Entrevista (traduzida) de Mikael Colville-Andersen após pedalar em SP

Transcrito diretamente do site do blog BemVindoCicloturista:

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(Por Racquel Tomaz)

Depois da visita do autor do Copenhagenize, Mikael Colville-Andersen, ele contou como foi a experiência de pedalar na cidade de São Paulo. É triste ver a impressão que o nosso país deixou na pessoa que é a maior referência cycle-chic no mundo.

A seguir, você pode conferir a tradução do relato de Mikael, que você encontra em inglês no site Copenhagenize.com.

Vida de bicicleta em São Paulo

Com todas as viagens que eu faço para falar em cidades ao redor do mundo eu sempre obtenho o prazer de me encontrar não só com os políticos, mas também com a multidão de ciclistas locais e defensores do ciclismo. É uma fonte constante de inspiração ver o que o último grupo está fazendo na área e experimentar, com eles, as condições para o ciclismo em sua cidade. Eu me sinto privilegiado por ter conhecido tantas pessoas maravilhosas ao redor do mundo e de ter montado em bicicletas com eles em inúmeras cidades.

Eu posso não ser muito exato, mas a multidão em São Paulo foi, de alguma forma superior ao resto. Eu tive um momento tão inspirador com todos eles durante os meus quatro dias na cidade. E que cidade louca. Há sete milhões de carros – com 3.000 carros novos chegando às ruas a cada dia – e um milhão de motos. As motos são loucas. Eles são como enxames de vespas no trânsito com o gemido agudo de seus motores e a forma como eles navegam loucamente com o tráfego. Dois motociclistas morrem por dia em São Paulo.

Os ciclistas estão lutando por uma cidade mais bicycle-friendly e sua luta em São Paulo torna cidades norte-americanas parecem cidades holandesas ou dinamarquesas. Eu tuitei quando eu estava lá, mas os ciclistas na Europa, América do Norte e Austrália devem tentar pedalar em São Paulo a fim de perceber o quão boas são as condições em que vivem.

Os ciclistas são hardcore. Eles são ciclistas destemidos e ainda fortes, sóbrios. Os que pedalaram comigo, quando confrontados com um ônibus ou carro que iam cortá-los, fizeram a sua presença percebida, mas eles gritavam mensagens positivas, em oposição a essa tendência muito anglo de ficar agressivo.

Contudo, pedalar pela cidade durante quatro dias com essas pessoas foi inspirador e agradável. São Paulo tem uma longa jornada pela frente para restabelecer a bicicleta como transporte e construir infraestrutura para bicicletas.

A cidade, como tantas outras, transforma-se aos domingos para a Ciclofaixa, onde as rotas seguras são isoladas para passeios de bicicleta e ciclovias através de alguns dos parques estão cheias de famílias desfrutando de um passeio.

Ironicamente, a Volks patrocina ciclovia pintada de azul através de um dos principais parques.

Há algumas instalações decentes para estacionamento em certas estações de metrô, o que é sempre encorajador.

Uma das coisas mais estranhas na cidade é essa ciclovia de 14 km de extensão ao longo do rio – o rio mais fedido que meu nariz já sentiu, mas bem. Ótimo com uma ciclovia para um passeio de bicicleta, mas o acesso ao caminho só está disponível em três estações de trem e o caminho é fechado à noite.

Existem instalações ao longo do caminho – banheiros e água – o que, novamente, é legal. Havia alguns ciclistas, mas eram, em sua maioria, cidadãos comuns indo para um passeio no domingo que eu estava lá.

E no domingo havia bikes de reparação de bicicletas caso alguém tivesse um problema técnico ou pneu furado.

São Paulo está anos-luz atrás de outras cidades na busca de trazer a bicicleta de volta. Estas únicas flores em uma árvore quase nua, no entanto, são um sinal de esperança e otimismo. E tantas pessoas boas que defendem a bicicleta são o alimento que vai ajudar o jardim a crescer.

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4 respostas para Entrevista (traduzida) de Mikael Colville-Andersen após pedalar em SP

  1. PinhaFixa disse:

    Puxa… superbacana, e ao mesmo tempo triste, se ele viesse a porto alegre acho que ficaria mais chocado com a tradicional grosseria gauchesca ao volante. Hoje de carro, com perfis de alumínio de 6 metros de comprimento em cima, tentei trocar de pista na Wenceslau Escobar em frente ao Vendedor americano de hambúrguer… adivinha se alguém foi capaz de abrir uma pequena brecha para eu passar??? Tive de forçar a barra e fui xingado, muito xingado, talvez porque aquela pessoa estava já nervosa de ter de vir do centro ao bairro na hora do rush em passo de formiguinha esmagada… ao descer a lomba para Ipanema fui para a direita e deixei ele passar, fiz sinal e ele passou continuando a me xingar, ao chegar na sinaleira do Bolonha em Ipanema o sujeito ficou do meu lado, abriu o vidro e começou um discurso absurdo de que eu tinha cortado a frente dele, ignorei e virei a esquerda na Dea Coffal, nisso ele quase mata um ciclista que estava para entrar na ciclovia da Av. Guaíba… Isso minha gente é só uma amostra do que me acontece todo dia. Já disse aqui antes, acho que vou fazer um documentário com uma câmera dentro do meu carro…

  2. lobodopampa disse:

    “É triste ver a impressão que o nosso país deixou na pessoa que é a maior referência cycle-chic no mundo”

    Bom, ele viu uma cidade, não ‘o Brasil’. Não digo que isso não seja triste, mas não dá pra estender esta impressão a um país inteiro, muito menos um de dimensões continentais e imensa diversidade cultural.

    A não ser que ele entre na onda dos paulistas (não todos, obviamente) que acham que São Paulo é o centro da galáxia, não apenas do país…

    Na verdade é uma boa lição que mostra o quando São Paulo fez escolhas erradas ao longo de sua história.

    Isso mostra que podemos aprender mais evitando, do que imitando, o que eles fazem/fizeram.

    • Marly disse:

      De fato, ela é uma Metrópole na América do Sul, e sempre foi aberta a todos brasileiros que a procuram, sejam quais forem seus objetivos. Felizmente, ela se diferencia de certos locais com motoristas temperamentais, egocêntricos e se achando sempre necessários para o resto do país. Dentre tantos desrespeitos no trânsito daqui que não pune na hora, vimos todos, no último dia 25/02, uma mostrinha em vídeo, ao vivo, e a cores do tratamento que ciclistas recebem. Somos o mesmo país Brasil, ou nós aqui para sermos respeitados teríamos que sair nas ruas com laços e berrantes para ser diferentes do que eles fazem/fizeram? Triste mesmo eu achei foi a comparação, o argumento e tudo o mais!

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