5. Claudio disse:

    Isso vai contra a norma que diz que a calçada nao é lugar de bicicleta. Uma questao pratica: Se eu andar nessa calçada de bicicleta a uns 25 por hora, nao precisa mais, nao estaria colocando em risco permanentemente os pedestres? E se atropelar uma criança, que a partir dessa ciclovia, nunca mais deve transitar pela calçada pois tornou-se tao perigosa quanto andar no meio da rua.
    Quem seria o culpado? Idependente disso eu seria linchado pelas pessoas, literalmente. Desculpem-me mas no ritmo que costumo andar jamais usarei essa ciclovia. Pois nao me acho no direito de colocar em risco a vida dos pedestres, da mesma maneira que eu nao ando em outras calçadas de bicicleta. Pois, mais uma vez, seria uma ciclovia de passeio, útil só para quem nao tem horário para cumprir e nao para quem vai ao trabalho. Nao cumprindo com a funçao de complementar o transporte urbano diário.

  6. Aldo disse:

    De que adianta o Capellari visitar a Europa para conhecer as ciclovias de lá? Ele não consegue identificar as características que elas devem ter para serem úteis no transporte urbano. Acho perda de tempo conversar sobre ciclovias com alguém que sequer concebe a ideia de ir ao trabalho de bicicleta. Eles consideram os ciclistas urbanos uns malucos por se arriscarem no trânsito e, portanto, um postezinho no meio da ciclovia não iria fazer diferença.

    Essa de que ciclovia não é pista de corrida revela tudo. O Capellari deve achar que o ciclista é uma espécie de pedestre que caminha sentado.

    • artur elias disse:

      Aldo, aqui me parece que tens toda razão. Infelizmente para todos nós.

      Essa frase é emblemática e não poderia descrever melhor esta que é uma das muitas idéias equivocadas a respeito da bicicleta:

      “O Capellari deve achar que o ciclista é uma espécie de pedestre que caminha sentado”

  7. Aldo disse:

    Eles acham tudo que é pista para carros é estreita. E a calçada? O que seria uma calçada estreita?
    Estou em Montevideo e acabei de dar um volta de bicicleta pela cidade. Quando há ciclovias sobre as calçadas, elas ocupam bem menos da metade do espaço, Ou seja, o pedestre tem mais espaço que o ciclista. Onde as calçadas ficam mais estreitas, menos de quatro metros, a ciclovia desce para a via de automóveis, mesmo que esta também tenha se estreitado. Ou seja: respeita-se a ordem de prioridades pedestre, ciclista e automóvel. O resultado é que os pedestres quase sempre respeitam a ciclovia, assim como os motoristas respeitam a prioridade do ciclista quando este está na via.
    Estas ciclovias ficam todas às margens do Rio da Prata. No restante da cidade, não há ciclovias, mas como o tráfego e os motoristas são mais calmos que em Porto Alegre, muitos costumam transitar de bicicleta até na movimentada avenida 18 de Julio. Um detalhe nesta avenida é que há semáforos a cada esquina e para pegar a onda verde é preciso transitar bem devagar por ela. Ou seja, os pedestres são beneficiados por uma via acalmada assim como os ciclistas que transitam na mesma velocidade dos demais veículos.
    E no domingo, então, a cidade inteira se transforma no paraíso dos ciclistas. A maioria das pessoas vai a parques, mas não de carro, porque o transporte coletivo é excelente: Ônibus bons, passando com bastante frequència e com tarifas muito baratas (a partir de R$0,90).

  8. Aldo disse:

    A ciclovia da Ipiranga deve ficar parecida.Também não há nem haverá calçadas pelo que sei. Assim, os pedestres serão convidados a transitar numa faixa de 2 metros de areia ou barro (lembrando que hoje há trechos calçados às margens do riacho e que serão eliminados).
    Outra consequência para o ciclista é que, por não haver calçada, haverá inevitavelmente degraus nos bordos da ciclovia, eliminando a vantagem da ciclovia na calçada que é não haver obstáculos em seus bordos. Aliás, essas ciclovias não são sobre calçadas mas sobre terra nua, como se fossem ciclovias no campo, entre cidades, como há´na Europa. E em ciclovias assim, é preciso acrescentar áreas de escape de pelo menos 50cm em cada lado. Essas coisas que estão fazendo aqui não estão em nenhum manual de construção de ciclovias, e muito menos a esse custo.

  9. artur elias disse:

    Pelo que sei, na Ipiranga já existe calçadas em ambos os lados.

    Não há nenhum motivo racional para os pedestres atravessarem a pista para e trocar a calçada pela ciclovia.

    Ninguém será “convidado” a caminhar na ciclovia.

    Mas isso obviamente não impede ninguém. Mas ISSO não é problema de projeto.

    • Aldo disse:

      Em alguns trechos da Ipiranga, próximo às pontes em geral, há trânsito de pedestres junto às margens do riacho, onde há inclusive calçamento, ainda que em mau estado.
      Projetar é planejar, antecipar-se a problemas. Então TUDO é problema do projeto. E não existe projeto sem levar em conta o entorno, ou seja, não existe projeto de ciclovia sem levar em conta os outros modais de transporte nas imediações.

      • artur elias disse:

        Alguém mais tbém acha que pedestre caminhando na ciclovia, onde existe calçada, e ótima, é problema de projeto?

