“A pista já é estreita e a colocação de uma ciclovia a estreitaria ainda mais”

Essa foi a justificativa do diretor-presidente da EPTC para a “ciclovia” da Restinga estar desse jeito. A meu ver, uma ciclovia jamais deve ser sobre a calçada, e sim ser outra pista. Mas só para mostrar como o estado dessa “ciclovia” não é por falta de espaço, e sim por desleixo, fiz uma tosca e rápida alteração na foto:

Ou seja, mesmo utilizando a calçada para fazer ciclovia, dá pra fazer alguma coisa decente (e sem tirar um centímetro dos intocáveis). Mas a falta de vergonha na cara é tão grande que nem isso foi feito. Lembrando que o orçamento disso é de 1,5 milhões de reais.

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17 respostas para “A pista já é estreita e a colocação de uma ciclovia a estreitaria ainda mais”

  1. airesbecker disse:

    O Capelari vai melhorar como pessoa no curso deste processo, assim espero!

  2. Felix disse:

    Que bagaceirice, que chinelagem, que trabalho de porco. Quão difícil pode ser pavimentar uma calçada e deixar uma faixa vermelha, com bicicletinhas pintadas, e meia dúzia de placas de sinalização??

    No site http://highner-and-bikes.blogspot.com/2011_05_01_archive.html, que é um blog alemão, tem várias imagens de ciclovias como comumente são na Alemanha. Isso que as fotos mostram situações de desrespeito à ciclovia, com carros estacionados em cima, etc.

    Abs,
    Felix

  3. Aldo disse:

    Todos sabem que, em Porto Alegre, a responsabilidade pela calçada é do proprietário do imóvel. Neste caso, não há pavimentação do passeio público, mas a Prefeitura fez de conta que havia e construiu uma ciclovia de faz-de-conta na “calçada”. E com o nosso dinheiro, que não é de faz-de-conta.

    • Melissa disse:

      Eu sei que a responsabilidade é do proprietário, mas a prefeitura quando quer MESMO, pode fazer alguma coisa. Quando há uma verdadeira vontade, sabe? O caso ridículo de quererem tirar os canteiros das calçadas do Bom Fim é um exemplo. Isso jamais é desculpa pra deixar essa “ciclocoisa” desse estado.

      • Aldo disse:

        Concordo, Melissa! Na verdade a Prefeitura É responsável pelos passeios públicos. Se ela resolve “passar a bola” para os proprietários, deve ter meios de garantir que eles sejam bem feitos e mantidos, senão ela mesma deve fazê-lo. Acho que a lógica deve ser esta. Se sou um pedestre e acho uma calçada ruim eu irei reclamar à Prefeitura, não ao proprietário, certo? Não podemos aceitar esse jogo de que a Prefeitura não tem nada com isso.

  4. Olavo Ludwig disse:

    Eu também acho mais correto construir uma ciclovia diminuindo espaço de circulação de carros e não de pedestres (justamente para desincentivar o uso do carro), mas não vejo tanto mal construir uma ciclovia sobre calçadas, quando há calçadas, quando tem espaço suficiente para isso e principalmente quando a há um fluxo de ônibus considerável e não há um corredor de ônibus.
    O que mais me incomoda com essa história em Porto Alegre é a questão da calçada não ser responsabilidade da prefeitura. Eu sempre lembro da fala da Renata Falzoni sobre o assunto:
    “O que que as cidades precisam? Elas precisam unificar a autoridade que responde por trem, metrô e ônibus. E esta mesma autoridade controla o planejamento urbano, provê calçada e estrutura cicloviária”

    • Aldo disse:

      Quando soube que, no plano cicloviário, a maioria das ciclovias seria sobre calçadas, logo deduzi que elas seriam alargadas para comportar pedestres e ciclistas. Parece-me óbvio que não se pode reduzir o já insuficiente espaço do pedestre. Mas pelo jeito, a Prefeitura está se fazendo de louca e interpretando que as ciclovias irão roubar espaço das calçadas. Ora, por favor! Querem nos fazer de idiotas?

