Relato sobre a Reunião Política 01/08/2011 (por Felipe Koch)

Colegas de discussão e pedaladas, venho aqui colocar, para quem tiver interesse (em especial os cidadãos que não puderam comparecer) minhas impressoes bastante pessoais a respeito de tal reunião. Estou participando destas reuniões e discussões a muito menos tempo que diversos colegas e posso ter poucas informações ou até informações erradas. De qualquer maneira, deixo minha cara a tapa e espero que os colegas presentes complementem, rebatam, concordem, discordem (e outros) destas impressões.

Desculpem o formato expontâneo e sem planejamento.

Impressões pessoais:

Que o discurso inicial de César Busatto foi para levantar uma cortina de fumaça sobre várias questões de menor importância e algumas poucas sugestões dele poderiam ser levadas em consideração como complementos de ações, no caso a participação maior de ciclistas nas reuniões de Orçamento Participativo.
Embora a sugestão seja relevante me pareceu inadequada para o momento de discussão, como se nunca tivesse sido discutida nenhuma questão cicloviária na história da cidade.
Ou o discurso foi intencionalmente disperso ou não houve preparo anterior (lição de casa) para os tópicos da reunião.

Que Busatto não teve frieza emocional para ouvir críticas embasadas sobre a continuidade de projetos de uma gestão para outra dentro de um mesmo governo. No caso específico, questões relativas ao Plano Diretor Cicloviário, LEI COMPLEMENTAR N.º 626, DE 15 DE JULHO DE 2009, assinada por José Fogaça e em total descumprimento desde então. Questão levantada pelo colega Arthur Elias.
Houve descontrole e discussão irracional neste momento, que depois foi apaziguada.

Que existe por parte do Capelari alguma intenção em prestar contas sobre e implantar algumas obras cicloviárias em parceria publico-privada.
Mas que ele também tem posição contrária ao uso de recursos das multas para o fim, mesmo que isso seja contra a lei do Plano Cicloviário, uma lei que ele considera inconstitucional.

Que não existe uma real vontade política ou intenção para a implantação deste plano cicloviário dentro de seus prazos e metas e até mesmo existe um profundo desconhecimento deste plano por parte destes governantes, motivo pelo qual foi planejada outra reunião política apenas para discutir tal lei em data próxima, mas ainda indefinida. Segundo Bussato para se chegar a um “denominador comum”, na real, menos do que a lei manda.

Que a política municipal apenas visa a eleição e reeleição dos candidatos, independente do ônus e do bônus para os cidadãos, pois várias vezes estes políticos colocaram o empecilho da não reeleição do prefeito que ousasse desafiar a ordem ditada pela cultura carrocêntrica, mesmo que apenas por colocar mais 30cm de largura nesta ciclofaixa da Loureiro da Silva.

Que o planejamento de longo prazo (mais de uma gestão) inexiste neste sistema político (que é um simples entregador de demandas sem um estudo mais aprofundado em consequências de longo prazo).

Que á área técnica da EPTC, nesta questão, sofre uma dupla pressão que está beirando a explosão e colapso, devido à falta de pessoal, fruto de dificuldades em conseguir alocar as verbas disponíveis para contratação de pessoal.
Realmente não consegui entender se o caso é falta de verba ou falta de competência para a destinação das verbas que já estão disponíveis e que são asseguradas em lei. Até porque Capellari se mostrou pouco disposto a discutir orçamentos e destinação de verbas com os maiores interessados, ou seja nós contribuintes, ainda colocando a questão de que o dinheiro é da prefeitura.
Eu discordo e penso que o dinheiro e nosso, os contribuintes e que os governantes tem que dispor-se a discutir conosco orçamentos e suas destinações, sim.
Fatos esses resultaram em um desabafo do engenheiro Régulo, responsavel pelo projeto da ciclovia da Loureiro da Silva, que expressou sua frustração ao entrave de seu trabalho pela falta de consenso político entre os interessados (contribuintes) e os governantes competentes sobre a largura de tal ciclovia.

Que o planejamento de trânsito no município é muito sensível a questões pontuais de grupos locais e que a questão cicloviária está sendo tratada também desta forma, pontual e por demanda, embora exista uma legislação específica.
Legislação esta fruto de um estudo técnico profundo sobre um sistema completo e complexo originado em muitas reuniões políticas e pressões da sociedade. Mas este Plano Cicloviário, que é lei e que envolveu o trabalho de muita gente técnica e muita gente amadora (no bom sentido, voluntários apaixonados) é quase que totalmente desconhecido da esfera política desta gestão e absolutamente ignorado para qualquer ação de execução na área.
A ponto dos políticos virem para esta reunião com os ciclistas e colocarem como suas, de suas gestões, as idéias de implantação de ciclovias e ciclofaixas já previstas nesta lei de 2009.

E que a questão cicloviária é, no entender destes governantes, algo para um muito longo prazo, ao qual eles não pretendem se arriscar politicamente, mesmo que seja a uma das melhores soluções para o transporte das pessoas na cidade.
“Não existe uma cultura cicloviária” disse Busatto.
E pelo visto não há interesse político em desenvolver tal cultura.

Dito isso, gostei de ver as idéias e posições muito amadurecidas de todos os participantes que falaram e que mostraram um conhecimento técnico, experiência pessoal no trânsito e uma disposição para fazer acontecer que deu uma “lavada” nos políticos nesta questão cicloviária.
Em comparação, os cidadãos pareciam muito melhor informados (leis e técnicas) e dispostos que os políticos. Acho que muita coisa boa pode sair destas pessoas, em pressão e em auxílio técnico.

Gostei, também, de conhecer pessoalmente alguns colegas que já tinha conversado aqui no blog e que se mostraram pessoas muito legais e esclarecidas, em especial o Olavo Ludwig e o Arthur Elias, que me fez pensar sobre os perigos de uma postura excessivamente crítica.
Gostei também da conversa com o Pablo que sacudiu e arejou algumas convicções minhas a respeito da largura da ciclofaixa da Loureiro da Silva, me mostrando um cenário mais amplo politicamente.

Reafirmo que tais opiniões pessoais não expressam nenhum consenso de grupo e estão aqui apenas para servir de relato de um cidadão, ciclista e motorista, não filiado politicamente a nenhum partido ou corrente ou sindicato e que apenas tem interesse pessoal e coletivo na questão, e a fim de democratizar ainda mais as discussões. E iniciar uma discussão ampla e aberta sobre esta reunião.

Desculpem, mas não existe relato isento. Como não tenho nada a perder politicamente posso ser sincero, ao contrário de alguns de nossos governantes.
Posso estar totalmente errado aqui, mas são as minhas impressões.

Peço desculpas, também, pela repetição de idéias no texto.

Abraços.

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77 respostas para Relato sobre a Reunião Política 01/08/2011 (por Felipe Koch)

  1. Olavo Ludwig disse:

    Pessoal,
    Excelente relato do Felipe, mas deve ser completado, não posso fazer isso agora, incentivo aos participantes a fazerem.

    Gostaria de chamar a atenção para a reunião que temos dia 04 com a equipe técnica, vamos confirmar, depois do desenrolar de hoje. (coloquei o texto fixo ai ao lado) Estou aprendendo a mexer no wordpress.

    Outra coisa: Coloquei ai na direita da página o link do grupo de discussão(google groups chamado massacritica-poa) onde muitos dos assuntos são discutidos e não chegam necessariamente ao blog) está em “Discuta!”.

    Gostaria de agradecer a presença do pessoal que participou a semana inteira do Workshop realizado na UFRGS, e me desculpar por não cumprimentá-los um por um, estava muito agitado, com algumas barbaridades que ouvi de nossos representantes políticos.

  2. sara disse:

    momento chocante: o que o Busatto disse para tentarmos implantar ciclovias/faixas pelo OP, sugerindo que começassemos do zero, como se não existisse lei pra isso em Porto Alegre… como se não existisse um plano cicloviário detalhado…
    agora que os ciclistas deram um baile, ah deram… foi lindo ver a galera falando sobre as leis, perguntando o que era feito com o dinheiro destinado… com total domínio do que estava falando… e foi triste não ouvir resposta… ver o desconhecimento total pela parte política.
    Na próxima vamos ser bem específicos com a lição de casa, para que nos deêm respostas.
    A chuva de e-mails surte efeito. Temos que colocar mais políticos pra nos ouvir.

    • Beto Flach disse:

      Querida Sara e demais. “Ver o desconhecimento”, pra mim, não é a expressão apropriada, em se tratando da pessoa do Sr. Busatto. Ou alguém já esqueceu seu passado de, de, de… digamos “patuscadas”, que permearam sua trajetória recente? Eu não esqueci. Neste caso, o aparente “desconhecimento” é pura estratégia! Dito de outra forma, seria “se fazer de louco”… Tchê, estejamos espertos, atentos e ligados como ciclista na rua em final de sexta-feira! Mas, se acharem que “desconhecimento” se adequa à situação, tudo bem. Divergir é muito diferente de ignorar ou desconhecer. Abraço a todas e todos que puderam estar e foram. Eu, não pude, nem fui. Mas fiquei na torcida e vejo que deu certo!