      • Aldo disse:

        Acredito que não estou conseguindo me fazer entender. O fato é que hoje os pedestres já utilizam as margens do riacho, mesmo sem calçamento, embora existam calçadas ótimas no outro lado. Há muitos pedestres ali, principalmente nas imediações das avenidas Azenha, João Pessoa, Santana, Ramiro Barcelos e Silva Só. É fácil prever o que irá acontecer quando se construir uma ciclovia sobre o leito do passeio público desconsiderando o pedestre: será “dane-se o ciclista”.
        A solução para esse caso seria prever um espaço pavimentado para o pedestre ao lado da ciclovia. Aliás, quem seriam os responsáveis por esta pavimentação, já que não há proprietários de imóveis no lado do riacho? Penso que seja a Prefeitura.

  10. artur elias disse:

    Gozado, o dia em que fui examinar a ciclofaixa da rstinga passei por essa caçadovia e cheguei a me perguntar (porque não sabia exatamente o local), será que é aqui?

    Como não havia sinalização supus que fosse uma calçada mesmo, talvez um arremedo de ciclovia de tempos passados. E logo localizei a ciclofaixa, que é bem sinalizada.

    Quer dizer então que existem 2 “ciclo-coisas” na Restinga? A ciclofaixa e esta da foto? Pra mim é novidade, desculpem a ignorância.

  11. artur elias disse:

    Pesso@l, acabei de “desvendar” o mistério. O Sul21 fez uma matéria sobre a ciclo-calçadovia e o autor citou (com minha permissão) trecho do relato sobre a CICLOFAIXA da Restinga que eu havia postado no grupo de discussão Massa Crítica PoA.

    Acontece que de fato existem duas “ciclo-coisas” na Restinga, e aparentemente eu era o único a não saber disso. Postei um comentário lá tentando esclarecer. No corpo do texto ficou surreal a parte em que é citada minha opinião sobre a ciclofaixa da Nilo Wulff, como se fosse a ciclo-calçadovia da Estrada J.D. da Silveira. Peço licença para copiar aqui tbém.

    Essa confusão fala por si. Eu nem me dei conta que aquilo era uma ciclovia (ou melhor, até achei meio parecido com uma, ao passar por ali, mas concluí que não podia ser…).

    ——

    Atenção para um ESCLARECIMENTO:

    Prezado André e leitores do Sul21

    Acabo de me dar conta que aconteceu uma confusão que invalida completamente o comentário feito por mim (no grupo de discussão Massa Crítica PoA) e citado aqui com minha anuência.

    Ocorre que falamos de lugares e ciclovias DIFERENTES.

    Meu comentário se refere à chamada ciclovia (na verdade um híbrido de ciclovia e ciclofaixa) que foi implementado na Av Nilo Wulff, e não a “ciclovia” (caçadovia) da qual trata esta matéria.

    Os PONTOS POSITIVOS, mencionados em relação à ciclofaixa – especialmente o tocante à sinalização – evidentemente NÃO SE APLICAM a esta ciclo-calçadovia.

    Da mesma maneira, a questão do mau comportamento de pedestres, que invadem a ciclofaixa da Nilo Wulff sem nenhuma necessidade (nem vantagem, tampouco) tbém não se aplica à ciclo-calçadovia, uma vez que nesta, evidentemente, não há opção a não ser compartilhar, já que não existe calçada propriamente dita.

    Peço desculpas pela confusão, causada em parte por minha ignorância do fato que aquilo é ou pretende ser uma ciclovia. Fato que aliás fala por si.

    [ ] fraterno

    a.

    ———

  12. Aldo disse:

    Eu também nunca havia entendido essa tal ciclovia da Restinga, mas achei que obviamente era porque nunca havia ido lá. Agora que fiquei sabendo que nem tu conseguiste identificar que aquilo era uma ciclovia, só pode haver uma explicação: não é. Uma pena ninguém ter se dado conta disso na fase de projeto. Agora é chorar pelo leite derramado e ficar atento para que os projetos que estão sendo elaborados não tenham vícios como esse.

  13. Felipe Koch disse:

    Esta “ciclovia” é bidirecional?

    Quanto ao comentário do Capellari “Estamos construindo uma ciclovia e não uma pista de corrida. Não creio que os postes sejam um complicador para os usuários de bicicletas”, este poderia ser parafraseado pelos cidadãos para as principais avenidas da cidade (inclusive a Loureiro da Silva):

    “Estamos falando de vias e não pistas de corrida. Não cremos que ciclovias sejam um complicador para os usuários de automotores.”

    Mas a atitude atual da EPTC e da prefeitura é que as vias são, sim, pistas de corrida, em que deve eliminar-se todos os obstáculos que impeçam a maior velocidade possível aos carros particulares.
    Claro que sempre em vão, mas isso não importa, o que importa é “passar a imagem” de que estão do lado dos viciados em carro (ou desistentes do transporte público) e da indústria automobilística e empreiteras alargadoras de vias (financiamento de propaganda política e caixa 2).

  14. Pessoal, agradeço por postar essa matéria, é bom saber que os ciclistas estão de acordo que esta obra tem coisa errada. Disseram que eu me antecipei em denunciar, mas depois de pronto não adianta!
    Obrigado! Abraço.

  15. Marcelo Sgarbossa disse:

    Colegas

    Sugeri na última reunião da EPTC formar uma espécie de Observatório de Implementação das Ciclovias.

    Uma forma de dialogar e ir apontando os erros que podem surgir durante as obras. Ou alguém acha que a ciclovia da Ipiranga não pode apresentar “surpresas” quando entregarem a obra?

    O Vereador Mauro Pinheiro certamente seria parceiro.

    Fica a sugestão. Abraços!

    marcelo sgarbossa

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