Mejor en Bici (Buenos Aires)

Em termos de mobilidade em cima de uma bicicleta, passar uma semana em Buenos Aires me acrescentou experiências interessantes. Lamento muito que lá roubaram minha câmera digital com todas as fotos legais que tirei das ciclovias e ciclofaixas, então vou ter que usar umas imagens que achei pela internet.

A presença de ciclistas nas ruas de Buenos Aires é notável (muito mais do que Porto Alegre). Pelos relatos que li, esse aumento de pessoas que optam pela bicicleta começou quando a prefeitura implementou as bicisendas (ciclovias/faixas). Até o momento, são 65km, e o objetivo é uma rede integrada de 100km.

Carro é o que não falta em BsAs

O programa de bicicletas de Buenos Aires é louvável, pois a capital argentina é repleta de carros particulares, mesmo com o transporte público e o metrô (que não sei avaliar a qualidade). Vi avenidas exageradamente largas, e muitas ruas estreitas com fedor de poluição. Gosto de comparar com Porto Alegre pois estamos quase sempre com referências européias, e a cultura dos argentinos é muito mais próxima à nossa.

Apesar de eu ter muitas críticas às bicisendas e ao trânsito de Buenos Aires, não posso negar: em termos de cidade ciclável e trânsito seguro, eles estão muito na nossa frente. Com exceção de um taxista maníaco, ninguém me buzinou enquanto pedalava com a bicicleta antiga que comprei lá, mesmo nas avenidas mais atormentadas. É claro que eu acho esse simples fato ótimo porque estou acostumada com Porto Alegre.

A grande diferença é que, ao contrário das capitais brasileiras, me pareceu que ninguém em Buenos Aires acha que o ciclista não deve andar na pista, que é um fora-da-lei sobre rodas. Só o fato das pessoas saberem que a bicicleta é um meio de transporte e deve andar na pista faz uma enorme diferença, é até mais importante do que ciclovias. Claro que isso tudo é baseado na minha experiência e pode não ser bem assim.

Pois então, as bicisendas… não achei nenhuma excelente. As melhores são as bidirecionais com proteção, como na foto abaixo. Isso porque as que não tem essa proteção de concreto contam com carros estacionados. A largura é de um metro para cada direção, o que é um espaço apertado. E geralmente o ciclista que está do lado do cordão está pedalando sobre um concreto desnivelado, o que é bastante incômodo. As pessoas caminham sobre a bicisenda sim, até porque a calçada ao lado quase nunca é larga.

Ciclovia sobre a pista: só em ruas calmas

Uma coisa que reparei é que todas as bicisendas que vi (unidirecionais e bidirecionais) são no lado esquerdo do sentido do tráfego. Isso faz sentido para as bidirecionais, pois o ciclista que está no sentido contrário pedala mais longe dos automóveis. Algo que estranhei: mesmo nas ruas que não tem bicisenda, a grande maioria dos ciclistas pedala ao lado esquerdo!

Em avenidas largas, ciclovia sobre a calçada...

Outro aspecto notável é que as bicisendas sobre a pista foram implementadas apenas em ruas mais calmas. Em algumas grandes avenidas, elas estão sobre a calçada, sendo que ao lado tem uma pista enorme de umas cinco faixas mais estacionamento! Aquele velho medo de “atrapalhar os carros”…

Sem comentários...

Mas dentre todas as experiências, a que foi realmente tensa foi utilizar as bicisendas unidirecionais. Elas são assim: em uma rua pequena, pega-se um metro daquilo que sobrou da pista, que tá esburacado, desnivelado, pinta-se duas faixas brancas ao lado e tá pronto, o ciclista que se vire naquele cantinho que ninguém quer passar seu pneu! Sério, é melhor não ter ciclofaixa do que ter uma assim! Eu utilizei por experiência mesmo, outros ciclistas passavam fora dela, com razão. Esse foi o único momento que os carros passavam realmente fino por mim.

Outra curiosidade é que na região que fiquei hospedada, muitas quadras contam com bons bicicletários, mas os ciclistas não usam! Preferem amarrar nos postes, alguns metros ao lado, por algum motivo. Quem acaba utilizando o bicicletário são os motoqueiros.