      • Aldo disse:

        Prefiro deixar por isso mesmo. Uma confissão de desconhecimento está de muito bom tamanho. Isso o obriga, por exemplo, a se encontrar mais vezes conosco para aprender. O mais importante, porém, é que aceitarmos o seu próprio reconhecimento de ignorância, como uma promessa de querer se informar melhor, melhora o nível do debate e aumenta as chances de conseguirmos ver atendidas nossas reinvindicações. Em resumo: considero essa confissão de desconhecimento da lei um importante avanço no debate e que portanto merece ser elogiada. Parabéns, Secretário Busatto.

  3. heltonbiker disse:

    Achei muito bom o texto do Felipe, que também tive o prazer de conhecer ontem pessoalmente, e acho que ele deveria ser convidado logo para poder postar diretamente aqui no blog.

    Concordo com o que ele escreveu, acho que descreveu perfeitamente, sem exageros ou omissões importantes, o que aconteceu ontem. Incluo aqui MINHA interpretação TOTALMENTE PESSOAL a respeito do desenrolar da reunião, com o objetivo de complementar o relato do Felipe.

    Em especial, me marcaram algumas impressões fortes, que foram ficando mais nítidas a cada minuto em que a reunião progredia:

    – A de que a área técnica, em especial seu representante maior o Diretor Capellari, tem pleno conhecimento de todas as nossas motivações como ciclistas, como a necessidade de humanizar o trânsito, a obviedade de que o modelo carrocêntrico é muito nocivo, ao perigo e à dificuldade que temos ao circular de bicicleta. Mesmo isso tendo sido argumentado e discutido, me parece que há pleno consenso, ou no mínimo pleno conhecimento por parte de toda a EPTC, e até mesmo por parte do Secretário Busatto, quanto às nossas demandas e necessidades como ciclistas, ou seja, isso já não precisa mais estar em discussão.

    – A de que o Capellari, e também o Régulo, ficaram EXTREMAMENTE DESCONFORTÁVEIS ao serem questionados sobre orçamentos e leis e outros dispositivos que JÁ GARANTEM uma série de coisas que não estão sendo feitas, e que mesmo possivelmente sabendo por quê, aparentemente eram respostas que não poderiam ser “divulgadas” ali.

    – Em especial, a impressão de que nos momentos mais tensos, nos momentos de maior encurralamento, “vazaram” indícios dos reais motivos do porquê de essas leis não serem cumpridas, desses orçamentos não serem respeitados, desses prazos não serem seguidos. Esses indícios continham palavras como “voto”, “reeleição”, “vontade política”, “não é bem assim”, “isso não é só uma questão técnica”, etc.

    – Em mais especial ainda, ficou evidente, ao menos para mim que também tenho um perfil pessoal técnico, que essa tensão que existe entre o que “deveria ser” e o que “de fato é”, entre o que determina a “regra” e o que determinam os “vieses”, causa um enorme desconforto aos membros da equipe técnica da EPTC, lá representados pelo Capellari e pelo Régulo. Me parece que eles adorariam, de verdade, atender nossas demandas, e que o fato de eles terem ficado em uma saia justíssima lá na nossa frente, em especial depois da saída estratégica pela esquerda do Secretário, e ainda mais não sendo políticos (ou seja, treinados a “apaziguar”) foi praticamente uma tortura.

    Felizmente, após o encerramento oficial da reunião, pude conversar um pouco com o Régulo, e vi que bastante gente conversou com o Capellari também, e ambos não parecerem magoados ou ofendidos, inclusive conversamos até mais abertamente sobre esses problemas todos – os problemas políticos por trás dos problemas técnicos – e na realidade a insatisfação deles parece muito semelhante à nossa.

    Assim sendo, diria eu que o melhor a fazermos é continuar com uma pressão constante sobre a esfera política, em especial buscando um posicionamento muito mais claro das esferas mais altas da Administração Municipal. O secretário Busatto afirmou que se solidariza com nossa causa e que tem certeza absoluta de que a Administração Municipal nos apóia, mas não deu nenhum indício concreto que nos permita compartilhar dessa certeza. Seria interessante saber o que o Prefeito Fortunati teria a nos dizer a respeito.

    Acho que era isso, seria muito bom também ouvir/ler o que os outros colegas têm a dizer. Para terminar, parafraseio o Secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame (claro, totalmente fora de contexto): “A mobilização dos ciclistas contra o modelo carrocêntrico é um caminho sem volta. Nós não vamos parar.” ;oP

  4. Leandro Ferreira disse:

    esse é um prefeito que resolve os problemas em definitivo http://www.youtube.com/watch?v=IvGaSct3cJk

  5. Melissa disse:

    Bah, eu fiquei muito triste de não poder ter ido, de última hora! Foi por motivos de força maior… mas ainda bem que vocês postam relatos pra quem não foi ficar por dentro.

    Quantas pessoas foram, mais ou menos? Tô curiosa pra saber disso também.

  6. Flavio Sachs Beylouni disse:

    Gostaria de chamar atenção para a indignação do Régulo. Confesso que fiquei um pouco preocupado quando ele disse que os emails ao prefeito foram um tiro no pé. Isso pq alguns desses emails desqualificaram o trabalho dos técnicos que estão se esforçando para fazer os projetos da malha cicloviária. Não tenho dúvida da competência deles, assim como não tenho dúvida da sua boa vontade em querer mudar Porto Alegre para melhor. No entanto, ao contrário de nós, eles tem de se sujeitar a pressões e limites de orçamento que nós não conhecemos totalmente ainda. Por isso gostaria de pedir a todos para refletirem muito antes de, numa nova chuva de emails, atacarem a competência das pessoas envolvidas, pois eles são nossos aliados e, se tivermos uma malha cicloviária no futuro, será pelo trabalho e dedicação dessas pessoas, assim como pela pressão da sociedade. A hora é de unir forças e fazer pressão. Acho que não podemos simplesmente sair quebrando tudo na ânsia por mudanças. Mudanças levam tempo e por muitos meses ainda vamos ter que ver esse tempo passar, mas nem por isso deixaremos de fazer as reuniões e pressionar os políticos e trabalhar com os técnicos.
    Creio que vamos ter mais dificuldades em conversar com os técnicos daqui para frente. Como o Régulo mesmo falou, ele está tendo muita dificuldade em conseguir alguma coisa na EPTC depois dos emails.
    Quanto ao embate que ocorreu entre o Buzatto e o Artur Elias, me pareceu mesmo que o Buzatto não entendeu quando o Artur disse que “NESTE ANO não seria concluído nenhum quilômetro de ciclovia”. Disse isso depois do Capellari fazer um breve relato do “andamento” das coisas. O Buzatto entendeu que o Artur havia dito que nada estava sendo feito e acabou repetindo algumas coisas que o Capellari havia falado minutos antes para que o Artur ouvisse.
    Até esse momento a reunião estava indo tranquila. Logo depois houve o desabafo do Régulo e aí ficou mais difícil ter algum consenso. Me pareceu que a reunião degringolou a partir desse ponto. Gostei muito da participação do Sr. José Martinez que estava ao meu lado pois falou muito bem, tinha conhecimento, informação e experiência. De maneira geral, todos que falaram contribuíram. Só penso que deveríamos fazer um esforço maior para respeitar a ordem das inscrições, pois sem isso a reunião perde foco. Acho excelente que a próxima reunião tenha sido marcada para daqui a duas semanas, estamos precisando.
    Deixo também aqui a minha opinião pessoal sobre a ciclofaixa da Loureiro. Penso que deveríamos aceitar a ciclofaixa de 1,5m e ver o que a experiência nos traz de bom e de ruim. Prefiro isso a um empasse que pode levar meses.
    Gravei a reunião no celular. Já enviei o link p/ o email da Massa, mas deixo aqui tb.
    https://skydrive.live.com/?cid=8b7485bcbbc37e0f&sc=documents#!/?cid=8b7485bcbbc37e0f&sc=documents&uc=4&id=8B7485BCBBC37E0F%21501

    Abraços

    • artur elias disse:

      oi Flávio

      Lamento ter quase entrado no joguinho do Busatto por alguns minutos. Não tem como competir com ele no jogo da tergiversação e do cinismo que caracteriza os debates ENTRE políticos. Eu sabia disso mas por um instante me deixei arrastar; foi quando ele tentou transformar a reunião em uma conversa pessoal. Minha fala anterior não tinha nada de pessoal nem de ofensiva, mas se ele reconhecesse isso (a verdade) não teria nenhum argumento.