  5. Pablo disse:

    Uma coisa é óbvia, não pode existir ciclovia onde não exista calçada. A ciclovia até pode estar em cima de uma calçada (seria melhor que não estivesse), mas a calçada tem que existir para dar a possibilidade do pedestre transitar de forma segura e agradável.
    Em qualquer via ou avenida, a implementação de uma ciclovia deve ser antecedida pelo calçamento.
    Porto Alegre é uma cidade pouco provida de qualquer estrutura cicloviária, acho que tanto os ciclistas quanto a administração e seus gestores estão aprendendo muito nos últimos tempos.
    É errando que se aprende, mas poderiam tentar errar um pouco menos e usar melhor o dinheiro público.

    • Aldo disse:

      Podem até estar sobre as calçadas como em Amsterdam, muitas vezes. Só que lá, quando há ciclovias nas calçadas, estas tem pelo menos uns oito metros de largura, sendo apenas dois metros para a ciclovia unidirecional e uns seis metros para os pedestres. De onde saíram calçadas tão largas? Reduzindo as faixas para automóveis, é claro!

    • Melissa disse:

      Sábios que os holandeses são em termos de mobilidade, talvez nem chegaram a fazer pistas muito largas nas cidades pra ter que estreitar (posso estar errada).

      • artur elias disse:

        As cidades holandesas (como em toda a Europa aliás) são antigas. Muito anteriores ao advento do motor a explosão, e do automóvel portanto. As ruas de cidades ou bairros antigos têm uma configuração pré-industrial: são estreitas, boas para pedestres, cavalos, bicicletas, e até carruagens. Os britânicos ainda chamam rua de “carriageway” – “trilha para carruagem”. Então elas não foram reduzidas; é que elas nunca foram largas mesmo. Isso em termos gerais. Em algumas cidades maiores existem obviamente vias arteriais alargadas.

        Na Alemanha existem mais ruas alargadas – possivelmente uma conseqüência da destruição quase completa de todas as grandes cidades pelos bombardeios aliados na II Grande Guerra, mais o boom econômico que se seguiu, alavancado com dinheiro dos ex-inimigos.

        Na Alemanha, ciclovias sobre as calçadas são comuns – muitas vezes em espaço exíguo, que exige disciplina e cuidado dos usuários (tanto pedestres como ciclistas). Os ciclistas alemães reclamam muito das ciclovias. Mesmo assim, os números de adesão à bicicleta da Alemanha são MELHORES que os da Dinamarca. O espírito crítico é algo que na Alemanha alcança dimensões inimagináveis (não necessariamente uma virtude).

        Não existe solução mágica e perfeita. Mas existe gente muito boa de marketing. E a grama do vizinho sempre parece mais verde.

        Eu acho muito importante a gente se informar sobre como são as coisas em lugares suposta ou realmente mais civilizados. E acho igualmente importante ir fundo nisso, não ficar só em informações/impressões superficiais.

        E aí é necessário adaptar, recriar. Nenhum país se tornou civilizado APENAS imitando os outros.

  6. Aldo disse:

    A atual conformação das calçadas e ruas parece ser bem moderna lá, então deduzi que as calçadas foram alargadas. Há ruas centrais com apenas uma faixa para carros.
    Fiz uma pesquisa agora e descobri que houve uma evolução ao longo dos séculos. Não faz muito tempo que as calçadas ficavam no nível das ruas e havia (e ainda há) aqueles “postezinhos” de metal para evitar que automóveis destruíssem as calçadas. Imagino que a pavimentação das calçadas tenha sido bem anterior a das ruas, então deve ter se iniciado com calçadas estreitas. Atualmente, as calçadas estão sendo gradativamente elevadas, com a colocação de meios-fios, dispensando os cones metálicos de separação.

    http://en.wikipedia.org/wiki/Amsterdammertje

  7. airesbecker disse:

