Ciclovias… Não basta fazer, é preciso sinalizar e fiscalizar.

O Código de Trânsito Brasileiro determina que, quando exista ciclovia ou ciclofaixa em uma via, obrigatoriamente, os ciclistas deverão trafegar por elas, deixando a pista de rolamento somente para os carros e a calçada somente para os pedestres:

 Art. 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação
de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou
acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da
pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a
via, com preferência sobre os veículos automotores.
 

 Como se não bastasse a quase inexistência de ciclovias e ciclofaixas em Porto Alegre, qualquer ciclista que tenta utilizar estes espaços, literalmente, pedala em uma verdadeira pista de obstáculos, colocando em risca a sua própria vida e também daqueles que não respeitam estes espaços.

São carros e motos que invadem ou não respeitam a preferência dos ciclistas ao saírem de garagens ou locais de estacionamento, sem falar de um grande número de pessoas que correm ou caminham dentro de ciclovias e ciclofaixas, ignorando totalmente as normas impostas pelo Código de Trânsito.

Foto: Beto Furtado.

Na Ciclovia de Ipanema foram instaladas diversas placas indicando a proibição do tráfego de bicicletas no calçadão, mas não existe qualquer sinalização indicando a proibição do tráfego de pedestres e veículos automotores na ciclovia.  Isso faz com que o espaço que é de uso exclusivo das bicicletas seja literalmente tomado por pessoas que sentam, caminham, correm e realizam as mais diversas atividades de forma irregular naquele espaço. Recentemente flagramos até cavalos circulando na ciclovia.

Vale salientar que segundo o artigo primeiro do CTB, “considera-se trânsito a utilização das vias por pessoas, veículos e animais, isolados ou em grupos, conduzidos ou não, para fins de circulação, parada, estacionamento e operação de carga ou descarga”.

Cavalo circulando na Ciclovia de Ipanema.

Desde a instalação da primeira ciclovia em Porto Alegre, nunca se viu qualquer tipo de fiscalização ou campanha educacional voltada aos pedestres e condutores sobre a forma de utilização e destinação do uso destes espaços.

Já está mais do que na hora da EPTC cumprir com suas obrigações, sinalizar de forma adequada as ciclovias, destinar agentes para fiscalizar, advertir e instruir pedestres e condutores de veículos automotores sobre o uso e respeito destes espaços, eliminando confrontos e a eminência de um acidente mais grave entre ciclistas e pedestres.

Modelo de sinalização que poderia ser utilizada em Porto Alegre.

Ciclista disputando espaço com cavalo que passeia na ciclovia.

Fonte: Poabikers

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12 respostas para Ciclovias… Não basta fazer, é preciso sinalizar e fiscalizar.

  1. Pedro Ayres disse:

    E é preciso também que elas levem a algum lugar. Essa ciclovia passa uma mensagem clara de que é uma área de lazer, porque ela começa no fim de uma avenida que leva até Ipanema, e termina pouco mais de um quilômetro adiante, quando a via fica mais estreita. É um convite ao lazer, não ao deslocamento. Essa é a mensagem implícita que é passada. No verão até o vendedor de picolé se instala no meio da ciclovia.

    E aqui aproveito para fazer um comentário sobre a zona sul: tem se discutido algumas ciclovias aqui e acolá, e elas parecem terminar na avenida Icaraí. Há uma multidão mais para o sul em bairros como Ipanema, Guarujá, Serraria, Ponta Grossa, Hípica, Aberta dos Morros etc. Para esses, resta disputar a selvageria do trânsito em avenidas como Edgar Pires de Castro, Juca Batista, Eduardo Prado, Coronel Marcos.

    Afinal, o sul é longe, quem se deslocaria de bicicleta até o centro?

  2. Melissa disse:

    Lendo o início do post, pensei em comentar se existe uma placa brasileira que sinaliza que ciclovia é apenas para bicicletas. Vendo a penúltima foto, devo concluir que sim. É que lembro de termos solicitado uma placa pra EPTC (não lembro qual), mas eles disseram que não podem “inventar” uma nova placa ou qualquer sinalização, que devem seguir padrões nacionais.

    Eu sempre pensei que não me importaria se alguém de skate, roller ou patinete utilizasse uma ciclovia, pois os considero potenciais meios de transporte também. O problema é que permitir eles também dá margem pra cavalos, corredores, poodles, carrinhos de bebê, etc, que sou absolutamente contra. E legalmente, qualquer coisa que não é bicicleta em uma ciclovia é infração.

    Tem uma questão que a meu ver merece um novo post, e que sem dúvida será assunto de discussão: bicicletas elétricas poderão utilizar as ciclovias? Até onde eu sei, pela legislação, elas são proibidas nas ciclovias e ciclofaixas. Mas vou pesquisar isso mais a fundo.