      Permaneci quieto até quase o final da reunião, o que foi ruim, porque ninguém mais se lembrou de mencionar a questão da previsão orçamentária ( Isso vem antes da própria lei dos 20% e o Busatto deveria ouvir isso em público), e ninguém me concedeu um aparte.

      O “tiro no pé” é um fato. Seus autores devem desculpas não só ao Régulo, como a todos nós que vínhamos trabalhando numa direção construtiva ainda que penosa.

      • Felipe Koch disse:

        Acho que o Busatto não esperava o grau de preparação, argumentação e o andar adiantado das negociações e pré-conquistas. Talvez ele tenha achado que ia conversar com um bando de maluquetes hippies sem conhecimento de causa. Quando viu que a conversa era séria e que tinha cobranças bem direcionadas se desestabilizou e quis jogar baixo, com frases políticas demagógicas como “coração aberto” e “vim para construir”.
        Se realmente viesse para construir com o coração aberto teria feito a lição de casa de saber algo sobre o histórico da questão cicloviária em POA ou, ao menos, não fugiria da responsabilidade de compromissos anteriores assumidos e da decência de cumprir a lei.
        O que mais me chocou foi a completa falta de compromisso moral com a lei já estabelecida, tratando-a como “águas passadas”. Como se a cada governo executivo o universo legislativo nada valesse e tudo tivesse que ser criado do zero baseado em conveniências, alianças e novas reivindicações sobre direitos já adquiridos.

        Não houve UM pedido de desculpas por não estar cumprindo a lei, como se o natural fosse realmente não cumprir a lei.
        A lei é tratada por estes governantes com profundo descaso e até mesmo desprezo, como se fosse apenas uma possibilidade de ação entre muitas outras (talvez mais convenientes) e não um direito adquirido através de lutas e mobilizações.
        Como disse o prórpio Busatto: “Lei tem várias”.
        Essa declaração é muito chocante.
        Mostra o completo descompromisso legal do governo.
        E é um nível ético muito baixo para os cargos que se ocupam.

      • Felipe Koch disse:

        Desculpem, não lembro se foi o Busatto ou o Capellari o autor da frase “lei tem várias” mas o fato é que ambos concordaram na argumentação.

  7. artur elias disse:

    aê Felipe

    Obrigado pelo relato e parabéns.

    Não sei como tu conseguiste resumir tudo AQUILO tão bem. Não tenho nada relevante a acrescentar. É a melhor ata de reunião que eu já vi.

    Um único reparo: Artur é sem agá.

    😉

  8. Melissa disse:

    Concordo que aquela chuva de e-mails foi um tiro no pé e prejudicou os técnicos que estão se esforçando muito para melhorar essa cidade.

    • Marcelo disse:

      Só eu que não acho que seja um “tiro no pé” impedir a construção de uma ciclofaixa insegura?

      Sinto muito se o Régulo está sofrendo pressões, mas eles não disseram na reunião que não dava pra fazer mais larga que isso? E em que outra parte do mundo se leva em consideração na medida total da ciclofaixa a sarjeta, os tachões e uma faixa pintada do lado de fora deles? Ia adiantar insistir mais com ele?

      É mais seguro não ter ciclofaixas do que ter ciclofaixas mal-feitas e perigosas. Se é para o plano cicloviário avançar assim, que não avance!
      Pre

      • Olavo Ludwig disse:

        É que antes do início da ciclofaixa, teríamos esta reunião política, a chuva de e-mails seria melhor após ela e não antes, pois colocaríamos mais pressão nos políticos, e técnicos se eles fossem irredutíveis, de qualquer forma, eu também acho que é melhor nada do que uma ciclofaixa de 1,5m na Loureiro. Ontem fiquei mais convencido, quando o Capellari disse que se colocar uma ciclofaixa de 1,8m ali na Loureiro tranca todo o trânsito. Gravou isso Sérgio?

      • Melissa disse:

        Marcelo, sabes que eu não sou contra exigir uma ciclofaixa mais larga. Mas é totalmente possível fazer essa reivindicação sem prejudicar os que até agora se esforçaram pra fazer o melhor possível dentro do que lhes é permitido. Eu apenas penso que a abordagem utilizada pra chamar a atenção, ainda que teve sucesso em conseguir uma reunião política, foi um tanto sensacionalista. Se queremos criar algo positivo e ele não está do jeito que sonhamos, o básico é se colocar no lugar do outro que se opõe e discutir sem fazer vaias antes de escutar o que ele tem pra dizer. Se queres saber mesmo até que ponto chegou dentro da EPTC tudo isso que aconteceu, recomendo que vá até lá uma tarde dessas conversar pessoalmente com eles. Nada melhor que olho no olho.

      • PinhaFixa disse:

        Marcelo… sei que estás a horas indignado com a ciclofaixa. Quem sabe esta ciclofaixa que irá ligar a redenção ao gazômetro não serve de experiencia para que sejam levantadas provas de que é insegura e intrafegável? Tive com a Lisandra uma vez na EPTC (por sinal muito bem recebido), eles tem uma enorme dificuldade de por em pratica suas ideias, (falta grana e vontade politica), vi o projeto num esboço de AutoCad e a Lisandra estava quebrando a cabeça para fazer uma passagem segura em um cruzamento, inclusive pediu minha opinião, ao que bate e pronto respondi: coloque um sinal luminoso piscante de bicicleta na via. Enfim Marcelo ela estava fazendo tudo conforme manda a lei, infelizmente a lei pode muitas vezes não ser o que queremos, mas se deixar rolar podemos filmar os problemas, levantar os dados dos prós e contras… e sinceramente, repintar uma ciclofaixa não será tão dificil e oneroso assim né? e poderá servir como um bom argumento para as que serão feitas depois. Fico feliz de ver que alguma coisa começou, depois de começar não vai parar e vai ser mais fácil exigir nossos direitos como cidadãos e ciclistas.
        Grande Abraço.

      • Marcelo disse:

        Meu medo, Eduardo, é que alguém se machuque por ela ser insegura. Isso por si só já é ruim o bastante, mas também pode servir de argumento para os carrólatras dizerem que pedalar é perigoso e pedirem que se pare a implantação de ciclofaixas por serem perigosas demais.

        Uma ciclofaixa insegura pode ser, daí sim, um tiro no pé, que comprometa todo plano cicloviário.

      • artur elias disse:

        Marcelo, o “tiro no pé” é a chance de sair uma ciclofaixa boa, ou de sair qualquer ciclofaixa em curto prazo, DIMINUIU.

        Será que tu não consegue entender isso, ou será que é impossível reconhecer que cometeste um erro estratégico ao praticamente acusar a EPTC e os técnicos de querer matar pessoas, e incitar os leitores (a maioria certamente desinformados) deste blog a escrever para o prefeito dizendo sabe-se lá o quê?

        Será que não dá pra entender que vocês passaram por cima de um monte de gente?

        Será que não dá pra entender que esse tipo de atitude FECHA PORTAS?

        O tiro no pé é isso.

        E é real.

      • Marcelo disse:

        Artur,
        Se os técnicos disseram que não dava para fazer uma ciclofaixa mais larga na Loureiro (e eles disseram isso apesar da insistência do Olavo na reunião) as chances de sair uma ciclofaixa BOA já eram praticamente nulas, e eu faço questão que não saia uma “ciclofaixa qualquer” que vai colocar ciclistas em maior risco do que estão na situação atual.

        De forma alguma eu queria criar problemas profissionais para os técnicos, mas afinal foram eles ou não foram que bateram o pé dizendo que era inviável dar mais alguns centímetros para tornar a ciclofaixa mais segura?

      • sara disse:

        Marcelo,

        o que eu acho é que se tu tivesse na reunião, e tivesse batido o pé com tanta ênfase, teria sido diferente. O que aconteceu é que todos nós, que participamos de várias reuniões, que saímos antes do trabalho, que faltamos compromissos, que ficávamos na EPTC até as 9h da noite discutido…estávamos, ao meu ver, progredindo, e com muita possibilidades de contestação. Realmente, até levantarem essa questão do carro passar colado na ciclofaixa eu não via problema em ter menos de 1,5m. Concordo contigo que ela deva ser supersegura.
        O que eu fico de cara é que agora tá um climão, e por causa da chuva de e-mails. Foi uma maneira errada de se expressar, e todo mundo tá arcando com isso.
        Tanto que a reunião técnica de amanhã já não vai sair. Podíamos estar falando de ciclovia na José do Patrocínio, de ciclofaixa na Icaraí, de largura da Perimetral, e não. Agora temos que esperar marcarem mais uma reunião política pra sei lá quando retomar as técnicas.