Em Buenos Aires também tem um sistema de transporte público de bicicletas, e gratuito! É só levar o comprovante de residência pra fazer o cadastro (turista ainda não pode) e pronto, depois se entrega a bicicleta em outra estação, a mais próxima de seu destino.

http://mejorenbici.buenosaires.gob.ar/

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12 respostas para Mejor en Bici (Buenos Aires)

  1. Excelente o teu relato, Melissa! 🙂

  2. airesbecker disse:

    Estive dois dias em Buenos Aires nestes dias e vi um pouquinho destas ciclosendas e bastante gente de bicicleta.
    Reparei em uma cultura própria de bicicleta que usa muitas bicicletas antigas recicladas e uma minoria de MTB.
    Fiquei com pena de não ter usado as bicicletas de empréstimo, mas agora fiquei sabendo que não são permitidas para turista. então não perdi nada, fica para a próxima.

  3. Fernando disse:

    Não entendo porque aqui temos que criar tanto problema para começarmos a construção de nossas ciclo-faixas, lá pintaram uma linha amarela e iniciaram a mudança cultural que tanto queremos ver por aqui. Minha opinião é que se não ficar adequada a primeira ciclo-faixa devemos bater na porta da EPTC para conversar e corrigir os problemas para as próximas!!! Pelo que percebo a equipe técnica da EPTC que está tratando deste projeto parece ser compreensiva e aberta ao debate.

    • Aldo disse:

      Ciclofaixa em Buenos Aires só em ruas calmas, frisou bem a Melissa. Aqui em Porto Alegre, ha uma posição dúbia da Prefeitura: A Engenharia recomenda ciclovia, mas precisaria reduzir faixas de automóveis ou estacionamentos. A Prefeitura não aceita discutir isso e só cede espaço para ciclofaixas estreitas demais e sem segregação, mesmo em avenidas com tráfego intenso e de alta velocidade. Ou seja, a Prefeitura não apresentou até agora uma proposta de ciclovia/ciclofaixa que fosse ao menos coerente com suas próprias recomendações técnicas.
      Alguns dos que costumam postar aqui, apresentaram um projeto de ciclovia de Nova Iorque implantado em uma avenida quase idêntica à Loureiro da Silva, e a EPTC está analisando-o.
      A proposta de uma ciclofaixa estreita e posicionada à direita em uma avenida como a Loureiro parece ser extremamente incomum pois ainda não foi encontada nenhuma similar que já tenha sido implantada. De fato, diversas normas ou estudos de tráfego internacionais apontam diversos problemas graves para as situações que aparecem naquela solução. Li uma comparação curiosa: o ciclista em um ciclofaixa à direita em um cruzamento em que há um fluxo intenso de carros convertando à direita, é como um pato desfilando em uma galeria de tiro.

      • Felipe Koch disse:

        Na minha opinião, a solução para as conversões à direita é uma bela sinaleira, que permitiria, também, aos pedestres atravessarem a avenida.

      • Aldo disse:

        Na verdade, seriam então necessárias várias sinaleiras.
        Por mim estaria ótimo, mas acho que isto restringiria mais o fluxo de veículos que a supressão de uma faixa, e por isso teria muito menos chance de ser aceito pela EPTC.
        De qualquer forma, esta idéia só resolve o conflito nas conversões. Sem uma separação do tráfego dos veículos em alta velocidade ou redução da velocidade máxima permitida, continuaria o alto risco inerente à proximidade entre carros e bicicletas nesta avenida.

  4. Melissa disse:

    Suipacha é uma rua bem agradável que tem no centro, hoje tem uma bicisenda bidirecional. Esse vídeo foi feito antes das obras, são opiniões de comerciantes e motoristas. Achei interessante que antes de fazerem a bicisenda, tinham comerciantes favoráveis (não é o que aconteceu até hoje aqui).

  5. Diego Alves disse:

    Morei em Buenos Aires por 2 anos, e realmente a cultura de bicicileta é bem forte. A evolução na estrutura viária para ciclistas na cidade é a prova de que, com boa vontade politica as coisas acontecem. Isso que o chefe do governo não é do partido da presidenta.

    • Aldo disse:

      A cada dia me convenço mais que a cultura da bicicleta em Porto Alegre é bem maior do que aparenta ser. Há milhares de ciclistas pedalando devagar, junto aos meios-fios, incrivelmente discretos, que todos os dias, bem cedo a ao anoiteicer, ocupam nossas ruas. É preciso prestar muita atenção para notá-los. Com ciclovias, eles ficariam bem mais visíveis, eu imagino, e aí nos surpreenderíamos com o seu repentino “aparecimento”.

  6. Tatiana Mesquita disse:

    Melissa, as bicicletas publicas de buenos aires ainda nao estao disponiveis para os turistas? sera que um documento do hotel nao serviria de comprovante de “residencia” provisoria, rsrs???

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