    Tudo bem!
    Cheguei agora mesmo do aeroporto no hotel aqui em Amsterdam, vim ver no local a questão das ciclovias.
    Amanhã já espero ter fotos, que coloquei a máquina para carregar.
    Amanhã cedo vou pegar as bikes e passar 10 dias pedalando aqui.
    Na saída do metro com as malas já levei umas buzinadas de uma scooter a gasolina que vinha na ciclovia e eu queria puxar as malas na ciclovia que tem pavimentação bem melhor e é sim sobre a calçada. Aliás logo via algumas scooter nas ciclovias, não foi só uma.
    Quando estive na Finlândia era o mesmo esquema, andava de bicicleta na ciclovia mas se saía para a calçada de pedestres era encrenca certa, uma vez andei onde não podia e logo levei a minha bronca.
    O que eu entendo é que a ciclovia aqui é um direito mas também é uma obrigação, tem onde andar, mas têm que andar no lugar certo.
    Outra coisa que perturba a nossa cultura são os pedestres esperando abrir o sinal para atravessar a rua mesmo quando não vem carro de nenhum lado, ficam esperando o sinal abrir, quando no Brasil já teriam se atirado no meio da rua de qualquer jeito.
    Estive observando a cidade de cima e observei que existem duas situações urbanísticas bem distintas, uma antiga e outra moderna.
    Um ponto principal é a diferença de desenvolvimento econômico que não dá para comparar.
    Não dá para colocar em comparação uma situação da Holanda com a Restinga, com todo o respeito, mas é diferente.
    De cima já dá para ver que o país é muito desenvolvido tem portos enormes, muitos canais e rios cheios de navios, agricultura muito avançada, muitas industrias, estradas de ferro e vias expressas excelentes.
    Então posso dizer quem quer andar de carro consegue com toda a estrutura.
    Sobre a urbanidade existe a parte antiga, onde as ruas são de fato estreitas como sempre foram, ainda entrecortada de canais que antes eram os responsáveis pelo transporte, e os bairros novos com o planejamento urbanístico foi bem feito, deixando boas áreas verdes, parques, campos de golfe, largas calçadas, ótimas ciclovias, ruas e vias expressas.
    Isto que a
    Holanda é um país bem pequeno.
    Acho um paradoxo nós não termos espaço para desenvolvimento e sustentabilidade no Brasil, que é um país enorme e não tão povoado, inclusive com a população estabilizada.
    Até a amanhã.
    Abraço.

    • artur elias disse:

      Que jóia, Ayres – nada como poder observar as coisas in loco, em vez de ficar repetindo o que se ouviu dizer ou mesmo o que se pode estudar à distância.

      “Acho um paradoxo nós não termos espaço para desenvolvimento e sustentabilidade no Brasil, que é um país enorme e não tão povoado”

      Não é tão paradoxal assim. Como você mesmo disse, não dá pra comparar – o poderio econômico. Imaginem o que é o orçamento da SMOV da vida em Amsterdam. Nos EUA os números são ainda mais fantásticos, é algo que surreal para nós. Espaço nós temos, o que falta é $ (e precisa MUITO) para fazer realocações, modificações viárias profundas, obras novas, etc. Mesmo que tivéssemos grande discernimento e know how nessa área (e não temos).

      Com lucidez e criatividade, e valores construtivos, e um pouco de grana, podemos fazer muita coisa. Não é necessário ser rico para ser feliz. Mas é necessário ser tolerante.

      • Olavo Ludwig disse:

        Eu não consigo aceitar que nos falta dinheiro. Pelo que vejo e algumas coisas que sei de fato falta é se colocar o dinheiro que se tem nos locais que são necessários e não nos que compra-se votos. Um exemplo: a verba que a EPTC poderia arrecadar, se tivesse mais fiscais e estes efetivamente multassem a cada infração, é praticamente infinita em Porto Alegre. Com o tempo esta verba diminuiria, mas ai já teria se feito muita coisa. Não precisava nem ter mais fiscais era só multar utilizando as imagens daquele centro de monitoramento maravilhoso que eles tem lá.

      • airesbecker disse:

        Estive vendo aqui, perto de Amsterdam, uma cidade chamada Almere, foi toda planejada a partir de 1976, quanto foi retirada do mar a sua localização, hoje a cidade tem um plano de duplicação.
        Ta certo que a realidade é diferente.
        Por um lado temos de ser realistas, mas temos que entender que os princípios são os mesmos.
        Principalmente a sustentabilidade, a livre escolha e o direito de ir e vir.

      • Aldo disse:

        Domingo, eu fui pedalar nas “ramblas” de Montevideo. São avenidas de duas, três ou quatro pistas em cada sentido junto ao Rio da Prata e mais faixas de estacionamento demarcadas nos acostamentos com linha branca contínua, além de calçadas bem largas. Aos poucos fui percebendo umas bicicletas pequenas pintadas nas faixas de estacionamento. Deduzi que foram feitas com moldes de chapas de raio-x recortadas e tinta spray colorida pelos próprios ciclistas. Pronto! Está feita uma ciclovia com muitos quilômetros de extensão por menos que os um milhão e meio de reais daquela da Restinga!

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