      • Marcelo disse:

        O progresso da ciclofaixa não parou por causa de uma chuva de e-mails pedindo uma ciclofaixa com uma largura segura, parou porque a prefeitura não tem como prioridade a bicicleta como meio de transporte e a conseqüente segurança do ciclista. A política do governo é: “ciclovias e ciclofaixas só se não prejudicarem o trânsito de automóveis.” Enquanto isso não mudar não teremos uma malha cicloviária segura e de qualidade e não serão reuniões técnicas que irão mudar as prioridades.

        A meu ver a principal conseqüência dos e-mails foi que eles deixaram mais clara a situação atual e tirou a ilusão de que a prefeitura está do lado dos ciclistas, a prefeitura está é atrás de votos e querendo evitar constrangimentos. Temos que aproveitar a oportunidade que a Copa vai nos dar para utilizarmos o possível constrangimento internacional a nosso favor.

        Minha modesta opinião.

      • Aldo disse:

        A Prefeitura (Secretário Busatto) e a EPTC (Diretor Capellari, Gerente Antônio, Eng. Régulo e Eng. Lisandra) atribuem a esse modelo de ciclofaixa unidirecional uma largura nominal de 1,50m, o que é contestado por TODOS os participantes das reuniões, grupo de discussão e deste blog. Medida a partir do meio-fio:

        105cm de faixa vermelha
        10cm de faixa branca
        25cm de tachões
        10cm de faixa branca.

        Fatos:

        1. A ciclofaixa proposta tira no máximo 1,40m das pistas para automóveis (e ainda o limite direito deixa de ser um meio-fio e passa a ser um tachão chanfrado de 5cm de altura facilmente vencível pelas rodas de qualquer automóvel).

        2. A distância mínima que pode chegar uma bicicleta do meio fio sem haver colisão dos pedais é de 15cm, pois a largura dos pedais é de 30cm. Isto então descarta pelo menos 15cm de faixa vermelha por serem absolutamente intransitáveis (e ainda sem levar em conta irregularidades no asfalto, bocas-de-lobo, acúmulo de detritos e projeção de troncos de árvores, que evidentemente tem que ser contabilizados).

        3. Fica provado que a largura máxima (sendo otimista ao extremo) para o ciclista é de 1,00m, medida entre uma distância de 15cm do meio-fio e os tachões.

        Poponho que, a partir de agora, todos se refiram a largura da ciclofaixa oferecida pela Prefeitura através da sua largura real: 1 METRO!

        BASTA de enrolação!

      • Marcelo disse:

        Perfeito, Aldo.

      • Olavo Ludwig disse:

        Concordo com o Artur na questão de que antes ainda tínhamos uma conversa com a equipe técnica que era flexível até onde podia (isso ficou claro) não era só enrolação, eu via real disposição principalmente na Lisandra, que incluiu os bike box no projeto após o Sérgio falar nisso em uma reunião, e a “chuva de e-mails” fechou essa porta. Poderíamos ter esperado a reunião política,

        Concordo com o Marcelo quanto a enrolação política, justamente pela fala do Capellari de que se colocar 1,80m ali tranca tudo, isso diz tudo a respeito do pensamento governo (e ele é técnico-político, mais para político e que pressiona diretamente os técnicos). Acabaríamos com uma porta fechada igual. Só um detalhe Marcelo, talvez não tivéssemos a antipatia dos funcionários técnicos da eptc que fazem os projetos e nem conhecemos.

        Como já disse nos e-mail o que tá feito tá feito, que eles estão nos enrolando é claro, tanto a questão de possibilidade de fazer projetos quanto as questões de verbas, temos que nos unir e fazer pressão sobre isso.

    • Felipe Koch disse:

      Oi Melissa, creio que teria sido evitada ou diminuída a chuva de e-mails se algumas informações adicionais sobre a reunião técnica tivessem sido divulgadas aqui, pois foi a partir deste meio que ao menos parte da mobilização foi iniciada.
      Digo isso por que o Pablo me disse ontem que os “tachões” na verdade são blocos altos (talvez com mais de 15 cm de altura). Ou seja, algo que os motoristas não vão querer chegar perto. Isso me fez pensar melhor a respeito da questão.
      Mas era uma informação indisponível, para mim ao menos, até então.
      Um breve relato da reunião com algumas informações técnicas do que fosse mais relevante e contrapontos de outros participantes talvez ajudasse a formar melhor as opiniões de quem não pode estar presente.
      Quando não há comunicação há confusão.
      Abraço.

      • Felipe Koch disse:

        Por falar nisso havia alguém filmando a reunião ontem. Existe a possibilidade de eu conseguir uma cópia da filmagem? Se sim, meu email é mingofelipe@hotmail, por favor me indique como.
        Obrigado.

      • sergiok disse:

        Oi Felipe.
        Essa informação está errada. Até onde sei serão tachas e não tachões. Se não me engano as taxas tem 5cm de altura. O problema é que com a ciclofaixa estreita do jeito que está sendo projetada os carros, ônibus e caminhões podem passar muito perto mesmo sem encostar nas taxas. A faixa de circulação dos ciclistas do projeto tem 1,05m. É inaceitável. Concordo que o envio de emails pro prefeito foi de certa forma um erro diplomático, mas aceitar essa ciclofaixa superestreita em uma via de fluxo rápido como a Loureiro é um tiro no pé. Um péssimo começo para o sistema cicloviário do centro de POA.
        Eu estava filmando a reunião. Posso conseguir uma cópia do áudio. Estou providenciando.

        Abraços

      • Olavo Ludwig disse:

        O nome é Tacha ou tachão, mas depende do fabricante as especificações mudam um pouco, de qualquer forma as usadas seriam as baixas, as mesmas que tem em estreitamentos, as rodas de carro passa por cima delas sem grandes problemas!

      • Aldo disse:

        O tachão referido para instalação nas ciclofaixas tem 5cm de altura e 25cm de largura.
        http://www.aracaplaca.com.br/prod_list.php?id_sub=49

  9. Parabéns Felipe e a cada um do grupo que está lutando neste momento para melhorar as condições de vida de toda a população de Porto Alegre.
    Acho que isto é o tema principal que os Bussatos, osRégulos e os Capellaris ainda não entenderam.
    O Cicloativismo não está contra ninguém o cicloativismo está a favor da vida, a favor da saúde, a favor da democracia e fundamentalmente a favor do reconhecimento de que a bicicleta é um meio de transporte tão respeitável quanto qualquer outro e faz parte da cidadania.
    Todo que este pessoal não entende é o que não quer ser entendido.
    Não somos um bando de loucos e sim somos cidadãos ordeiros que estamos impondo, que nossos direitos sejam respeitados.
    Imaginem o destempero do Capellari quando perguntou “quer dizer que querem que eu preste contas” deixando totalmente de lado o entendimento do fato de que ele está deixando de cumprir com uma lei do Poder Legislativo ao qual ele está sujeito e ainda promulgada pelo Poder Executivo, que ele representa naquele ato.
    Eu sinceramente gostei da reunião e acredito que estamos no caminho certo.
    O destempero da área técnica é porque não quer abrir mão das suas prioridades e de suas benesses. Os @mails se existiram… fazem parte do jogo democrático do estado de direito, ao qual todos estamos sujeitos.
    Quem se “deu um tiro no pé” na realidade é um técnico, que não sabe ser “técnico” com os anos de experiência que lê pesam nas costas. Ou seja, ainda não aprendeu que na etapa da vida profissional que ele está, todo e qualquer cidadão vá julgá-lo e não sempre com consideração e estima. Algumas vezes vá julgá-lo com a mesma frieza e crueldade, como somos tratados no trânsito, nos ciclistas, na cidade que ele tenta erguer sem sucesso.
    Esse técnico foi quem falou na última reunião(Julho/2011) que até ali ele chegava quando apresentou o plano de uma ciclo-faixa, numa Avenida que poderia apresentar problemas de segurança, para os ciclistas e que está prevista no Anexo 2 à Lei Complementar nº 626 (Plano cicloviário) como parte DA REDE CICLOVIARIA ESTRUTURAL.
    Todo isto está naquela Lei que ninguém leu, ninguém viu, ninguém sabe.
    Acho que precisamos nos estruturar com uma pauta mínima de reivindicações que pode ser elaborada até publicamente no blog e que seja daqui para frente, nosso cavalo de luta e da qual fora dela não exista outro objeto de reivindicação enquanto ela não for alcançada.
    Ainda acho que precisamos parar de achar que a área técnica está lá porque quer nos agradar, a área técnica está lá porque foi mandada para apaziguar os ânimos, numa manobra dispersiva, evitando mais conflitos entre motoristas e ciclistas; que é todo o que a Prefeitura não quer neste momento em que está fazendo obras prioritárias da COPA.
    Abçs.