    • Aldo disse:

      Eles poderiam ter colocado duas placas: uma de bicicleta e outra de pedestre para identificar os espaços. Em Montevideo, fizeram assim, e acho bastante lógico.
      Aqui em Porto Alegre, chega a ser engraçado, a sinalização é de “proibido bicicletas”. Eles parecem adorar essa placa…

      Bicicletas elétricas são uma história triste no Brasil. Foram classificadas pelo Contran como motonetas com motor a combustão interna de até 50 cilindradas e velocidade até 50 km/h. Acho que é o único país do mundo com essa interpretação esdrúxula. Para completar, o IPI é bem maior que o de um automóvel de luxo (40%) e, por ser “motoneta”, precisa emplacar e pagar seguro obrigatório (O IPVA é isento, pelo menos no RS) de mais de R$400 anuais, o triplo do que paga um automóvel ou mesmo um caminhão.
      Não dá para pensar em outra coisa que não sabotagem promovida pelos lobistas da indústria do automóvel.

      Nos outros países, as legislações mais restritivas à bicicleta elétrica impõe mecanismos que obrigam o ciclista a pedalar para que o motor funcione, e apenas até 24km/h. A potência do motor, no pior dos casos é limitada a 250W, ou 1/3 HP. Veículos com estas características se equiparam a bicicletas para todos os efeitos em qualquer país do mundo, pelo menos que eu tenha notícia, exceto no Brasil.

  3. Felipe Koch disse:

    Vídeo pertinente ao tópico, que fiz faz algumas semanas, mas agora tive tempo de editar.
    As ciclo-coisas da cidade que são voltadas ao lazer e não ao transporte, estão cada vez mais voltadas para o depósito de veículos automotores e equipamentos de obras para a COPA.
    Não pode a EPTC dizer que leva a questão dos modais alternativos de transporte (alternativos ao carro, usado por uma minoria) enquanto permitir que se abuse de calçadas e ciclovias.

    Vai o link:

    • Olavo Ludwig disse:

      Bah…estacionamento lotado então a EPTC liberou!!! E ai Cappellari o que é isso?

    • Melissa disse:

      EPTC é a casa da Mãe Joana!

    • Melissa disse:

      Vou contar uma outra história: um domingo desses a gente tava pedalando por aquele corredor de ônibus que fica fechado pros automóveis, na Érico Veríssimo. Eu mal tinha idéia que ia ter jogo de futebol depois. E não é que quando chegou aquela manada búfalos, ops, carros de torcedores, um agente da EPTC apareceu e liberou o corredor pra eles?!

      Fui falar com ele, indignada, e ele disse que seu trabalho ali era tirar os ciclistas, os corredores, as crianças, etc, para nos proteger dos carros! Enquanto ele falava, passavam uns torcedores dentro de carros xingando ele de graça, sendo que ele não estava os impedindo de nada. Eu vi que ele também tava indignado com aquilo, mas fazer o que, tinha que cumprir ordens. Perguntei se a EPTC não tem autoridade para dizer que eles não podem utilizar o corredor de ônibus, e ele ficou daquele jeito…

      Cada dia eu me convenço mais que a palavra ideal para definir a EPTC é “frouxa”.

      • Felipe Koch disse:

        Se a idéia era “proteger” por que não colocar mais agentes na entrada do corredor, para impedir os carros de entrarem?
        Que papinho brabo…
        Daqui a pouco teremos que mandar as pessoas que não circulam de carro (maioria) ficar em casa, para sua própria proteção, pois o trânsito está uma loucura (!!??).
        Talvez um toque de recolher na hora do rush, e liberar a calçada para dar vazão aos carros. É só o que falta.
        Ainda mais agora na Copa, que os turistas alugarão carros para se locomover…já que inexiste infraestrutura para cilcistas, pedestres e para ônibus fora dos corredores.
        Parabéns para a EPTC!!!

      • Aldo disse:

        Já passei exatamente pela mesma situação. Quando reclamei ao agente que não havia sequer sinalização avisando aos pedestres e ciclistas que a pista estava liberada para os carros, ele me disse que todo mundo já sabe que é assim em dia de jogo e é avisado pelo jornal. Ou seja, de um lado, os agentes orientam os motoristas a entrarem no corredor como se este estivesse livre, do outro, nenhum agente avisa às pessoas que, de repente, virá uma avalanche de carros. É nada menos do quer uma armadilha para matar pedestres e ciclistas, pois há até sinalização de pista exclusiva para bicicletas aos domingos para servir de isca.

      • Aldo disse:

        Felipe, os agentes estavam lá para deliberadamente direcionar os automóveis para uma pista sinalizada para trânsito exclusivo de bicicletas, obviamente ocupada por pedestres e ciclistas passeando tranquilos por ali.

  4. Robert Laux disse:

    Deixem os cavalos em paz! Também podem se deslocar, ou não?

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