    • heltonbiker disse:

      Permita-me oferecer três contrapontos:

      – O pessoal que estava lá ontem (Régulo, Capellari e Busatto) evidentemente conhece e entende perfeitamente todas as nossas motivações cicloativísticas, mesmo que potencialmente não concordem ou não acreditem nelas. “Prova” disso é o comentário do Artur de que “as palavras dele são exatamente iguais às minhas” ao ser feito um discurso de coração aberto a respeito da solidariedade com a nossa causa, à necessidade de humanizar esse trânsito cruel que nós temos, etc.

      – Talvez, em especial na área técnica, o que aconteça não é o “não querer fazer”, mas sim o “não conseguir fazer”. Sempre acho complicado julgamentos definitivos, e como o amigo Flávio Beylouni falou alguns comentários atrás, se um dia Porto Alegre tiver um ótimo sistema cicloviário, certamente terá sido com o esforço do Régulo, da Lisandra, e de quem mais tiver trabalhado com eles.

      – É tradicional dos políticos ter jogo de cintura para se evadir em devaneios retóricos para evitar constrangimentos. Mas acredito que ninguém duvida da sinceridade do desabafo do Régulo, que estava muito visivelmente incomodado, e não sem razão, por ter tido a validade do seu esforço questionada por algumas pessoas do próprio grupo cujos interesses ele está se esforçando por atender. Acredito que seja recomendável considerar a possível diferença entre o estereótipo do político e o estereótipo do técnico, ou melhor ainda entre os estereótipos e os indivíduos com os quais temos (no caso do Régulo) mais constantemente convivido.

      Mas, evidentemente, opiniões há várias, essas são as minhas, e viva o diálogo.

    • Olavo Ludwig disse:

      Bem colocado José! Nos faz pensar um pouco mais!

    • sara disse:

      Martinez, a tua fala na reunião foi ótima, é exatamente isso, a nossa indignação é muito maior que a dos técnicos (pra quem não ouviu na na parte 2, pelos 48 min).

      E a reunião não ficou marcada pra daqui a duas semanas…
      eles ficaram de nos mandar e-mail marcando
      foi uma sugestão, mas o Busatto não pareceu concordar com a data, pois eles tem que ver essa lei…

  10. sergiok disse:

    Subi o áudio da reunião:

    Ali todos podem ouvir online e comentar. Para comentar em relação a um momento específico cliquem na barra azul.

  11. Pingback: Chuva, pedal e… livros! | Vá de Bici

  12. Gabriela Giacobbo Moschetta disse:

    Olá pessoal! Obrigada Olavo pelo agradecimento ao grupo do seminário na UFRGS! E parabéns ao Felipe que muito bem relatou a reunião!
    Também gostaria de expor um pouco das minhas impressões, mais como arquiteta e urbanista do que ciclista, já que ainda estou nas primeiras pedaladas e chegando agora nas reuniões! Eu e meu irmão estivemos presentes na reunião, o que nos levou a refletir sobre algumas questões que aqui compartilhamos com o grupo para o debate de ideias.
    Na causa do transporte por bicicleta, temos muitos exemplos a nosso favor, até mesmo em realidades mais próximas à nossa, como bem citado pelo Olavo na reunião, o caso de Bogotá. Os gestores destas cidades não foram rechaçados pela opinião pública, muito pelo contrário, se tornaram até reconhecidos internacionalmente como visionários! Estas cidades não viraram um caos, pelo contrário, o trânsito de pedestres, veículos automotores e bicicletas se tornaram mais harmônicos!
    Entendemos que estas considerações são importantes, por que parece haver um consenso de que, no caso de Porto Alegre, o entrave agora é político. E se infelizmente em nosso país as leis não são respeitadas, talvez uma solução seja então convencermos os políticos a “comprarem” nossas ideias, fazendo com que enxerguem os benefícios políticos que podem obter com isso.
    Será que o que falta ao Governo Fortunatti não é perceber a excelente oportunidade que está deixando escapar, com as facilidades devido à proximidade da Copa, de se tornar não só mais uma administração municipal em Porto Alegre, mas “A Administração” que colocou Porto Alegre na vanguarda das cidades brasileiras mais sustentáveis.
    Na reunião com a EPTC foi levantada a ideia de realização de uma reunião somente entre os ciclistas. Talvez fosse uma boa oportunidade para se discutir essas e outras sugestões de atuação política do movimento, alinhando uma estratégia comum para fortalecer ainda mais o movimento.

  13. Beto Flach disse:

    A discussão está muito interessante. Quero fazer duas ponderações:
    1) Notemos que o CTB regulamenta a distância de 1,5m como sendo segura. A ciclofaixa de 1,05m garantirá SOMENTE 90 cm de distância (= insegura), isso NA MELHOR HIPÓTESE, que é ciclista tentando andar o mais colado possível no meio fio (+/- 15cm).
    2) Se o Sr. Busatto foi surpreendido e, talvez, encurralado pela articulação, organização, coesão e conhecimento do grupo de ciclistas participantes, não tenham dúvida de que haverá tentativa de dividir o grupo, rachar, desarticular e, por fim, desmobilizar esta força. Lembram dos romanos? Divide e impera! Estejamos atentos, atentas! Que as discussões aqui levantadas nunca nos desagreguem por divergências de posições, mas nos unam ainda mais em torno desta causa comum, que é muito maior que cada um e cada uma de nós.
    É um pouco do que vejo. Abraço.

    • Felipe Koch disse:

      Beto, estou há 2 dias tentando achar no CTB a especificação da largura da faixa e não achei.
      Seguindo a indicação do Aldo (neste post https://vadebici.wordpress.com/2011/07/11/sobre-a-ciclofaixa-da-loureiro-da-silva/#comments) localizei o anexo “Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito, VOLUME IV” (cujo download pode ser feito aqui http://www.denatran.gov.br/publicacoes/download/MANUAL_HORIZONTAL_RESOLUCAO_236.pdf).

      Como o Aldo havia transcrito no seu comentário, na pág. 36 deste Manual está especificado que a LARGURA CICLÁVEL TEM DE SER 1,50m MAIS “linha contínua com largura (l1) de, no mínimo, 0,20 m e, no máximo, 0,30 m”.
      Ou seja a largura total DEVE ser de NO MÍNIMO 1,70m. (vale a pena abrir o PDF e analisar a ilustração)

      Esta é uma especificação do DENATRAN. O que quer que a EPTC venha a fazer deve seguir isso.

      Isso sem falar no Caderno 1 do Plano de Mobilidade por Bicicleta nas Cidades: http://www.cidades.gov.br/images/stories/ArquivosSEMOB/Biblioteca/LivroBicicletaBrasil.pdf .
      Este caderno, como mencionei em outro post, na sua página 110 coloca como largura total da ciclofaixa como 1,80m e vale ver a ilustração também.

      O Aldo já havia colocado esta questão ao Régulo, que não respondeu. Talvez não tenha respondido por que sabe e não fez por pressão política. Suponho que isso tenha levado à cena que vimos na reunião, um colapso emocional devido à pressão de ambos os lados. Me pergunto se a área técnica da EPTC tem acesso a estes manuais. Se têm, estão coniventes com a posição política inaceitável, se não tem é impressionante que estes profissionais sejam designados para fazer projetos sem esta base.

      O FATO é que é inaceitável uma ciclofaixa com menos do que essa especificação. Por questões de segurança.

      Pensei bastante após ouvir e ler várias opiniões diversas, mas a questão é realmente de segurança. Ponderei que talvez fosse melhor ter qualquer ciclofaixa do que nada, a situação política, que isso estimularia mais pessoas a usar a bike, que seria uma vitrine, que acostumaria a cidade à idéia, que seria um teste e que se desse errado seria possível ampliar a largura, etc.

      Mas depois pensei um pouco mais e me dei conta que o “teste” depende de números. E quais seriam estes números? Atropelamentos (as chamadas “colisões”), mortos, feridos.

      E QUEM seriam estes “números”? Eu, nós que participamos da Massa, minha namorada, a namorada de alguém, um amigo, o filho do vizinho, a vó de um conhecido.

      E nós saberíamos que o “teste” foi pressionado por nós, sabendo que a via era insegura, e ilegal.

      Sendo assim expresso, novamente, minha opinião contrária a aceitar uma via sem a MÍNIMA segurança.

      Nós não conseguimos ainda nem o mínimo.

      Isso é como conseguir, em uma analogia ao serviço de saúde, metade de uma cirurgia do coração.
      Ficaremos com o peito aberto, fazendo um teste, esperando que jorre sangue de alguma artéria, que o coração pare de bater, para que talvez o médico resolva finalizar, diante da urgência.
      Ou que talvez funcione milagrosamente, que, contra as estatísticas, meia operação resolva, que o coração funcione com o peito aberto, com meia cirurgia.

      Me parece arriscado demais. Uma muito má idéia.

      Abraços.

      • Marcelo disse:

        Que ótimo achar esta resolução do DENATRAN, Felipe. Isso só nos mostra que não podemos aceitar faixas com menos de 1,7m.

      • Beto Flach disse:

        Felipe, amigo. Ao falar do CTB e sua distância segura de 1,5m não estava me referindo à largura de ciclovia mas à distância de segurança prescrita que deve separar ciclista e automotor.
        Explicando, EM MINHA OPINIÃO, pelo próprio CTB, não faz o menor sentido (além de ser ILEGAL) construir ciclovia ou ciclofaixa em que os automotores estarão “autorizados” a andar próximos da linha divisória (tachões) mas infringindo a distância mínima legal de 1,5m, ainda que o ciclista se coloque o mais próximo possível do meio-fio! Não vejo lógica de implantar uma ciclovia nestas dimensões, se ela traz subentendida uma discreta autorização à infração. Ou, por acaso ficará novamente a cargo dos automotores calcular a distância de 1,5, afastando-se dos tachões para não infringir o CTB. Então, neste caso, pra que tachões? Gostaria de entender melhor esta relação…
        Bem, não sei se me fiz entender. Um abraço.

    • Felipe Koch disse:

      E Beto, concordo que a “briga” entre o Régulo e os ciclistas pode ter sido orquestrado pela “diretoria”. Talvez não diretamente, cooptando o Régulo para a manobra, mas talvez fazendo esta pressão insustentável em cima dele sabendo que ele estouraria.
      E Maquiavel sorri de seu túmulo.

  14. Marcelo Sgarbossa disse:

    Colegas

    Na reunião ficou claro que a coisa não anda por uma visão (ou falta de) política.

    E os emails que chegaram ao Prefeito tiveram consequencia sobre a equipe técnica.

    Peraí: se a questão aqui é política, por que jogar a culpa para os técnicos? Que jogada de “mestre”!!!!

    Quando fomos recebidos pelo Busato na manifestação depois do atropelamento, ele propôs dar início a uma série de “Oficinas Técnicas”.

    Agora a proposta é “Oficinas Jurídicas” para estudar se dá ou não dá para aplicar a lei… Que bela armadilha para ganhar mais tempo e tentar nos ganhar no cansaço!

    Tá na hora de voltar a fazer pressão!

    abraços

    marcelo sgarbossa

    • Felipe Koch disse:

      Andei pensando nisto que escreveste e estás com a razão. Pois foi desmarcada uma reunião técnica para resolver um assunto jurídico que nada tem a ver com a questão.
      Apenas aproveitamos o fato de ser uma reunião política para batermos na questão do cumprimento do Plano Cicloviário também.
      Mas esta lei nada tem a ver com a largura de qualquer ciclovia, apenas obriga a implantação.

      A única menção sobre especificações das ciclofaixas feitas pelo Plano Cicloviário ( http://bikedrops.files.wordpress.com/2010/08/lei-complementar-626-plano-diretor-cicloviario-integrado-de-porto-alegre.doc ) está em:

      “Art. 16 – As ciclofaixas obedecerão, em suas dimensões e demais especificações, ao Caderno de Encargos da SMOV.”

      Ao pesquisar os cadernos em ( http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smov/default.php?p_secao=130 ) não encontrei nada a respeito de dimensões de ciclofaixas.
      A única possibilidade de relação com ciclofaixas encontrei no “DISCO 1”, documento SINALIZ.doc (cujo título interno é “SINALIZAÇÃO VIÁRIA”). Um dos subtítulos se chama “SINALIZAÇÃO HORIZONTAL”. Encontramos lá apenas especificações de MATERIAIS (tipos de tinta, modos de aplicações, cuidados no manuseio, etc.)

      Não há NENHUMA ESPECIFICAÇÃO sobre PROJETOS de ciclofaixas. Muito possivelmente porque isso é regulamentado pelo CTB e CONTRAN como já haviamos visto.

      Visto dessa maneira NÃO HAVERIA NENHUM MOTIVO para não haver a renião técnica com a desculpa de consultar esta lei.
      É apenas uma questão de decisão política de fazer cumprir a resolução do CONTRAN ou NÃO.

      Temo, então, que tenhamos sido, realmente, enganados e dispersos com uma movimentação política rasteira. Como tu bem falaste, caímos em uma “armadilha”.

  15. Felipe Koch disse:

    Muito bom, Marcelo e Beto.

  16. Parabéns, gente estou cada dia mais orgulhoso de ser ciclista primeiro, depois cicloativista e agora estar neste grupo de gente extremamente inteligente e combativa. Vamos em frente, admiro vocês.
    Concordo plenamente com a Gabriela, articulação é tudo neste tipo de entrave político em que nos colocaram. Estamos em xeque-mate, sentiram isto? Precisamos pensar, também em voz alta; precisamos ouvir muito e precisamos discutir numa reunião para chegarmos a um consenso. Falei varias vezes para termos uma Agenda Positiva e o Olavo ontem propôs uma que acredito seja legal, como bandeira; ainda acho que deveríamos incluir nela, um ponto: ‘UM KILOMETRO DE CICLOVIA POR MÊS COMO MINIMO ACEITÁVEL, CONSTRUÍDO PELA PREFEITURA” desta forma estaríamos caindo fora desta discussão, se tem ou não orçamento ou verba e exigindo que seja cumprido o que nos propomos. Assim precisamos fazer propostas, que sejam criticadas pelos outros integrantes do grupo, para as quais possamos criar sustentabilidade lógica e política e argumentações válidas, que só se criam em reuniões de discussão. Se concordarem poderei participar e até ajudar a organizar a partir de 22 de setembro que estarei de volta ao Brasil.

  17. Gabriela Giacobbo Moschetta disse:

    Sugestão com relação a largura da ciclofaixa na Loureiro: propor à EPTC que seja feito um teste- delimitar uma faixa para bicicletas com cones ou outra proteção segura, e a partir da análise desta experiência chegarmos a um denominador comum.
    Obrigada José! De acordo com sua ideia para reuniões de discussão! Tb me coloco a disposição para ajudar no que puder!

    • Olavo Ludwig disse:

      Eu cheguei a sugerir que colocassem alguma marcação de 1,5m e eles fossem pedalar lá, afinal é para incentivar o uso da bici, seria legal ver o Fortunati, Busatto, Capellari e régulo pedalando na Loureiro na hora do rush em uma ciclofaixa de 1,5m, mas sem batedores da EPTC, tudo normal como seria normalmente.

      • Marcelo disse:

        Se é pra simular a ciclofaixa que eles propuseram, tem que marcar 1,15m, que é a parte que realmente se pode pedalar.

      • Beto Flach disse:

        Muito bem. Apoiado! Eu vou junto, desde que seja num fim de tarde de sexta-feira quando reina o vale-tudo da pressa pra chegar mais cedo… Na hora em que “o bicho pega” eles poderiam avaliar se se sentiram em segurança com a distância projetada. No mínimo, numa próxima, chamariam aquele tanque do prefeito-limpa-trilho no vídeo mais acima! Hehehe.
        Aliás, que tal sugerir o passeio antes de uma Massa Crítica? E depois fazer uma rodada de avaliação com o pessoal!
        Um abraço!

    • Melissa disse:

      Ótima idéia! O que dá pra fazer é marcar 1,05m e botar cones ao lado dessa largura, pois eles devem ter uma largura semelhante à proteção dos tachões.

  18. Flavio Sachs Beylouni disse:

    Vou ver se faço esse teste de marcar 1,5m e pedalar neste sábado. Também gostaria de dizer o seguinte. Por mais que os técnicos sofram pressões, tenho certeza que não fariam algo que, de acordo com o seu conhecimento e opinião, fosse representar um perigo aos usuários da ciclofaixa. Se começassem a haver muitos acidentes, eles seriam responsabilizados e eles sabem disso. Portanto, acho que podemos confiar no julgamento e conhecimento deles, pois sabem que vidas estão em jogo, assim como a sua reputação e também toda uma mudança na mobilidade da cidade. Tudo isso é muito importante. Tenho certeza que eles não querem fazer algo que leve as pessoas a pensar na bike como um veículo inseguro. Tenho certeza que querem menos pessoas andando de carro, o que facilita o trabalho de todos na EPTC. Então vou fazer esse teste sábado, pq tenho certeza que poderemos ficar discutindo isso por meses sem chegar a uma conclusão, mas se fizermos o teste, teremos mais fundamento para qqr argumentação. de qualquer jeito, o que não podemos fazer, é atacar a competência dos técnicos, mesmo que sugiram uma ciclofaixa de 1,5m quando no CTB ou PDC consta uma largura mínima de 1,8m. A isso, eu chamo fechar portas. O melhor, na minha opinião, é sempre dialogar e mostrar por A + B, preto no branco. Abçs.

    • Olavo Ludwig disse:

      Flávio, faça o teste, mas será um teste não representativo, pois um dos objetivos do PDC é incentivar o uso da bicicleta, e isto serve para quem não usa, tu já usa e está acostumado a andar no trânsito. Outra coisa, um sábado não é parâmetro, este tipo de teste deveria ser feito num dia de semana, e sem motoqueiros da eptc protegendo, feito idealmente pelo pessoal que já citei antes.

  19. Flávio Beylouni disse:

    Claro, concordo contigo Olavo, mas como eu não posso dia de semana, vou fazer no sábado (melhor que num domingo). Também acabei de colocar 1,5m no chão da sala aqui em casa. Me pareceu que, olhando de cima, em pé ou até de cima da bike, 1,5m fica bom se for de espaço ciclável. Se for 1,05m de espaço ciclável, aí me parece pouco, mas tb, ficam 45cm à esquerda, de espaço, até o território dos carros.

    • Melissa disse:

      Em Buenos Aires, as ciclovias bidirecionais tem um metro pra cada sentido. Teoricamente é pouco, mas como tem o metro do outro sentido ao lado, ajuda muito.

  20. Aldo disse:

    Lendo um excelente artigo sobre a conveniência de se fazer ciclovias (em inglês, cap 7.2 http://bicycledriving.org/about/the-dilemmas-of-bicycle-planning), ocorreu-me uma idéia para a Loureiro da Silva: Não fazer imediatamente uma ciclofaixa segregada, mantendo porém o projeto de redução da largura das pistas da esquerda. Apenas isto é a sinalização de trânsito de bicicletas, tanto vertical como horizontal, fazendo assim uma ciclo-rota.

    Neste conceito, a Loureiro da Silva ficaria com uma pista de 5 metros na direita, possibilitando o compartilhamento mais confortável de bicicletas com veículos automotores, e mais 3 pistas de 3 metros.

    Acho importante também colocar tachões entre a primeira e a segunda pista antes de alguns cruzamentos ou saídas para impedir a conversão dupla.

    Acredito que esta parte do projeto seja consenso e portanto poderia ser feita já.

    Enquanto isso, continuam as discussões sobre a conveniência e forma de delimitação da ciclofaixa e sua largura, que pode chegar a até 2m se a pista adjacente ficar com 3m.

    Meu maior receio é de os políticos não gostarem da idéia porque não contabilizaria como ciclofaixa. Mas não iria ser contabilizada como ciclovia mesmo, de qualquer forma.

    O grande problema de uma ciclofaixa na direita é a de impedir que os motoristas fiquem bem à direita quando vão converter, o que é contra as regras básicas de tráfego. Da mesma forma, uma ciclofaixa desincentiva o ciclista a deixar a margem direita da via mesmo quando pretende seguir em frente. Naquela via com alto tráfego e muitas conversões à direita isso tudo criará uma quantidade enorme de conflitos carro-bicicleta e alguns invariavelmente resultarão em acidentes. Por isso, o melhor é fundir o fluxo de carros e bicicletas próximo às zonas de conversão à direita, o que aconteceria normalmente sem a demarcação de ciclofaixa.

    Chamo a atençao que a criaçao dos bike-boxes contemplada no projeto da ciclofaixa segue este mesmo conceito de fundir os fluxos de bicicletas e carros nos cruzamentos.

    O que acham da idéia?

  21. Cezar Busatto disse:

    Caros amigos,
    Gostaria de esclarecer que a referencia que fiz ao OP nao teve o propósito de desconhecer os avanços que a luta dos ciclistas já teve em POA, muito menos a existência da lei do Plano Cicloviario. O OP tem o propósito de decidir democraticamente as prioridade de
    aplicação dos recursos públicos da
    prefeitura. Isso vale para outras areas de atividades, como saúde, educação, que também tem leis com definição de percentuais mínimos do orçamento. Ou seja, será no âmbito do OP que se decidira em que ações e projetos serão aplicados os 20 por cento de multas previstos na lei do Plano Cicloviario.
    Gostaria também de esclarecer que tenho conduzido meu relacionamento com os ciclistas de forma muito sincera e movido pelo compromisso publico e a vontade politica de melhorar a nossa cidade, torna-lá cada vez mais democrática, inclusiva, solidaria. E com base nestes princípios que exerço meu cargo de Secretario. Por isso, quero aqui expressar minha discordância com as interpretações que viram em minhas palavras demagogia, dissimulacao e outros qualificativos desabonadores. Nao aceito e acho que nao mereço isso!
    Concluo meu comentário reafirmando a disposição do governo municipal de atender na melhor de nossas possibilidades as justas reivindicações dos ciclistas, assim como estimular e fortalecer uma cultura cicloviaria e uma convivencia respeitosa e harmônica entre os diferentes modais de transporte na cidade.Abs

    • Melissa disse:

      Oi Secretário, eu não pude ir na reunião mas escutei o áudio depois. Achei relevante o que falaste sobre o OP, é algo importante que eu nunca tinha pensado. Porém, não acho que cobrar as promessas feitas por essa mesma prefeitura em relação ao Plano Cicloviário foi algo agressivo. Devemos olhar pra frente sim, mas a atitude cidadã de querer saber o que foi feito com um dinheiro que deveria ter sido investido em algo muito bom pra cidade é legítima e não deve ser ignorada.

    • Caro Secretario seja bem-vindo a discussão, e acho que o senhor deve estar maravilhado de ver como as pessoas interpretam às suas atitudes. Cada um tem uma visão e ela pode ser positiva ou negativa depende do momento e da situação na qual a atitude foi tomada.
      Comparo hoje esta questão da bicicleta no mundo com uma revolução silenciosa, que acontece já faz alguns anos e que não tem nada a ver com a Amsterdã, ciclavel, de toda uma vida, ou com a vontade que o homem sempre teve de desafiar a gravidade se mantendo equilibrado em duas rodas. Nem sequer tem tanto a ver com uma vontade ecológica de preservação da natureza e o meio ambiente.
      Tem muito mais a ver com reflexão, com tempo para pensar, com um sistema mais humano de levar a vida, com mais tempo para ver a paisagem e os detalhes de todo o que acontece ao nosso redor, menos selvagem, como realmente é o modelo centrado no automóvel.
      Estamos falando de um novo modelo de cidade, centrado no indivíduo e não unicamente de um modal de transporte, estamos falando de civilidade sempre num aspecto amplo.
      Veja o que aconteceu quando Maria Antonieta, rainha consorte da Franca pouco antes da Revolução francesa proferiu uma famosa frase: “Se não têm pão, que comam brioches”, certa vez que um grupo de pobres foi ao palácio pedir pão para comer, poucos dias antes da Revolução Francesa. Este erro político de interpretação do momento, das causas e dos interlocutores, terminou agravando uma situação que ja era crítica e extremamente complexa.
      O pão que todos nos queremos e não pode ser brioches… é kilômetros construídos de ciclovias com o dinheiro advindo dos infratores e contraventores do trânsito, no pagamento das multas. Não unicamente dos recursos advindos de custos de contrapartida da iniciativa privada, queremos, sim secretário, que sejam construídas com estes recursos.
      Senhor Secretario certamente os ciclistas dificilmente irão ao OP para discutir a validade ou não da Lei, posso garantir que este subterfugio não é válido; não pode hoje chegar o Poder Executivo Municipal e argumentar que o cumprimento ou não da Lei fica nãos mãos do OP.
      Elegemos Vereadores que integram o Legislativo Municipal, elegemos o Prefeito e desta forma agimos de acordo com o normativo legal vigente e estas autoridades criaram uma Lei que exigimos seja respeitada e se não o for, seja revista no foro legítimo que é o Legislativo Municipal.
      Ou será que as obras da Copa foram levadas ao OP ? Por favor nos informe, porque nem sei se foram ou não levadas e aprovadas neste OP. Ou ainda como o OP decide para mandar o Executivo Municipal não cumprir uma lei ? Isto é aceito pelo Tribunal de Contas e Ministério Público e pela a autoridade Judiciaria ? E so dicer não cumpri a Lei porque o OP assim o decidiu e estamos conversados? A autoridade do OP é realmente superior ao Legislativo Municipal?
      Senhor Secretário naquela reunião na EPTC vi empresários, profisisonais liberais e pessoas que geram os recursos da Prefeitura com seu suor e trabalho, pagando impostos municipais todos os dias e a estes cidadãos, muitos deles que nunca pediram nada da Prefeitura Municipal, o senhor mandou para o OP para fazer cumprir uma lei que o Prefeito Fogaça, nos fez acreditar que era prioritária.
      Por favor Senhor Secretário, entre nesta revolução silenciosa, como outrora ja o fez defendendo outras justas bandeiras e ajude os cidadãos de Porto Alegre a ter o direito a pedalar nas suas, ruas sem arriscar a vida estupidamente em cada esquina, na iminencia de aparecer um troglodita que acredita que a cidade pertence aos carros e que so os seus motivos são so mais urgentes e verdadeiros. Que acredita que so ele tem filho ou ainda que acredita que pode passar por cima de centenas de pessoas usando o argumento de uma emergência.
      A estava esquecendo, o clamor popular como pode ver numa leitura detida, das manifestações acima é lícito e em nenhum momento desrespeita ninguêm, ele so manifesta nosso descontentamento de forma ordera e libertária.
      Continuamos a aguardar uma nova reunião com o senhor, com o Secretário Capellari e com as autoridades jurídicas da Prefeitura, se este for o caso, de acordo com a sua manifestação, na nossa última reunião.
      Enquanto isso, “vá de bici” secretário que é um bom exemplo para a cidade.

    • Felipe Koch disse:

      Prezado secretário,

      Da parte que eu escrevi e que reflete apenas minhas impressões pessoais, gostaria de dizer que minha intenção não foi desrespeitar à sua pessoa.
      No entanto, na reunião que tratou sobre a situação cicloviária atual, causou perplexidade que o senhor, na qualidade de representante da prefeitura qualificado para a discussão, alegue desconhecer a lei mais fundamental da questão cicloviária na cidade.
      Uma vez que o senhor foi designado ou teve a iniciativa de posicionar-se como representante deveria estar a par do histórico de negociações e conquistas já efetivadas.
      As críticas colocadas acima são direcionadas à prefeitura, a qual vocês, seus representantes, personificam.

      Não dá para levar este tipo de discussão para o lado pessoal, sendo que estamos tratando de assuntos que significam a vida quotidiana de milhões de pessoas.
      Precisamos deixar o ego e as vaidades de lado e ter a humildade de dialogar seriamente, pois são milhões de cidadãos contribuintes que se sentem esmagados por uma sistemática de trânsito que oprime a todos, mesmo os que supostamente estariam no lado ganhador.

      A impressão que temos é que ótica pela qual a prefeitura vê o trânsito e as soluções que estão em andamento é uma ótica muito ultrapassada, que apenas onera a população, não apenas economicamente, e que não resolve a situação.
      A verdade é que se gasta muito dinheiro numa visão antiquada que nunca poderá solucionar, enquanto que novas soluções que utilizam muito menos dinheiro e tempo são completamente ignoradas.

      Nas condições políticas de hoje, na cidade, no estado e no país, o sentimento da população é que uma posição inflexível serve apenas para privilegiar interesses de poucos empresários e seus políticos apadrinhados.
      E que a política vista como um “mercado”, e ainda um “mercado” antiquado, em que a manutenção de cargos e posições é a sua suprema finalidade, é um ônus muito grande à população.

      É uma visão pessimista, mas não ingênua.
      E reforçada pela quantidade de escândalos e estudos sérios que comprovam o grau de corrupção no país todo.
      E essa é uma imagem que cabe a todo político atual reverter.

      Quando os representantes (e agora estou falando especificamente da reunião ocorrida) sonegam as informações que têm ou alegam desconhecimento, recusando-se a discutir pontos levantados, destinações de verbas e orçamentos, naturalmente levantam suspeitas ou colaboram para que se criem teorias alternativas.
      Por que temos muita dificuldade em conceber que nossos representantes possam conhecer tão pouco dos assuntos nos quais pretendem representar.

      Onde falta informação sobram suposições.

      Hoje muitos levantes e novas organizações sociais estão surgindo de maneira espontânea pelo mundo devido à grande disseminação da informação.
      Informação é poder.
      E se este poder esteve muito concentrado em outras épocas hoje ele é cada vez mais difundido e disseminado.
      É um caminho sem volta.

      Se todas estas impressões estão erradas, como podem estar, talvez a humildade de reconhecer o que não está certo, um pedido de desculpas formal pelo não cumprimento de leis, transparência e coerência, por parte da prefeitura, poderiam trazer um novo sentimento à população.

      E a partir daí, começar a colocar em ação o discurso feito e os compromissos já firmados, aproveitando os colabores e voluntários.
      E fazer isso a partir das prioridades estabelecidas em projetos e estudos, no caso o PDC, com medidas conjuntas e com perspectiva de continuidade, ao invés de seguir esta política de demandas atual, que parece um mercadinho de varejo.

      Por que, se o discurso é um e a ação política é outra, qual é o nome disso?

      Abraço.

      Obs.: Nada disso é pessoal e é direcionado à administração da prefeitura de uma cidade que tem que ser personificada por seus representantes.
      Este texto reflete apenas minhas opiniões pessoais e não reflete nenhum consenso ou posição de grupo.

    • rodrigoX disse:

      Sr. Busatto
      Estas “justas reivindicações dos ciclistas” citadas acima pelo sr., são na verdade reivindicações de todas as pessoas (PESSOAS) que já substituíram seus veículos, que geram uma grande despesa mensal, poluem muito, congestionam o trânsito, por bicicletas.
      É também a reivindicação dos que pensam em fazer isso e não se animam, pois entendem que andar por POA de bicicleta é extremamente perigoso e estressante.
      Enfim, são muito mais pessoas além dos ciclistas.
      Como morador da zona sul, o sr. já deve ter percebido a quantidade de pessoas que se desloca naquela e daquela região usando a bicicleta.
      Ou andam nas avenidas, disputando com o péssimo pavimento e veículos de maior peso, ou andam pela paliativa “ciclovia” ali da Diário – poucos andam ali, na verdade.
      Andar de bicicleta pela calçada (???) da estreita Av. Beira-Rio (Edvaldo…), é arriscar-se a cair ou detonar a bicicleta naquele ilegal/inexistente calçamento. Sem falar na iluminação que por anos, ali, simplesmente não existe (verificar imposto de iluminação e aplicar naquele local).
      Certa feita, nos tempos em que cursava a faculdade de CIÊNCIA POLÍTICA, tive a oportunidade de comparecer a inauguração do trecho entre a av.Ipiranga e av. Protásio Alves da 3a perimetral. Estava ouvindo o cansativo discurso blábláblá dos oportunistas da administração municipal, quando os convidados canadenses (em visita a POA para conhecer o OP), que ali estavam perguntaram onde estava a ciclovia naquela grandiosa obra que cruzava a cidade.
      NÃO HAVIA CICLOVIA.
      E foram informados que apenas fora feito o corredor de ônibus que, sabidamente, nunca teria a capacidade de uso prevista. Na faculdade, colegas informaram q a ciclovia não havia sido projetada ali, por lobby das empresas de ônibus.
      Mais bicicletas = menos passageiros. Será???
      Cumpra a lei sr. secretário.
      Visite Copenhagen, sente-se em um banco qualquer, de uma avenida qualquer lá e passe a tarde observando como é feita a “cultura” da bicicleta (cultura esta, citada acima pelo sr.), seja no inverno abaixo de zero ou no turbilhoso verão.
      Vá lá, aprenda e volte com a bagagem mínima de quem pensa em EXECUTAR o plano cicloviário que terá forte influência no VIÁRIO como um todo.

      RodrigoX

  22. Cezar Busatto disse:

    Cara Melissa, concordo contigo, sou parceiro para fazermos uma boa discussao com a EPTC quanto ao cumprimento da lei do Plano Cicloviario. Abs.

  23. Laura Backes disse:

    Ainda que eu não consiga ter o nível de ativismo de muitos aqui, acompanho as discussões atentamente, como cidadã que utiliza a bicicleta em seus deslocamentos diários. E fico feliz de ver o produtivo debate que acontece.
    Achei bacana também o Busatto vir aqui, já é um avanço. Mas seria preferível que ao invés de simplesmente defender-se e dizer que tem sinceridade e boa disposição, etc., se posicionasse em relação aos questionamentos feitos (sobre leis e sua implementação).
    E aí tenho que concordar, mesmo sem ter ido na reunião, com os meus colegas.
    Achei complicado também responder só prá Melissa, sem dar bola aos questionamentos feitos.
    Seria mais legal se dissesse que irá se preparar melhor para na próxima reunião ter propostas concretas para viabilizar financeiramente, estudando inclusive a lei do PDC.
    Considerando a hipótese de realmente dar valor para a discussão (e seu reflexo prático), era isso que seria legal na próxima reunião: propostas concretas prá fazer valer o proclamado coração aberto.
    De resto só tenho a acrescentar que vejo uma disposição generalizada na cidade das pessoas em querer andar de bicicleta. Todas me felicitam por andar, dizem que adorariam fazê-lo, mas não tem coragem de encarar o trânsito como ele está.
    Acredito que a prefeitura ao implementar ciclovias não estará atendendo aos cicloativistas, mas sim a um anseio mais geral da população.

    E por fim volto a parabenizar este fórum de debates, sem um pingo de partidarização.
    (e ressaltando, meu depoimento é pessoal a partir das leituras aqui)

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